Reino Unido
Advogados de Assange intensificam pressão contra extradição
Sem base legal, eles dizem que fundador do WikiLeaks pode ir para Guantánamo e ser executado
Julian Assange foi ao tribunal apenas para confirmar seu nome e endereço, em sessão que não durou mais do que 10 minutos (Leon Neal/AFP)
Com argumentos totalmente infundados, os advogados que defendem Julian Assange intensificaram a pressão pela não extradição. Sem nenhuma base legal para as justificativas, eles disseram nessa terça-feira, 11, que se o seu cliente for para a Suécia ele correrá o risco de ir para a prisão de Guantánamo ou até ser executado, pois os Estados Unidos também pedirão sua extradição. Pouco antes, o fundador do WikiLeaks compareceu a um tribunal de Londres para uma audiência sobre o processo de extradição em função de duas acusações de crime sexual.
"Se Assange for levado aos EUA sem garantias de que não seria condenado à morte, há um grande risco de que essa seja sua pena”, diz um trecho do documento dos advogados de Assange, reproduzido pelo jornal britânico The Guardian. “É de conhecimento de todos que figuras proeminentes, se não disseram diretamente, insinuaram que ele deveria ser executado". Os advogados, no entanto, deixaram obscuras as justificativas para essa conclusão.
O fundador do WikiLeaks divulgou mais de 250.000 documentos diplomáticos dos EUA, colocando a Casa Branca numa situação constrangedora. Mas, o processo pelo qual responde é por acusações de crimes sexuais, que teria cometido na Suécia.
Audiência - Assange compareceu a um tribunal de Londres nesta terça-feira para mais uma etapa do processo sobre a sua extradição. A audiência com o juiz Nicholas Evans não durou mais do que 10 minutos e o réu falou apenas para confirmar seu nome e endereço. A decisão sobre o pedido de extradição feito pela Suécia será confirmada quando o hacker voltar ao mesmo tribunal, em 7 e 8 de fevereiro, para uma audiência mais longa.
“Estamos felizes com o resultado de hoje", disse Assange ao deixar o local. "Nosso trabalho com o WikiLeaks continua inabalável. Estamos intensificando a publicação de outros documentos que em breve estarão disponíveis.”
O fundador do WikiLeaks havia sido preso em Londres em dezembro passado. Nove dias depois, e mediante o pagamento da fiança de 240.000 libras com a ajuda de empresários e celebridades, ganhou liberdade condicional. Como parte das condições para ser solto, ele teve de permanecer na Inglaterra e se hospedou na mansão de um amigo, Vaughan Smith, em Suffolk, no leste do país.
Responsável pelo site que revelou milhares de documentos confidenciais do governo dos Estados Unidos, o hacker nega todas as acusações e diz estar sendo perseguido. "Estou sendo vigiado de forma permanente", declarou, em entrevista publicada nesta terça-feira pela emissora France Info. Ele diz ainda estar "acostumado a este tipo de pressão", mas descreve a situação atual como "a mais dramática que vivi até agora".
WikiLeaks - Assange enfatiza, porém, que nenhuma retaliação será capaz de interromper os trabalhos do WikiLeaks, apesar das dificuldades financeiras pelas quais o site passa atualmente. "Aconteça o que acontecer, seguiremos. O número de publicações diárias se intensificou nos últimos tempos e vai seguir aumentando."




Comentários