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Sete passos para emplacar mais medalhas em 2016
Nos últimos Jogos Olímpicos, em Pequim, o Brasil só conseguiu quinze medalhas (Getty Images)
Como sede dos jogos de 2016, o Brasil está pré-classificado em todas as modalidades esportivas. Isso não é garantia de bons resultados. O país tem pela frente sete anos de esforços para ganhar músculos e sair-se bem na competição. É um belo desafio para quem já participou de dezessete Olimpíadas e, ao todo, ganhou 91 medalhas. Para ter uma idéia, só nos jogos de Pequim, no ano passado, a China conquistou cem medalhas. Ou seja, mesmo em esportes em que o Brasil tem mais representatividade, aqueles com os quais conseguiu se classificar em outras competições, o desempenho não é dos melhores. O futebol masculino, por exemplo, participou de dez Olimpíadas e ganhou cinco medalhas, nenhum ouro. Consultados por VEJA.com, treinadores, professores de educação física e consultores na área de esportes apontam sete medidas fundamentais para ajudar os competidores brasileiros a subir ao pódio mais vezes em 2016.
1. Estimular o esporte nas escolas, de forma consistente
A iniciação na vida esportiva deve começar na pré-escola. É nesse momento que as habilidades motoras básicas serão desenvolvidas. A especialização acontece na medida em que a criança ganha maturidade emocional e biológica, por volta dos 14 anos. A idade mínima para participar das Olimpíadas é 16 anos, mas nem sempre o jovem está psicologicamente pronto para competir. A educação física bem estruturada nas escolas é a base para o desenvolvimento de talentos, que, mais tarde, poderão vir a ser futuros atletas.
2. Estimular novos competidores por meio de bons exemplos
A figura do ídolo é importante para estimular os novos competidores. Na natação, Gustavo Borges serviu de inspiração para Cesar Cielo, que, por sua vez, pode influenciar a geração 2016. Para que consigam manter o ritmo, os atletas devem ter referências de quem consegue viver do esporte. Esses exemplos são fundamentais para mantê-los no treinamento sob a pressão de competir em uma Olimpíada.
3. Investir nas categorias de base
Para garantir um bom desempenho, as categorias de base precisarão de mais investimentos que outras. Alguns esportes já têm um trabalho bem estruturado, como o futebol masculino e o vôlei, que criaram uma base forte, revelaram talentos e conseguiram mantê-los em treinamento. A natação, por exemplo, apesar da boa participação nos jogos de Pequim e a conquista de um ouro e um bronze, ainda precisa ganhar músculos. É importante que os novos atletas não desistam do desafio por falta de condições. Os clubes privados têm papel importante neste momento.
4. Oferecer condições adequadas de treino
Abandonar a política do imediatismo e injetar recursos em projetos de longo prazo cria uma cultura no país para que a prática esportiva seja abraçada pela população. Muito do que foi construído para os jogos Pan-Americanos não ficou como legado para a cidade. Um exemplo é a pista de atletismo da Vila Olímpica do Mato Alto, na zona oeste do Rio, que está interditada. Os futuros competidores precisam de estrutura para treinar, com espaços e equipamentos adequados.
5. Promover mais competições para buscar talentos
Um Cesar Cielo não é descoberto da noite para o dia. Para encontrar talentos, não dá para dispensar o método. A principal estratégia é promover mais competições, onde os jovens possam ser observados e avaliados. Aos melhores, deve ser dedicado treinamento específico para os Jogos Olímpicos. Mais: é preciso investir e distribuir centros de excelência, como o de ginástica olímpica, de Curitiba. A fábrica de atletas, como é conhecido o centro de ginástica, funciona quase como um quartel. As melhores atletas só saem de lá para ir para casa ou para a escola e têm até hora certa para dormir. Recebem ainda orientação alimentar e treinam praticamente o dia todo. A presença deste tipo de estrutura em todas as regiões aumenta as possibilidades de capacitar os novos esportistas.
6. Promover o intercâmbio com atletas de outros países
Uma temporada no exterior pode auxiliar em uma melhora no desempenho. Lá, os atletas têm exemplos de esportistas superiores - e a oportunidade de competir até nos treinos e não só nas competições. Isso ajuda a aprimorar a parte técnica e o desempenho físico. Também estimula o envolvimento psicológico, a capacidade de superação. Em alguns esportes, como o judô, é possível fazer isso sem sair do país porque aqui há boas referências. Outros exigem que o atleta passe um tempo fora. Para o ciclismo, por exemplo, a Europa é o lugar ideal.
Trazer gente de fora para dar cursos e palestras é outro movimento importante, sobretudo para as modalidades em que o Brasil tem pouca representação. O contato com outros profissionais ajuda a capacitar. Foi o que aconteceu com a ginástica olímpica. A vinda de técnicos da Ucrânia, em 2001, ajudou a consolidar a seleção e as melhores ginastas passaram a treinar no Centro de Excelência de Ginástica Olímpica, em Curitiba.
7. Priorizar os esportes individuais
Não é possível resolver tudo em sete anos. Atualmente, há 33 esportes classificados como olímpicos e nem todos terão bons representantes brasileiros em 2016. Por isso, uma das principais medidas para atingir um número maior de medalhas é investir em esportes individuais. Enquanto o futebol pode trazer duas medalhas - feminino e masculino -, no atletismo são mais de quarenta possibilidades de subir ao pódio. Foi o que a China fez nos jogos de 2008. Como país-sede, emplacou cem medalhas, 37 a mais do que havia conquistado nos jogos de Atenas. Os esportes individuais representaram 73% das vitórias.
(*) Fontes consultadas: Katia Rúbio, professora da Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo; Mario Sérgio Andrade Silva, diretor técnico da assessoria esportiva Run & Fun; Miguel de Arruda, chefe do departamento de Cências do Esporte da Unicamp; e Ricardo Hirsch, diretor técnico da assessoria esportiva Personal Life.


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