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Futebol

Romário - cheio de rolos - é convocado a ajudar a seleção

Presidente da CBF, José Maria Marin, quer que o deputado ajude a seleção por ser 'credor do respeito, da admiração e da gratidão' do povo brasileiro

José Maria Marin, presidente da CBF, e o deputado Romário: Paz

José Maria Marin, presidente da CBF, e o deputado Romário: Paz (Sérgio Lima/Folhapress/VEJA)

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, convocou o deputado federal Romário para ajudar a seleção brasileira durante os Jogos Olímpicos de Londres 2012 e da Copa do Mundo do Brasil em 2014. Marin visitou nessa quarta-feira a Câmara do Deputados, em Brasília, e disse que espera contar com o ex-jogador. “A presença dele já é uma grande contribuição, porque ainda é uma atração nacional. O Romário tem muito crédito no futebol brasileiro. É credor do respeito, da admiração e da gratidão do povo brasileiro.”

Os rolos de Romário

Maio de 1994 Seu pai, Edevair, é sequestrado e é pedido resgate de 7 milhões de dólares. Romário recorre até a amigos traficantes do Rio para localizar o pai - liberado seis dias depois sem pagamento do resgate. A polícia recebeu denúncias de que tanto o pai quanto o irmão de Romário estavam envolvidos no tal sequestro.
Junho de 1994 Chegada da seleção campeã ao Brasil - Copa dos Estados Unidos. Comissão técnica e jogadores passam pela alfândega, sem revista nem declaração de bens, com 17 toneladas de bagagem. A de Romário junto, claro.
Novembro de 1998 Zagallo e Zico entram com uma ação judicial contra Romário porque na porta dos banheiros do Café do Gol, de sua propriedade, havia uma caricatura de Zico em que ele aparecia segurando um rolo de papel higiênico e, em outro desenho, o Velho Lobo aparecia sentado num vaso sanitário.
Julho de 1999 Despejou a tia Joselina Santana pelo não pagamento do aluguel de 250 reais do apartamento no seu prédio de três andares, em que instalou parentes que viviam na favela do Jacarezinho.
Outubro de 1999 Autuado pela Receita Federal – juntamente com Ronaldo Fenômeno e Vanderlei Luxemburgo - por não recolher impostos.
Maio de 2000 Denunciado pelo MPF por sonegação de impostos nos 5 anos em que morou na Europa.
Setembro de 2002 Agrediu com um tapa na cara um companheiro do Fluminense, o zagueiro Andrei, num jogo em que o São Paulo venceu por 6 a 0, no Morumbi.
Outubro de 2003 Agrediu um torcedor do Fluminense durante um treino. Ricardo Gomes atirou galinhas para o campo e Romário subiu às arquibancadas acompanhado de seu fisioterapeuta e desferiu socos e pontapés no torcedor.
Agosto de 2005 Romário, Jorginho e Júlio Cesar são investigados por serem flagrados em confraternizações com traficantes cariocas e por aparecerem em gravações telefônicas dos criminosos.
Setembro de 2007 Romário fez parte do time escalado pela CBF que foi a Zurique (Suíça) para o anúncio do Brasil como sede da Copa de 2014.
Julho de 2009 Passou 22 horas preso por não pagar três meses de pensão alimentícia à ex-mulher, Mônica Santoro. Depois de passar a noite em cana, foi levado para uma audiência de conciliação. Chegou lá com o comprovante do depósito na conta da ex-mulher. Foi a segunda prisão – a primeira foi em 2004 e ficou seis horas detido.
Julho de 2009 A Justiça solicitou o bloqueio de suas contas para pagar uma indenização a Zagallo em ação movida em 1998.
Julho de 2009 Começou a ser investigado por ser suspeito de envolvimento no golpe conhecido como pirâmide. O esquema incluía jogadores de futebol, policiais, bicheiros e pagodeiros e teria causado prejuízos de 10 milhões de reais. Negou implicação no caso, mas conhecia dois integrantes do esquema.
Dezembro de 2009 A cobertura na Barra da Tijuca onde vivia com a família foi lacrada por oficiais de Justiça. O imóvel foi leiloado judicialmente em agosto, por 8 milhões de reais, para pagamento de dívidas de condomínio, reformas e IPTU.
Maio de 2010 Romário teve de prestar depoimento à PF para esclarecer a construção de uma casa dentro de área de proteção ambiental em Angra dos Reis.
Março de 2011 Foi indiciado pela PF em inquérito que apura crimes ambientais em Angra dos Reis. Segundo a investigação, Romário comprou lotes de terra na região e usou dinamite para remover a pedreira de uma encosta, o que é proibido.
Junho de 2011 Contratou um advogado para tentar encerrar suas encrencas (rolos com ex-mulheres, com seus imóveis, etc.): Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, dono de uma das maiores bancadas de clientes do Congresso.
Julho de 2011 Teve a carteira de motorista suspensa por cinco dias porque se recusou a submeter-se ao teste do bafômetro, no Rio, ao ser parado numa blitz. Romário também foi multado. Foi a segunda vez que isso ocorreu – a primeira foi em 2007.

Romário concordou em participar fora de campo da campanha brasileira nas competições e cobrou de Marin mudanças na CBF. “É preciso definir qual o período em que o presidente estará diante da entidade, três ou quatro anos. Na minha opinião, ele teria até dois mandatos. Acredito que a CBF hoje está em melhores mãos do que eu imaginava quando o presidente Marin assumiu.” Ricardo Teixeira renunciou em 12 de março.

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Marin preside o Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014 e participou da audiência pública na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara acompanhado do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, e do diretor executivo de operações do COL, Ricardo Trade. Os parlamentares pediram a Marin atenção às estruturas para a Copa e em relação à administração esportiva no país.

O ex-relator da Lei Geral da Copa Vicente Cândido, disse que é preciso mudar a gestão nos clubes. “É o momento de fazer política para o futebol: trabalhar o fortalecimento econômico dos clubes, revitalizar a Timemania, promover a transparência na gestão dos clubes para que sejam beneficiários de verbas públicas e trabalhar o fundo de previdência para os atletas.”
 


O que Romário pode fazer - na prática - pela Copa de 2014

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Abrir o baú da Copa

Romário pode usar seu acesso privilegiado às informações da gestão pública para obter dados referentes aos gastos do Mundial. Em meados do ano passado, ele já pediu ao Ministério do Esporte as cópias dos documentos referentes às obras para 2014. A tentativa de divulgação de dados, no entanto, não avançou. Obter números e prazos dos contratos públicos e revelar publicamente as distorções dessas despesas seria uma contribuição preciosa de Romário ao seu eleitorado.


(Com agência Gazeta Press)

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