História

65 anos da bomba atômica em Hiroshima

O ataque matou 140.000 pessoas e iniciou o debate sobre o uso das armas nucleares

Veronica Deviá

A bomba explodiu liberando 15 quilotons de carga - o equivalente a 15 mil toneladas de TNT –, em uma onda de calor e choque que pulverizou instantaneamente 11 quilômetros quadrados a partir de seu epicentro

Na manhã do dia 6 de agosto de 1945, o mundo conheceu o poder de destruição de uma bomba atômica. A cidade japonesa de Hiroshima foi alvo do primeiro ataque nuclear da história, realizado pelos Estados Unidos, matando milhares de pessoas instantaneamente e outras lentamente, em decorrência dos efeitos da radiação.

Foto: B. Hoffman/Getty Images

Estima-se que cerca de 70.000 pessoas tenham morrido instantaneamente com a explosão da bomba em Hiroshima. O calor e a radiação carbonizaram todos os que estavam no raio de dois quilômetros da bomba. Na foto, pessoas caminham pelas ruas algumas semanas após a explosão

Pessoas caminham pelas ruas de Hiroshima semanas após a explosão

Foto: Hulton Archive/Getty

Hiroshima em foto de 1945. A explosão atingiu um raio de 2000 metros do marco zero da bomba, destruindo completamente uma área de oito quilômetros quadrados

Hiroshima em foto de 1945

A Segunda Guerra Mundial estava em curso desde 1939. Na Europa, a Inglaterra e a União Soviética tentavam conter as forças nazi-fascistas, enquanto os Estados Unidos reuniram suas forças para combater o Japão imperialista. O governo americano buscava revidar o ataque japonês à base de Pearl Harbor em 1941. Após dar ao Japão um ultimato de rendição sem obter resposta, os americanos lançaram sobre Hiroshima a bomba “Little Boy”, transportada e disparada pelo bombardeiro B-29, apelidado Enola Gay e comandado pelo piloto Paul Tibbets.

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Passados apenas 57 segundos do lançamento, a 600 metros do solo, a bomba explodiu, liberando 15 quilotons de carga - o equivalente a 15 mil toneladas de TNT –, em uma onda de calor e choque que pulverizou instantaneamente 11 quilômetros quadrados a partir de seu epicentro. Além das 70 mil pessoas mortas no momento da explosão, o número de vítimas dobraria em questão de horas, devido aos graves ferimentos causados por queimaduras e soterramentos. Nos meses e anos que se seguiram, o Japão viu seus milhares de hibakusha – como foram chamados os sobreviventes da bomba atômica – morrerem em decorrência da radiação.

Três dias depois do ataque, os americanos lançaram a segunda bomba contra o porto de Nagasaki, que deixou 70.000 mortos. Ao ver seu país destruído, o imperador Hiroito assinou a rendição japonesa, no dia 14 de agosto. A saída do conflito trouxe o fim da Segunda Guerra, mas marcou para sempre a história mundial, colocando em dúvida o uso deste novo artefato militar.

Após o desastre, Hiroshima construiu museus e memoriais para honrar as vítimas. O local do epicentro da explosão abriga hoje o Parque Memorial da Paz, idealizado pelo renomado arquiteto japonês Kenzo Tange. Às margens do rio Motoyasu, onde foram criados os jardins, encontra-se a Cúpula Genbatsu, uma estrutura que resistiu às explosões, tornando-se um marco na cidade e  para os sobreviventes. O complexo conta  ainda com um museu, que mostra as ruínas e os objetos que sobraram, como um relógio com os ponteiros parados na hora da explosão, às 8h15 da manhã. O parque tornou-se patrimônio mundial da Unesco, em 1996.

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