15/09/2010 - 08:17
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EUA

‘Tea Party’ surpreende nas primárias republicanas

Membro do partido ultraconservador obtém vitória incontestável

Christine O’Donnell discursa após vencer Mike Castle nas primárias por 53,1% a 46,9%

Christine O’Donnell discursa após vencer Mike Castle nas primárias por 53,1% a 46,9% (Mark Wilson/AFP)

"O povo de Delaware decidiu. Chega da política de sempre", discursou a vitoriosa

O movimento ultraconservador republicano americano "Tea Party" obteve uma vitória incontestável nas primárias para as eleições legislativas de novembro, depois que uma novata derrotou a ala moderada em Delaware - o mesmo estado onde será disputada a cadeira do Senado que pertencia ao atual vice-presidente, o democrata Joe Biden. Resultados extraoficiais de todos os distritos atestam que Christine O'Donnell venceu o republicano moderado Mike Castle por 53,1% a 46,9%.

"Os eleitores da primária republicana falaram e eu respeito esta decisão", disse Castle ao reconhecer a derrota em um discurso no qual não manifestou apoio a O'Donnell. A vencedora, que superou acusações de crimes financeiros no passado, aproveitou o mal-estar em relação aos políticos estabelecidos e o apoio de Sarah Palin - candidata republicana à vice-presidência em 2008 e principal figura do "Tea Party" - para obter um surpreendente triunfo.

O'Donnell iniciou o discurso de agradecimento dizendo que quer "restaurar" os Estados Unidos. "O povo de Delaware decidiu. Chega da política de sempre". Apesar da vitória, o resultado pode significar um alívio para os democratas, já que pesquisas recentes indicavam que Castle venceria com tranquilidade o candidato Chris Coons. Mesmo os republicanos não acreditam que O'Donnell tenha chances de derrotar Coons em novembro, como afirmou esta semana o presidente do Partido Republicano de Delaware, Tom Ross, ao jornal Washington Post.

Os republicanos esperavam que Castle, representante do estado durante 20 anos, conquistasse a vaga de Biden depois que o filho do vice-presidente, Beau, desistiu da candidatura pelo lado democrata. Ao mesmo tempo, Ovide Lamontagne, também ligado ao "Tea Party", superou a ex-procuradora-geral de New Hampshire Kelly Ayotte na disputa pela candidatura republicana ao Senado.

Legislativas - As primárias ocorreram duas semanas depois que outro novato do "Tea Party", Joe Miller, desbancou a senadora Lisa Murkowski na disputa republicana pela candidatura ao Senado do estado do Alasca. Os democratas esperam que os triunfos da ala ultraconservadora republicana, com candidatos que tendem à polêmica, ajudem a reduzir o impacto do que muitos acreditam que será uma derrota considerável nas legislativas de 2 de novembro.

A cadeira no Senado que era ocupada pela atual secretária de Estado, Hillary Clinton, por Nova York, estaria a salvo, enquanto persistem dúvidas sobre o posto por Illinois, que pertencia ao presidente Barack Obama. Em novembro, estarão em disputa todas as cadeiras da Câmara de Representantes (435) e pouco mais de um terço do Senado, 37 de 100.

(Com agência France-Presse)

Leia na coluna De Nova York, por Caio Blinder:
"E a história está contra o presidente. O partido com a chave da Casa Branca costuma perder cadeiras nas eleições de meio do mandato presidencial. E como os republicanos na época de Karl Rove, o guru eleitoral de George W. Bush, os democratas não podem ter a ilusão de que seja possível “mexicanizar” o processo a toque de caixa (hegemonia de um partido no poder ao longo de gerações). Não dá para aparelhar o sistema como o PT fez no Brasil, a imprensa americana abandonou o deslumbramento com Obama e a “intelligentsia” liberal subestimou o vigor dos insurgentes do Tea Party (a turma visceralmente antigoverno capitanenada por Sarah Palin, o monstrengo político inflado por John McCain na campanha de 2008). Sim, o país está polarizado e eu confesso que superestimei a xaropada eleitoral de Obama de estar acima das paixões partidárias."

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