30/09/2009 - 20:21
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Olimpíada-2016

Jogos no Rio: depois de Copenhague, vem o desafio da organização

André Pontes
Lula chega a Copenhague, na Dinamarca.

Lula chega a Copenhague, na Dinamarca. (AFP)

Sediar uma Olimpíada é o que toda cidade gostaria. Ou não. De fato, se bem executada, a organização dos Jogos Olímpicos traz vários elementos positivos, como recursos para melhorar a região em termos de infraestrutura, turismo e geração de emprego. Esta é a expectativa dos entusiastas da candidatura do Rio de Janeiro para acomodar a competição de 2016. Em campanha vitaminada pela participação de políticos e personalidades, como o presidente Lula e Pelé, a cidade conquistou sua vaga e desbancou Chicago, Tóquio e Madri.

Existe o alerta para o risco de o espólio das Olimpíadas ser resumido a dívidas gigantescas e publicidade negativa para o país selecionado como endereço da competição. A euforia, no caso, daria lugar a uma espécie de depressão. Tome-se como exemplo as consequências positivas dos Jogos Olímpicos realizados em Barcelona (1992) e os resultados negativos de Atenas (2004). A primeira transformou-se no principal ponto turístico espanhol, saltando de dois para três milhões de visitantes ao ano. Já a capital grega amarga até hoje uma despesa de aproximadamente 800 milhões de dólares por ano em manutenção de suas arenas esportivas. De acordo com depoimentos colhidos por VEJA.com junto a especialistas em economia, urbanismo e turismo, para sair ganhando com os Jogos Olímpicos é essencial alinhar os projetos da cidade com os da competição.

"A competição proporciona recursos e apoio político para preparar a cidade, que, por sua vez, deve utilizá-los para melhorar o transporte público, revitalizar a região e resolver problemas de habitação", comenta a urbanista Denise Pinheiro Machado, professora do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O projeto carioca prevê um orçamento de mais de 14 bilhões de dólares - valor correspondente à soma dos gastos das outras três finalistas. Segundo a prefeitura fluminense, grande parte do dinheiro irá para transportes, revitalização da região do porto e desenvolvimento habitacional. "Estamos no caminho de Barcelona. É um projeto que valoriza os bens que a cidade possui", afirma o vice-prefeito do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Muniz. "E os investimentos contemplam a integração na cidade de áreas de comércio, escritórios e moradia", completa.

Um sonho antigo

Esta é a sétima vez que o Rio tenta organizar uma Olimpíada. Ao contrário das tentativas anteriores, agora a cidade tem chances reais de ser a escolhida. Saiba por que as candidaturas fracassaram
 
  • 1936

    O mito do americano Jesse Owens, que ganhou quatro medalhas de ouro em Berlim e calou Hitler, não seria o mesmo se o Rio tivesse êxito na primeira tentativa de sediar uma Olimpíada.

  • 1944

    A cidade novamente se credencia a receber os Jogos sem que o plano vá adiante. Marcada para 1944, a competição acaba sendo cancelada com o início da II Guerra Mundial.

  • 1948

    Os cariocas ressuscitam o desejo que nascera na década anterior, mas o Comitê Olímpico Internacional não abre sequer a eleição e escolhe Londres para promover os primeiros Jogos.

  • 1960

    Depois de novamente fazer planos, o Rio retira sua candidatura antes da votação. Roma (Itália) vence a disputa.

  • 2004

    Nem a campanha de 10 milhões de dólares deu jeito. Problemas sociais e ambientais, aliados à falta de experiência em organizar esse tipo de evento, derrubam mais um sonho.

  • 2012

    O Rio não passa pelo crivo técnico do COI e é eliminado logo na fase preliminar, com notas insuficientes em segurança, transporte, hotelaria e meio ambiente. Londres vence.

