Esporte
Rio 2016
Planos olímpicos de jovens atletas incluem estudar menos e treinar mais
(Getty Images)
Quem não sonha com uma Olimpíada? Imagina então ser campeã no Maracanãzinho, na frente da minha família, dos meus amigos e da minha torcida. Isso é mais do que um sonho. É assim que a paulista Samara Almeida, de 17 anos, descreve a expectativa diante da definição do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Em julho, Samara foi eleita a melhor jogadora do Mundial de Vôlei infanto-juvenil, na Tailândia. A atleta tem total convicção de suas prioridades. Por causa da Olimpíada, decidiu deixar de lado os estudos. "Meu foco agora é treinar dobrado para chegar bem no profissional. Muitas jogadoras que têm uma boa carreira no juvenil desaparecem quando chegam ao profissional", diz. "Não posso pensar em outra coisa que não seja treinar e ganhar experiência. Vou terminar o terceiro colegial este ano e só. No ano que vem, farei no máximo um curso de inglês. Meu negócio é o vôlei."
Outros atletas ouvidos por VEJA.com estão mais motivados e já mudaram o planejamento do futuro, sobretudo em relação aos estudos e, obviamente, à força empregada nos treinos. "No ano que vem, entro no primeiro colegial, mas vou estudar à noite. Assim, consigo treinar no período da manhã e no período da tarde", calcula o corredor Rafael Santeramo, 16 anos, campeão brasileiro dos 1500 metros. O esforço de Rafael se explica pelo desafio de vencer a seletiva brasileira para os Jogos Olímpicos. Para todos os atletas que têm como meta participar da Olimpíada no Rio, chegar lá ficou relativamente mais fácil - como sede, o país está pré-classificado para todas as modalidades. Por outro lado, garantir um lugar na delegação significa desde já se entregar por completo ao objetivo de conquistar uma vaga. "Estou treinando mais forte, pois sei que todo dia é crucial para eu garantir minha presença no Rio de Janeiro", afirma Valdilene dos Santos Silva, 17 anos, campeã brasileira de atletismo juvenil e integrante de um projeto social do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo.
Esporte como prêmio - O adolescente Vitor Gonçalves, 12 anos, campeão paulista de natação infanto-juvenil, está mais confiante. "O sonho de disputar uma Olimpíada e marcar meu nome na história ficou mais próximo. Mas sei que será muito difícil, vou ter que me preparar muito se quiser estar lá", diz o nadador do Pinheiros. O pai do garoto, o empresário Vicente Gonçalves, garante que a prioridade é o estudo. "Sempre deixamos claro que em primeiro lugar vem o estudo e depois a natação. Ele treina forte há dois anos e ainda assim tem uma média muito boa na escola. Mas, como tem apenas 12 anos, ainda não sabemos muito do futuro. Ele diz que o sonho dele é disputar uma Olimpíada, então damos um tratamento todo especial para ele. Levamos em uma médica especializada em esportes, oferecemos equipamentos de primeira linha e alimentação especial. Posso dizer que, hoje, a natação é apenas um prêmio das boas notas dele."
De acordo com o treinador de natação do Minas Tênis Clube, Fernando Vanzella, é possível e aconselhável o atleta conciliar os estudos com o esporte. "O César Cielo trancou a faculdade há pouco tempo. Ele foi para os Estados Unidos para estudar e treinar, e se entregou bastante nos treinos para conseguir aumentar sua bolsa de estudos", diz Vanzella. "Ele se deu bem e hoje é campeão olímpico e mundial. Não existe nenhum motivo para largar os estudos agora. Mas é claro que o jovem vai ter que se dedicar o dobro para conseguir juntar os dois. É nesse momento, aliás, que se vê quem é fenômeno", afirma.





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