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Traffic cobra R$ 6 milhões do Flamengo por salários pagos a Ronaldinho

Empresa de marketing esportivo estuda ação na Justiça para recuperar os 75% dos salários pagos ao jogador

Por: Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro - Atualizado em

Ronaldinho Gaúcho, após partida contra o Cruzeiro, dia 6 de novembro
Ronaldinho Gaúcho, após partida contra o Cruzeiro, dia 6 de novembro(Wagner Meier/Fotoarena/VEJA)

Além dos problemas com Ronaldinho Gaúcho, o Flamengo deve enfrentar também uma ação judicial movida pela empresa de marketing esportivo Traffic. O vice-presidente da empresa, Stefano Hawilla, filho de J. Hawilla, afirmou que também pode entrar na Justiça contra o Flamengo, para cobrar do clube uma dívida que pode chegar a 6 milhões de reais. O valor é referente, segundo a empresa, ao pagamento de 75% dos salários de R10, durante seis meses. Ronaldinho cobra cerca de 40 milhões do clube.

"De boa fé, nós ajudamos a pagar os salários do Ronaldinho por seis meses, porque acreditávamos que o memorando de intenções que tínhamos com o Flamengo viraria um contrato. Mas o clube nunca assinou esse contrato e nós não tivemos nenhum benefício. Não fizemos os contratos de imagem que esperávamos com o jogador", disse Stefano. "Por enquanto não existe litígio na Justiça entre nós e o Flamengo. Temos um bom relacionamento com o clube. Estamos cobrando, tentando entrar em entendimento. Enviamos algumas cartas ao clube para o departamento jurídico deles e estamos esperando a resposta".

O empresário se diz tranquilo quanto a uma possível ação regressiva do Fla, para tentar responsabilizar a Traffic pela dívida que Ronaldinho cobra do clube. "Pelo que soube o jogador cobra na Justiça uma dívida de trabalho a respeito de atrasos de salário. Não sei se tem algo mais, depósito de FGTS. Mas ele nunca foi nosso empregado e não éramos responsáveis pelo pagamento de salários e FGTS dele. Estamos totalmente isentos dessa responsabilidade, que é do empregador".

A forma de relacionamento entre Ronaldinho, o Flamengo e a Traffic é considerado um aprendizado. "Esse formato de trazer nomes famosos e colocar em clubes para explorar a imagem é muito complicado e está descartado aqui na empresa. Depois do Ronaldinho vimos que isso não é possível no Brasil. Nós fazemos um acordo com o clube, mas depois esse acordo não pode ser cumprido porque facções de diretoria questionam o negócio e o impedem de ser concretizado. Todo clube brasileiro tem facções, e eu não posso ficar a mercê delas. Não posso pagar salário de jogador na boa fé e depois ficar no prejuízo", disse o empresário.

Procurado para responder sobre a possível cobrança dos seis primeiros meses de salário de R10 por parte da Traffic, o vice-presidente jurídico do Fla, Rafael De Piro, não foi encontrado. O clube divulgou uma nota sobre o rompimento com Ronaldinho.

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