Copa do Mundo
Na Suíça, Aldo tenta convencer Fifa do que só ele acredita
Ministro que acha que atrasos nas obras da Copa são só 'impressão' se reúne com Blatter - que segue convicto de que o país está fora dos prazos para 2014
Bebeto, Blatter, Valcke, Ronaldo e Aldo posam para fotos num intervalo da reunião desta terça (Arnd Wiegmann/Reuters)
"Os jogos, a Copa, são da Fifa. Por isso, eles ficam sob tensão permanente. Nós temos obrigação de informar o que estamos fazendo e transmitir tranquilidade", disse o ministro antes do encontro
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, estão reunidos em Zurique nesta terça-feira para discutir os preparativos para a Copa do Mundo de 2014. A reunião começou logo no início da manhã (no horário de Zurique) e se estende até o fim da tarde. Por volta do meio-dia no horário de Brasília, Blatter e Aldo participam de uma entrevista coletiva. E só aí será possível descobrir quem teve melhor poder de persuasão no encontro. Isso porque Blatter e Aldo têm avaliações absolutamente opostas em relação às obras do Mundial. Nas últimas semanas, ambos falaram publicamente sobre o assunto - e a diferença entre os discursos é espantosa. Enquanto o ministro segue afirmando que o Brasil está cumprindo seus cronogramas e que os atrasos são só "impressão", a Fifa repete que o país precisa acelerar o ritmo dos trabalhos.
"O Brasil já fez coisas muito mais difíceis. Vamos agora nos atrapalhar com a Copa do Mundo? Não, pelo amor de Deus", afirmou Aldo Rebelo em audiência na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, no mês passado. Foi nessa mesma sessão que ele garantiu que o atraso nas obras não passa de percepção equivocada da própria população. Levantamento da ONG Contas Abertas, porém, mostra que as obras de mobilidade urbana e de expansão dos sistemas de transportes públicos, essenciais para a realização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, não saíram do lugar. Vários dos estádios em construção para o Mundial também têm obras fora dos prazos. No mês passado, após uma semana de inspeções, a Fifa e o Comitê Organizador da Copa chegaram à conclusão de que nenhum estádio estará 100% pronto já neste ano. No fim de 2011, Dilma Rousseff prometeu que nove arenas estariam concluídas no período.
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'Tranquilidade' - Blatter e seus auxiliares seguem dizendo abertamente que estão preocupados. Na semana passada, o presidente da Fifa voltou a falar em público sobre o assunto, durante visita ao Canadá. Ele afirmou esperar que os atrasos nas obras sejam compensados assim que possível. Na segunda-feira, véspera da reunião em Zurique, o ministro do Esporte se disse convicto de que Blatter sairá do encontro desta terça muito mais calmo em relação à Copa. "Vamos apresentar uma informação detalhada sobre o andamento da preparação dos jogos, tanto dos doze estádios, como das outras obras, de aeroportos, de transporte, de segurança. Acho que isso vai dar uma certa tranquilidade para a Fifa e para os organizadores quanto às providências adotadas pelo Brasil", garantiu. Além de Aldo, estão na reunião o presidente da CBF e do Comitê Organizador Local, José Maria Marin, o representante brasileiro no Comitê Executivo da Fifa, Marco Polo Del Nero, e os ex-jogadores Ronaldo e Bebeto.
Também estará na reunião o secretário-geral da Fifa Jérôme Valcke. O encontro é o primeiro entre Rebelo e o secretário-geral desde que o francês afirmou que o Brasil merecia um "chute no traseiro" por conta da lentidão nas obras para a Copa. Na ocasião, o ministro rebateu pedindo que a Fifa tirasse do francês a função de interlocutor, algo negado pela entidade. Depois, Valcke pediu desculpas e o governo brasileiro aceitou. Depois de tanta confusão, Rebelo embarcou para a Suíça com a missão de provar tanto a Valcke como a Blatter, numa conversa frente a frente, que a Fifa - preocupada principalmente com as obras de infraestrutura, boa parte delas com o cronograma bastante atrasado - não tem motivos para temer. "Os jogos, a Copa, são da Fifa. Por isso, eles ficam sob tensão permanente. Nós temos obrigação de informar o que estamos fazendo e transmitir tranquilidade e segurança quanto ao êxito da realização da Copa de 2014."
(Com Agência Estado)