Por que Mano Menezes pode cair antes do Mundial de 2014
O desempenho da seleção vem decepcionando. Seu time tem obstáculos duríssimos pela frente
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Amistosos nada amigos
Em 2012, a seleção fará amistosos difíceis. Antes mesmo da Olimpíada, terá pela frente Dinamarca, México, Estados Unidos e a Argentina de Messi. Depois dos Jogos, pega a Suécia de Ibrahimovic, fora de casa. Sob seu comando, a seleção foi mal quando jogou contra grandes equipes - apanhou de Alemanha, França e Argentina, e só venceu uma campeã mundial uma vez, num torneio amistoso em que brasileiros e argentinos não puderam convocar quem joga na Europa. Mano diz que é assim mesmo que quer trabalhar, sendo exigido por equipes fortes. Mas se não conseguiu vencer Venezuela e Paraguai – duas vezes – na Copa América, é bom começar a preparar o discurso para eventuais derrotas...
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Amistosos nada amigos
Em 2012, a seleção fará amistosos difíceis. Antes mesmo da Olimpíada, terá pela frente Dinamarca, México, Estados Unidos e a Argentina de Messi. Depois dos Jogos, pega a Suécia de Ibrahimovic, fora de casa. Sob seu comando, a seleção foi mal quando jogou contra grandes equipes - apanhou de Alemanha, França e Argentina, e só venceu uma campeã mundial uma vez, num torneio amistoso em que brasileiros e argentinos não puderam convocar quem joga na Europa. Mano diz que é assim mesmo que quer trabalhar, sendo exigido por equipes fortes. Mas se não conseguiu vencer Venezuela e Paraguai – duas vezes – na Copa América, é bom começar a preparar o discurso para eventuais derrotas...
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Responsabilidade nos jovens
Os dois jogadores apontados para resgatar o DNA ofensivo do futebol brasileiro com passes geniais e gols pirotécnicos têm apenas 20 e 22 anos e ainda jogam no Santos. Neymar, o mais novo, foi eleito para resolver os jogos passando pelos zagueiros com dribles rápidos e chutes certeiros. O outro, camisa 10, Paulo Henrique Ganso, é o responsável por armar as jogadas de meio de campo e colocar o ataque para funcionar rapidamente. É inegável sua habilidade e visão de jogo, mas ainda sofre com a irregularidade. Resumo da ópera: as duas maiores esperanças brasileiras ainda são bem inexperientes em jogos internacionais, onde as marcações são bem diferentes das executadas nos campeonatos nacionais e sobram jogadores dedicados a irritar e provocar as estrelas do time.
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Renovação velha
Quando Dunga foi demitido da seleção brasileira, em julho de 2010, o projeto anunciado pela CBF era de renovação. Mano Menezes assumiu com o discurso de que o time precisava de mudanças e iria acompanhar o maior número de jogos possíveis para encontrar bons atletas. Um ano no comando da seleção e o treinador chegou a ter em campo oito jogadores que estavam na Copa de 2010, na África do Sul: Júlio Cesar, Lúcio, Thiago Silva, Maicon, Daniel Alves, Ramires, Elano e Robinho. A tal renovação de verdade se deu basicamente com três jogadores: Neymar, Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato - que agora já está quase fora dos planos, por causa de suas repetidas contusões.
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Outros candidatos na fila
Mano Menezes nunca foi unanimidade na seleção. A primeira opção de Ricardo Teixeira era Luiz Felipe Scolari, que deixou a equipe depois de ser campeão da Copa de 2002, na Coréia e Japão, e meio que descartou retomar o cargo já durante a Copa na África. Scolari está no Palmeiras e seu contrato vence em 2012. Chegou a afirmar que deseja treinar uma seleção no Mundial de 2014. Outro nome que ganha força é Muricy Ramalho, primeira opção de Ricardo Teixeira, que aceitou convite antes de Mano mas não foi liberado pelo Fluminense - time que levou ao título do campeonato nacional em 2010. No Santos, Muricy foi campeão paulista e conquistou a Libertadores da América em 2011. Entra forte numa corrida para comandar a seleção. E um treinador que sempre foi bem conceituado por Teixeira é Vanderlei Luxemburgo – que esteve na seleção entre 1998 e 2000.
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Falta de carisma
Mesmo quando consegue boas vitórias, Mano Menezes não costuma passar confiança nas entrevistas. Está sempre calmo, com a voz baixa, monocórdica, e é comum desviar o olhar ao enfrentar as perguntas dos jornalistas e chega a tartamudear de tanto escolher palavras. Ponto negativo para ele, não parece um treinador de pulso firme. Scolari, às vezes, passa dos limites com os jornalistas, mas mantém um ar de vencedor, brigador. Sai sempre em defesa do time, projeta bons resultados e cria um ambiente “família” Scolari. Há até a história de que impõe metas de vitórias a cada rodada. Muricy costuma discutir com quem fala mal de seus jogadores, não expõe os problemas da equipe, e o tom de voz, durante as partidas, é de quase grito. É firme em suas posições, não costuma ser chegado a brincadeiras e gosta muito de treinar e treinar. Mantém sempre postura de vencedor e tem currículo invejável. Luxemburgo já ganhou muitos títulos, não está em um momento de grandes conquistas mas trabalha com planejamento, e sempre tem algo em desenvolvimento para o próximo ano.
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A obsessão pelo ouro
Com a contagem regressiva para a Olimpíada de Londres, em 2012, surge uma dúvida: será que Mano, que demorou tanto a renovar sua seleção, conhece bem os jogadores jovens para tentar o título olímpico, que o Brasil nunca conquistou? A equipe que viajará à Grã-Bretanha deverá servir de base à seleção principal que disputará a Copa de 2014. Em caso de fracasso, é muito possível que Mano fique na corda bamba. O novo presidente da CBF, José Maria Marin, já deu a entender que o técnico pode ser demitido se não conquistar a medalha mais cobiçada pelos brasileiros.
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Posição vulnerável
Ainda que não tenha sido a primeira opção da CBF, Mano Menezes chegou ao cargo com prestígio, bancado por Ricardo Teixeira e pelo então presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, grande aliado do cartola. Desde então, além de ter decepcionado no comando do time, perdeu um trunfo importante - Teixeira caiu, e em seu lugar assumiu José Maria Marin, que jamais mostrou grande entusiasmo com o técnico. Para complicar, seu principal defensor, Andrés Sanchez, que tinha assumido o cargo de diretor de seleções antes da queda de Teixeira, também ficou fragilizado - e, sob risco de perder seu cargo, passou a criticar abertamente o treinador. Nem Marin nem Andrés dão garantia alguma de que Mano ficará no cargo até a Copa.