Fonte: VEJA Rio

 

O efeito positivo da Olimpíada começa no crescimento econômico do país antes mesmo do início da festa. Um dos principais fatores é o enorme gasto público e privado em obras, que consequentemente gera novas vagas de trabalho. Pelos cálculos dos organizadores brasileiros, serão criados cerca de 15 000 empregos fixos e outros 50 000 temporários. "Dependendo do modelo adotado, a região terá um impacto mais duradouro, como aconteceu na Espanha. Agora, se o projeto for pensado apenas para a construção, como foi nos Jogos Pan-Americanos de 2007, o impacto reduz bastante depois da Olimpíada", comenta o economista José Luiz Rossi, professor da Insper (ex-Ibmec SP).

Contras - Receber os Jogos Olímpicos é fundamental para dar ao município, se tudo correr bem, uma credencial de competência para sediar grandes eventos. Além disso, a região passa a ser o destino de milhões de pessoas durante e depois da competição. "A imprensa do mundo todo veiculará imagens da cidade, em todos os ângulos", diz Laura Umbelina Santi, diretora do curso de turismo da PUC-Campinas. "Você está no olho do furacão, em extrema exposição. As falhas serão destacadas e expostas ao mundo inteiro", completa.

Seguir o exemplo do Pan, com cronogramas atrasados e final de obra superfaturado seria um desastre, aponta a coordenadora do curso de turismo da Universidade de São Paulo, Débora Cordeiro Braga. O vice-prefeito garante que o Pan servirá como exemplo do que não deve ser feito. "O projeto do Pan foi desenvolvido com brigas entre prefeitura, governo estadual e federal, sem transparência. É evidente que isso gerou sequelas, mas aprendemos", afirma Muniz.

Cidades que ganharam com a Olimpíada

 

Cidade: Tóquio

País: Japão

Ano: 1964

O que aconteceu
A Olimpíada de Tóquio ajudou a conduzir o Japão ao posto de potência global. Os Jogos Olímpicos geraram empregos e trouxeram confiança para o país, que na época ainda tentava superar os prejuízos da Segunda Guerra Mundial. Em 1968, ele se torna a segunda maior economia do mundo e mergulha numa era de prosperidade que vai durar mais duas décadas.
 

Cidade: Seul

País: Coreia do Sul

Ano: 1988

Os Jogos Olímpicos ajudaram a promover a Coreia, ainda pouco popular no mundo. Também funcionaram como enorme impulso econômico ao gerar empregos.
 

Cidade: Barcelona

País: Espanha

Ano: 1992

Uma decadente área industrial e portuária foi transformada em badalado centro de lazer, gastronomia e turismo. De 1990 a 2000, a cidade catalã saltou de 2 milhões para 3 milhões de visitantes ao ano e ultrapassou Madri como o principal destino turístico espanhol. Nos seis anos anteriores aos Jogos, a taxa de desemprego caiu de 18% para 9%.
 

Cidade: Pequim

País: China

Ano: 2008

A China deixou o isolamento cultivado ao longo de 5.000 anos de história e assinalou a sua entrada na arena dos ricos e poderosos. Em sete anos, o país ergueu dezesseis complexos esportivos, reformou treze, construiu 87 quilômetros de linhas de metrô e ergueu o maior terminal de aeroporto do mundo. Na tentativa de melhorar a qualidade do ar, o governo gastou 20 bilhões de dólares em ações ambientais.

Cidades que perderam com a Olimpíada

 

Cidade: Sydney

País: Austrália

Ano: 2000

O que aconteceu
Foram construídas 25 sedes. Destas, apenas o Estádio Olímpico e o Centro Aquático foram aproveitados após os Jogos Olímpicos.Os demais locais de competição ficaram três anos abandonados antes que um projeto de salas comerciais finalmente movimentasse a região.
 

Cidade: Atenas

País: Grécia

Ano: 2004

A competição não promoveu revigoramento urbano - 21 dos 22 estádios e arenas esportivas estão esquecidos e sem atividade alguma. O governo local amarga uma despesa de aproximadamente 800 milhões de dólares por ano em manutenção.
  

Comentários


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wanderson tadeu de aguiar

bacana.o site me ajudou muito numa pesquisa para a facu(licenciatura em turismo)

15.08.2010

 

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