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Surfistas de ondas gigantes buscam métodos para reduzir os riscos do esporte

Carlos Burle, que resgatou Maya Gabeira em Nazaré (Portugal), fala do esforço para tornar segura a modalidade mais perigosa do surfe

Silvio Nascimento
Carlos Burle surfando onda gigante em Nazaré, Portugal

Carlos Burle surfando onda gigante em Nazaré, Portugal (Jose Sena Goulao/EFE/VEJA)

O cameraman da rede de televisão portuguesa SIC, Pedro Gois, estava na praia do Norte, em Nazaré (Portugal), na segunda-feira dia 28 de outubro, e viu de perto a queda que a brasileira Maya Gabeira sofreu e o seu dramático resgate. Foram longos sete minutos de agonia entre o momento em que ela despencou de uma onda de mais de 20 metros de altura, caiu no mar, e foi retirada inerte das águas, sendo reanimada na areia. Durante a descrição daqueles momentos, Gois pede licença para uma observação: “Foi incrível a batalha de Carlos Burle (na foto abaixo), incansável no objetivo de encontrar Maya no meio daquele mar violento, e não desistir até conseguir levá-la dali.” Burle, de 46 anos, ajudou Maya a chegar ao ponto para melhor surfar aquela onda, puxando-a com um jet ski. Em seguida, acompanhou a descida, num procedimento padrão, caso fosse necessário um resgate.

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O surfe de ondas gigantes é um dos esportes mais perigosos do planeta, oferecendo riscos do mesmo grau quanto práticas radicais como o base jump (salto de pára-quedas de lugares como prédios e montanhas), o mergulho em cavernas, o alpinismo sem cordas de proteção, e o heli skiing (descida de esqui em montanhas em que só se chega de helicóptero). Desde que começou a ser praticado no início dos anos 1990, as ondas gigantes mataram quase uma dezena de profissionais - o mais recente foi o havaiano Sion Milosky, de 35 anos, por afogamento, em Mavericks, na Califórnia, em 2011. Na Fórmula 1, por exemplo, o último piloto a morrer na pista foi Ayrton Senna, em 1994.

Mesmo assim, com tamanho risco, há procedimentos que podem amenizar muito o pior que pode acontecer – cair da prancha no meio da onda e ser engolido –, e que salvaram a vida de Maya, reincidente nesta ocorrência: em 2011, ela também perdeu os sentidos após pegar uma onda no Taiti e foi resgatada inerte numa bancada de areia.

Burle conta que o pacote de itens que pode salvar um surfista é formado por uma boa preparação física e psicológica, treinamento específico, equipamentos de segurança e acima de tudo comunicação. A seguir, Burle, que no mesmo dia em que salvou Maya voltou ao mar e pode ter surfado a maior onda da história, estimada em mais de 30 metros, equivalente a um prédio de dez andares – a validação do tamanho só sai em abril –, explica a importância da prepração e de cada item usado para aumentar a segurança do surfista cada vez que ele pega uma onda dessas.

Surfe: o que ajuda a enfrentar as ondas gigantes

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Preparação física

Burle diz que o ideal é praticar com intensidade exercícios que ajudem a ter boas condições cardiovasculares, como tiros de corrida, para ganhar resistência e recuperação rápida. Também costuma fazer bicicleta e corrida.

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