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Caxirola vira mico - e Brown pode perder jogada bilionária

Protesto logo na estreia do instrumento inventado pelo cantor baiano ameaça tirar o objeto da Copa. Brown e seus sócios pretendiam vender 50 milhões de chocalhos de plástico a 29,90 reais cada - um negócio de quase R$ 1,5 bilhão

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Antes do duelo entre Bahia e Vitória, o público baiano teve de encarar uma aula com Carlinhos Brown. Cercado de dezenas de percussionistas, o cantor mostrou como usar o instrumento para torcer. Pelo visto, pouca gente prestou atenção

Carlinhos Brown já é especialista num inusitado fenômeno: a chuva de objetos de plástico. Em 2001, o cantor baiano foi alvo de uma tempestade de garrafas ao cantar A Namorada no Rock in Rio. Mas quando viu a torcida do Bahia arremessando suas caxirolas no gramado da Arena Fonte Nova, em Salvador, no fim de semana, Brown deve ter ficado ainda mais preocupado. Afinal, a manifestação hostil logo na estreia do objeto, escolhido pelo governo para ser o instrumento oficial da Copa do Mundo no Brasil, colocava em risco um negócio de quase 1,5 bilhão de reais. É essa a receita pretendida pelo cantor e seus sócios com a fabricação do produto, cujo preço previsto é de 29,90 reais. Vender até 50 milhões de chocalhos de plástico por esse valor, como os parceiros sonhavam, seria difícil. Brown, porém, apostava na febre da Copa para garantir o sucesso do produto. A chuva de caxirolas de domingo colocou em dúvida a segurança do instrumento, que pode ser usado para atingir os jogadores nas novas arenas brasileiras. Nos estádios do Mundial, não há grades nem alambrados separando o campo da torcida. Além disso, a distância do público para o gramado é muito menor. De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, a estreia da caxirola alarmou o Comitê Organizador Local da Copa. Agora, o COL e a Fifa sinalizam com a possibilidade de excluir o instrumento da lista de objetos permitidos nos estádios do Mundial.

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Leia também: Na Salvador de Brown, chovem caxirolas em evento-teste

O temor se deve principalmente à falta de ligação e costume do torcedor brasileiro com o instrumento, um projeto pessoal de Brown que mirava justamente a Copa (e os possíveis lucros decorrentes da presença de torcedores no mundo todo no país). Ao contrário da vuvuzela, que atazanou os visitantes no Mundial de 2010, na África do Sul, a caxirola é uma invenção artificial para o evento - usar um chocalho para torcer é tão exótico para um brasileiro quanto entrar num estádio vestindo terno e gravata. No caso africano, a Fifa cedeu aos apelos dos torcedores locais e permitiu que a vuvuzela, que já tinha décadas de tradição, fosse usada em todas as partidas da Copa. Caso perca a boquinha nos estádios do torneio, Brown verá o lucro da empreitada despencar. O cantor e seus parceiros comerciais não revelam quais serão os porcentuais de cada um no negócio. Brown patenteou a invenção - apesar de o instrumento ser basicamente igual ao caxixi, o chocalho de palha que acompanha o berimbau. A fabricação e distribuição ficou com uma multinacional chamada The Marketing Store. O plástico é produzido pela Braskem. Elas não revelam quanto Brown receberá de royalties pelo produto, que já está chegando às grandes redes varejistas e lojas de material esportivo. A semelhança com o caxixi é reforçada pelo fato de o plástico imitar a textura da palha. Dentro da caxirola, no lugar das sementes que fazem barulho no caxixi, há grãos de plástico.

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Ao vender a ideia ao governo e à Fifa, Carlinhos Brown garantiu que o objeto era à prova de vandalismo, já que o instrumento é bastante leve. Ainda assim, os torcedores baianos não tiveram a menor dificuldade em acertar o gramado com a caxirola (que, no evento-teste da Arena Fonte Nova, foi distribuída gratuitamente à torcida). Antes do duelo entre Bahia e Vitória, o público baiano teve de encarar uma aula com Carlinhos Brown. Cercado de dezenas de percussionistas, o cantor mostrou como usar o instrumento para torcer. Pelo visto, pouca gente prestou atenção - a participação da caxirola no clássico só foi notada quando as primeiras delas começaram a atingir o gramado. Muito elogiada pela presidente Dilma Rousseff - que, na semana passada, tocou caxirola ao lado de Brown e disse que o instrumento "tem um sentido transcendental de cura" -, ela já preocupa os estrangeiros que se preparam para visitar o Brasil na Copa do ano que vem. Em artigo publicado no site do diário britânico The Guardian, o jornalista John Crace pede aos brasileiros que deixem de lado a novidade apresentada pelo cantor e chancelada pelo Ministério do Esporte. "Mal posso esperar", ironizou o colunista sobre a perspectiva de assistir às partidas da Copa com o barulho dos chocalhos de Brown. "Se você achava que as vuvuzelas eram ruins, espere só até ouvir as caxirolas", reclama Crace.

Brown, a caxirola, Dilma e a torcida do Bahia

Leia na coluna do Augusto Nunes:

O instrumento caiu nas graças da presidente Dilma Rousseff, entusiasmou a ministra da Cultura, Marta Suplicy, recebeu a chancela do Ministério do Esporte e saiu de Brasília pronta para fazer bonito na Copa de 2014. O clima de otimismo foi fortemente abalado no domingo. Impressionados com a chuva de caxirolas, milhares de brasileiros multiplicaram na internet a mesma especulação: imagina na Copa. E se o time brasileiro estiver perdendo? E se os craques de Felipão pisarem na bola? Não é difícil imaginar como será.

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