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Real Madrid x Barcelona: nunca um clássico foi tão gigante

Sequência de quatro partidas entre os arqui-inimigos espanhóis já é momento histórico para o futebol. Nenhum duelo entre clubes rivais atingiu nível tão alto

Os times do Real Madrid e do Barcelona se reúnem no centro do gramado para respeitar um minuto de silêncio antes do início da partida

Os supertimes frente a frente, no último jogo realizado em Madri, há um ano (Giancarlo Lepiani/VEJA)

Com tantos torcedores dentro e fora da Espanha, os clubes lideram o ranking das equipes mais valiosas do planeta - o Real teve lucro bilionário

Reúna a seleção campeã da Europa e do mundo e divida seus jogadores em duas equipes. Pegue os dois melhores jogadores do planeta e coloque um em cada time. Complete as escalações com uma constelação de craques recrutados nos melhores campeonatos nacionais. Acrescente quase um século de história e tempere com uma rivalidade figadal, que ultrapassa as linhas do gramado e alcança até a esfera política. Dessa receita resulta o maior clássico do futebol mundial em todos os tempos. Em outras épocas, o jogo já teve mais ídolos e mais glórias. Mas nunca se viu um duelo tão espetacular entre dois clubes quanto o atual confronto entre Real Madrid e Barcelona.

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Nos embates entre agremiações de um mesmo país, alguns clássicos marcaram época, colocando frente a frente supertimes repletos de astros. No Brasil, por exemplo, as partidas entre Santos e Botafogo nos anos 1960 tinham Pelé comandando os paulistas e Garrincha à frente dos cariocas. Nunca houve, porém, uma história de grande inimizade entre os dois clubes alvinegros. Inter x Milan, Manchester United x Liverpool e Boca x River também tiveram períodos de grande brilho em suas históricas rivalidades. Nada que se aproximasse, no entanto, do tamanho e do peso do superduelo do riquíssimo Real de Cristiano Ronaldo contra o igualmente milionário Barça de Lionel Messi.

O superclássico em números

500 milhões de pessoas
assistiram ao Real x Barça na última vez em que os clubes jogaram na Liga dos Campeões, em 2002. Desta vez, a previsão é de audiência maior

32% dos espanhóis
são torcedores do Real, conforme pesquisa de 2007. O Barça tem a preferência de 25%
57,8 milhões de europeus
se dizem torcedores ou simpatizantes do Barça, segundo sondagem feita em 2010. O Real tem 31,3 milhões de torcedores ou fás no continente

No gramado, o superclássico espanhol reúne, além do português e do argentino - indiscutivelmente os melhores do mundo na atualidade -, os heróis da seleção que conquistou a Copa de 2010, na África do Sul. De um lado estão Casillas, Ramos e Alonso; do outro, Piqué, Puyol, Busquets, Xavi, Iniesta e Villa. Jogadores como Kaká, Benzema, Di María, Daniel Alves e Mascherano completam os elencos estrelados. Com tantos ídolos, o duelo ganha projeção internacional - torcedores espalhados por dezenas de países acompanharão os quatro confrontos entre as equipes num intervalo de apenas dezoito dias. Real e Barça têm fãs - e consumidores de seus produtos - no mundo inteiro.

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Bilionários - Com tantos torcedores dentro e fora da Espanha, os clubes lideram o ranking das equipes mais valiosas do planeta. Na lista divulgada em fevereiro pela consultoria Deloitte, o Real tornou-se o campeão pelo sexto ano consecutivo, com receita equivalente a 1 bilhão de reais na última temporada. O Barcelona fica logo atrás, com receita de 910 milhões de reais. O clube brasileiro que mais arrecadou em 2010, o Corinthians, não chegou nem aos 60 milhões na temporada. Com tanto dinheiro em caixa, Real e Barça também batem recordes de salários. Messi é foi o jogador mais bem pago do mundo em 2010, com 31 milhões de euros. Cristiano Ronaldo, claro, foi o segundo: 27,5 milhões.

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Não por coincidência, os dois arquirrivais dominam as listas recentes de melhores do mundo. Nos últimos dois anos, só jogadores em atividade pelo Real e pelo Barça foram indicados ao prêmio anual da Fifa (Messi foi o ganhador dos dois). Na seleção de melhores do ano da FIFPro, a associação mundial dos jogadores da Fifa, nada menos que oito dos onze integrantes do "time dos sonhos" de 2010 estão no superclássico espanhol. É muito difícil imaginar que essa conjunção de raros fatores possa voltar a se repetir um dia. Por tudo isso, assistir a qualquer um dos quatro jogos das próximas semanas significa acompanhar a história do futebol sendo escrita - em branco, azul e grená.

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