Mais Lidas

  1. Polícia pede a prisão de quatro suspeitos de estupro coletivo no Rio

    Brasil

    Polícia pede a prisão de quatro suspeitos de estupro coletivo no Rio

  2. Pedro Corrêa faz relato contundente de envolvimento de Lula no petrolão

    Brasil

    Pedro Corrêa faz relato contundente de envolvimento de Lula no...

  3. Polícia tenta identificar bandidos que praticaram estupro coletivo em favela do Rio de Janeiro

    Brasil

    Polícia tenta identificar bandidos que praticaram estupro coletivo...

  4. China cria ônibus que 'passa por cima' de engarrafamentos

    Economia

    China cria ônibus que 'passa por cima' de engarrafamentos

  5. OAB divulga nota em repúdio a estupro coletivo de jovem de 16 anos no Rio

    Brasil

    OAB divulga nota em repúdio a estupro coletivo de jovem de 16 anos...

  6. Família de Johnny Depp 'odiava' Amber Heard

    Entretenimento

    Família de Johnny Depp 'odiava' Amber Heard

  7. Alexandre de Moraes: 'Todos serão investigados'

    Brasil

    Alexandre de Moraes: 'Todos serão investigados'

  8. Bolsa Família perdeu R$ 2,6 bilhões com fraudes

    Brasil

    Bolsa Família perdeu R$ 2,6 bilhões com fraudes

De olho no voto, governo tenta esvaziar protestos na Copa

Temendo influência negativa na campanha, Dilma escala Gilberto Carvalho para viajar às sedes e convencer movimentos sociais a não aderir às manifestações

- Atualizado em

O ministro Gilberto Carvalho: diálogo com movimentos sociais, de olho na Copa
O ministro Gilberto Carvalho: diálogo com movimentos sociais, de olho na Copa(Pedro Ladeira/Folhapress/VEJA)

Os auxiliares de Dilma acreditam também que a enorme maioria da população entrará no clima de euforia da Copa quando a bola começar a rolar. É por isso que a posição dos movimentos sociais é considerada tão importante pelo governo

Muitos dos protestos violentos ocorridos no país nos últimos meses foram liderados por grupos de militantes que contam com apoio oficial. No governo federal, a interlocução com esses movimentos sociais está a cargo de Gilberto Carvalho, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Sua pasta tem até uma subsecretaria dedicada ao diálogo com esses grupos. Em fevereiro, depois que o MST promoveu um quebra-quebra na Praça dos Três Poderes, em Brasília, o ministro saiu em defesa do grupo, de quem é um dos principais interlocutores. Disse que o movimento responsável pelo confronto que feriu mais de vinte policiais continuaria a receber o apoio financeiro de estatais (BNDES, Caixa e Petrobras estão entre seus patrocinadores) e, no dia seguinte, compareceu a um seminário do MST na capital. Nesta semana, no entanto, o ministro que apoia alguns dos grupos mais incendiários do país terá de atuar como bombeiro. Preocupado com as eleições de outubro, o governo quer evitar que a Copa do Mundo seja marcada por uma nova onda de protestos violentos. E a tarefa de esvaziar essas manifestações e reduzir a oposição dos movimentos sociais foi entregue justamente a Gilberto Carvalho.

Leia também:

​No 1º de abril, relembre as grandes mentiras sobre a Copa

Fifa teme que erros do Brasil prejudiquem próximas Copas​

Novos gastos elevam o custo da Copa para quase R$ 10 bi

Brasil, 100 dias para a Copa do Mundo. Sem dias a perder

Para 9 entre 10 torcedores, Copa deixará imagem negativa

O governo já vinha dando sinais de preocupação com a imagem negativa do evento entre a população. O que mais alarma o Planalto é a possibilidade de a Copa servir de palco para novas cenas de convulsão social, repetindo a onda incontrolável de protestos de junho de 2013. Com a queda na avaliação da presidente Dilma Rousseff, aferida na semana passada pelo Ibope, a avaliação é de que o Mundial será determinante para a imagem do governo quando a campanha começar de vez. Dentro desse contexto, o melhor cenário possível é a realização de uma Copa tranquila, sem sobressaltos - e, de preferência, com vitória da seleção brasileira, estimulando um clima de euforia nacional. Como o desempenho da equipe de Luiz Felipe Scolari foge ao controle de Dilma, resta ao governo tentar abafar a mobilização popular em torno do evento, esvaziando os protestos previstos para junho e julho. Depois das campanhas desenvolvidas pelos marqueteiros do governo, a estratégia será reforçada a partir desta quarta-feira, quando Carvalho inicia um giro pelas cidades-sede, numa espécie de turnê promocional da Copa.

Promessas - Ao contrário de outros eventos similares promovidos por órgãos como a Embratur e o Ministério do Esporte, Carvalho não terá como interlocutores empresários e autoridades, mas sim movimentos sociais, sindicalistas e líderes comunitários - justamente os grupos que, na avaliação do governo, podem ser convencidos a desistir da adesão aos protestos que miram os gastos excessivos com a Copa. A primeira escala é Manaus, palco de quatro partidas do Mundial, onde boa parte da população mostra incômodo com o projeto local para o torneio. A cidade ganhou um novíssimo estádio, mas os avanços prometidos em setores como o de mobilidade urbana ficaram muito longe do que era prometido. O evento, que o Planalto chamou de "Diálogo Governo-Sociedade Civil: Copa-2014", acontece no início da tarde. Antes do embarque rumo ao Amazonas, Carvalho afiou seus argumentos em defesa da Copa com a assistência dos ministros do Esporte, Aldo Rebelo, e Thomas Traumann, da Comunicação Social. As datas das próximas paradas não foram divulgadas, mas Carvalho viajará a todas as onze sedes, além de realizar uma reunião na própria capital federal.

O objetivo declarado dos encontros com os movimentos sociais é "esclarecer a população sobre as iniciativas e ações da Copa", tentando convencê-los de que os investimentos feitos para o torneio foram acertados e que haverá benefícios diretos aos moradores das cidades-sede. Carvalho reuniu os números dos projetos de ampliação dos aeroportos, dos gastos em infraestrutura urbana e outras empreitadas similares. O Planalto também deverá argumentar que o Brasil criou novos empregos em função do evento e receberá grande fluxo de visitantes, aumentando as receitas do setor turístico. O governo acredita que os protestos nas ruas durante a Copa são inevitáveis, mas acha que é possível esvaziá-los se conseguir exibir os aspectos positivos da realização do torneio. Os auxiliares de Dilma acreditam também que a enorme maioria da população entrará no clima de euforia da Copa quando a bola começar a rolar. É por isso que a posição dos movimentos sociais é considerada tão importante pelo governo. Sem a adesão desses grupos às passeatas que contestam os gastos com o Mundial, o Planalto acha que as manifestações serão pequenas e isoladas - e, portanto, pouco prejudiciais às intenções de voto de Dilma.

O que ficou só na promessa para o Mundial

Campanhas para a Copa: o ufanismo oficial

Pesquisa VEJA: o brasileiro e a Copa-2014

TAGs:
Seleção Brasileira de Futebol
Copa do Mundo
Gilberto Carvalho
Protestos