Tarja do Tema Campeonato Brasileiro 2011

Futebol

Transferências no meio do ano devem transformar equipes

Ganso, Neymar, Lucas, Leandro Damião... Quais chegarão ao fim do Brasileiro?

Vinícius Dominichelli
Neymar e Ganso

Neymar e Ganso: os principais alvos dos europeus neste ano (AE)

O mais cruel na debandada de jogadores é que os clubes mais prejudicados são justamente os que têm os melhores resultados no decorrer do primeiro semestre

Entra campeonato, sai campeonato, e os times brasileiros continuam enfrentando o mesmo fantasma sempre que chega o inverno ao país. Esse é o período em que os clubes europeus preparam seus elencos para a temporada seguinte - e saem à caça de reforços no exterior. Grande produtor de craques, o Brasil é sempre um dos alvos prioritários na janela de transferências europeia. E, assim como nos anos anteriores, o Brasileirão 2011 pode ter seus rumos definidos justamente pelo assédio sobre jogadores em evidência nos gramados do país. Resultado: o campeonato começa com muitos craques, mas vários deles podem não chegar ao fim.

Nomes como Paulo Henrique Ganso e Neymar, do Santos, Lucas, do São Paulo, e Leandro Damião, do Internacional, despontam como os mais cotados para trocar os gramados brasileiros pela Europa no meio do ano. Durante meses, o Milan e a Inter de Milão mostraram grande interesse em contar com o futebol do meia Ganso - e o fato de ele ainda não ter entrado em acordo com o Santos para renovar o contrato só reforçou as especulações. O Corinthians, outro clube que estaria interessado no jogador, poderia servir de ponte por alguns meses para o jogador atuar na Itália. O time nega, mas há fortíssimos sinais de uma negociação.

No ano passado, Flamengo, Inter, Palmeiras, São Paulo e Santos sofreram com as perdas. Adriano (que foi para a Roma), Sandro (Tottenham), Taison e Cleiton Xavier (Metalist), Hernanes (Lazio), Wesley (Werder Bremen) e André (Dínamo de Kiev) foram os principais desfalques na janela de transferências. Já seria um problema se o único impacto disso fosse a decepção dos torcedores, que dão um adeus prematuro aos seus ídolos. Mas talvez o maior drama seja o efeito dessa tendência no equilíbrio do campeonato. Há clubes que começam subindo ao topo da classificação. No meio do ano, perdem craques e ficam para trás na tabela.

Desmanche - Agente de jogadores desde 2000, o ex-goleiro Gilmar Rinaldi não tem dúvida: o Brasileirão 2011 terá, mais uma vez, um êxodo de jogadores durante a janela européia. "É normal acontecer isso. Todos os times sabem que vão ter problemas quando a janela abrir", diz o empresário, que cuida das carreiras de jogadores como Fábio Simplício (Roma), André Dias (Lazio) e Danilo e Fábio Santos (Corinthians). Um dos exemplos mais recentes de desmanche na equipe no meio do Brasileirão foi o Corinthians. E o mais cruel é que os clubes mais prejudicados são justamente os que têm os melhores resultados no começo do ano.

No caso corintiano, após ser campeão da Copa do Brasil e do Campeonato Paulista, em 2009, a equipe perdeu sua espinha dorsal. Em questão de dias, o clube negociou o lateral-esquerdo André Santos, o volante Cristian (ambos para o Fenerbahce, da Turquia) e o meia Douglas (para o Al Wasl, dos Emirados Árabes). A consequência foi imediata. Sem substitutos capazes de dar conta do recado, o Corinthians precisou escalar Marcelo Oliveira na lateral, Jucilei como volante e adiantar Elias para fazer a função de armador. Resultado: uma modesta décima colocação no campeonato, depois de iniciar a competição como grande favorito.

No ano passado, Santos e São Paulo foram os maiores prejudicados. As saídas do volante Wesley e do atacante André fizeram com que o então técnico Dorival Júnior substituísse a dupla por Roberto Brum e Zé Love. Sem os dois, o Santos terminou o Brasileirão apenas na oitava colocação, enquanto o São Paulo, sem o meia Hernanes, ficou em nono lugar. Sem ter o que fazer para impedir totalmente as perdas para a Europa, os dirigentes pelo menos já estão aprendendo formas de adiar essas transferências - foi o que fez o Santos ao oferecer um contrato mais longo (e bem mais caro) a Neymar. Para isso, porém, é preciso dinheiro.

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