Por: Alexandre Salvador, de Sochi - Atualizado em

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Depois de tudo que se falou antes do início da Olimpíada de Inverno em Sochi, era de se esperar um primeiro dia de competições mais agitado, pelo menos no que diz respeito às reações contrárias dos atletas às leis locais que cerceiam os direitos de livre expressão dos homossexuais. Ainda não houve nenhuma manifestação contundente de um membro de uma delegação olímpica. Curiosamente, o único elemento dentro das arenas remotamente parecido com uma bandeira de arco-íris, símbolo da luta pelos direitos LGBT, é o chamativo uniforme dos voluntários dos Jogos.

Enquanto isso, do lado de fora, diversos protestos ocorreram em cidades russas. Na sexta-feira, 19 pessoas foram presas na Praça Vermelha, um dos principais pontos turísticos de Moscou, enquanto aguardavam a contagem regressiva para o início da cerimônia de abertura. Foram registradas detenções também em São Petersburgo e em Nalchik, cidade ao sul da região do Cáucaso. Nos arredores do parque olímpico, porém, apenas dois manifestantes acabaram presos, mas por protestarem contra os supostos danos ambientais causados pelas construções olímpicas.

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Sem entrarem diretamente no mérito, pelo medo de represálias, alguns atletas se pronunciaram sobre a postura tímida, justificando-a como uma forma de não atrapalhar a preparação para as provas. "Eu imagino que as pessoas se sentirão um pouco mais confortáveis para falar o que pensam depois que tirarem sua principal tarefa da frente", disse a patinadora artística americana Ashley Wagner, que confirmou que os participantes tem discutido o assunto internamente.

Se os atletas não querem falar antes da competição acabar (ou foram orientados a não fazê-lo), existem outros personagens se manifestando. Patrocinadores do comitê olímpico americano, entre eles a empresa de telecomunicações AT&T, pronunciaram sem ressalvas seu repúdio em relação legislação russa. Sem alarde, dois respeitados veículos internacionais mudaram as cores de sua logomarca como forma de protesto: o jornal inglês The Independent e o portal de notícias Huffington Post. Ontem, ao celebrar o início da Olimpíada de Inverno, o Google também expôs seu ponto de vista sobre a questão em sua página principal.

Dois pesos, duas medidas - Manifestar-se a favor dos direitos LGBT é crime na Rússia. Expressar preconceito, aparentemente, não. A revista americana Sports Illustrated flagrou, em plena luz do meio-dia, duas placas empunhadas por protestantes com dizeres homofóbicos bem em frente ao terminal ferroviário de Sochi. O local é simplesmente o principal ponto de acesso da Olimpíada de 2014, com um dos maiores contingentes de policiais da cidade. Uma delas, escrita em inglês, dizia que "sexo homo é pecado". A outra, grafada em russo, fazia um agradecimento ao presidente da Rússia, Vladimir Putin: "Deus abeçoe Putin porque ele é contra o pecado da sodomia. E Deus acredita que é nojento".

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