Esporte
Rio 2016
Aurélio Miguel, Gustavo Borges, Hortência e Maurren Maggi analisam chances do Brasil
VEJA.com conversou com quatro estrelas dos esportes, os medalhistas Aurélio Miguel (judô), Gustavo Borges (natação), Hortência (basquete) e Maurren Maggi (atletismo). A pergunta é a mesma para todos: o Brasil tem boas chances de conseguir medalhas? Confira a avaliação de cada um, para o respectivo esporte.
JUDÔ
Aurélio Miguel, ex-judoca, campeão olímpico (ouro em Seul, 1988; e bronze em Atlanta, 1996).
Com certeza vamos conseguir medalhas, mas vamos precisar trabalhar bastante, pois não temos uma base formadora de atletas, dependemos muito de fenômenos como os judocas Thiago Camilo e Katleyn Quadros. E não temos incentivo do governo. Os nossos atletas de destaque não saíram de nenhum centro de excelência, mas de instituições particulares. Não há um trabalho de federação no país, o que existe é um trabalho de atletas como o Camilo, Flavio Canto e Rogério Sampaio, que montaram academias. Para ter uma ideia, foi uma luta muito grande montar um tatame na arena olímpica do Ibirapuera, em São Paulo. Nós, ex-atletas, batalhamos por patrocínio e recursos. Só que tudo foi desmontado para o show do cantor Roberto Carlos. Com um tratamento assim, é difícil formar uma boa equipe.
NATAÇÃO
Gustavo Borges, ex-nadador e quatro vezes medalhista olímpico (prata em Barcelona, 1992; prata e bronze em Atlanta, 1996; e bronze em Sydney, 2000).
A natação brasileira vive sua melhor fase. Tivemos uma boa Olimpíada em 2004, mesmo sem subir ao pódio. Em 2008, o Cesar Cielo ganhou duas medalhas em Pequim. Em 2009, no mundial de natação, disputamos dezoito finais, com quatro medalhas, e consolidamos a boa fase. O processo é contínuo e a tendência é melhorar cada vez mais. Com certeza chegaremos bem em 2016. O Cielo, por exemplo, estará numa idade boa - 29 anos. Se mantiver esse nível, vai brigar por medalhas. Temos alguns clubes com excelentes estruturas e outros sem nada. O problema é que esses clubes são restritos aos grandes centros urbanos. É um erro. Para ter sucesso olímpico, nós temos que pensar num todo. No aspecto de educação, alimentação, saúde, local para treinar e profissionais capacitados. Só assim poderemos dar oportunidade para todos. Além disso, cabe às federações dar condições para que haja competição e chance para o atleta fazer um intercambio.
BASQUETE
Hortência, ex-jogadora de Basquete e medalhista olímpica (prata em Atlanta, 1996).
É difícil prever, mas faremos um bom papel. Acabamos de ganhar a Copa América, tanto no masculino quanto no feminino. A troca de presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) foi extremamente positiva e já está surtindo efeito. A tendência é melhorar. Estamos implementando um método de padronização de estilo de jogo. Agora, o basquete brasileiro será igual tanto no Rio Grande do Sul quanto no Amazonas. Montaremos escolas em todo o país e com isso vamos dar oportunidade para as crianças aprenderem a gostar do esporte. A ideia é fazer uma grande peneira e as melhores jogadoras irão para um centro de excelência. Além disso, estamos dando uma atenção especial para as garotas do sub - 15 - que deverão representar a gente no Rio 2016.
ATLETISMO
Maurren Maggi, campeã olímpica no salto em distancia (Pequim, 2008)
O nível do atletismo brasileiro, de uma maneira geral, tem melhorado. Temos cada vez mais atletas aparecendo no ranking mundial, o que é um primeiro passo para que surjam as chances de medalha. Em 2004, quando a Confederação definiu o Pan do Rio como meta do ciclo olímpico seguinte, nosso atletismo teve pela primeira vez a chance de fazer um trabalho de médio prazo, com objetivos e recursos. Isso nos levou ao melhor desempenho na história dos Panamericanos. Credito às estratégias de preparação, em grande parte, minha medalha na China. Com sete anos pela frente, acho que poderemos desenvolver uma geração muito competitiva para 2016. Em relação às bases, há bons trabalhos de formação, mas em quantidade ainda insuficiente para garantir a descoberta e o desenvolvimento dos talentos que temos no Brasil. Apoio um programa da Confederação que tem o objetivo de construir 500 corredores de salto em distância, no Brasil inteiro. Isso pode difundir bastante minha especialidade, e pode ser um primeiro passo para atrair mais praticantes. Em São Paulo, também apoio os programas sociais da Federação Paulista, que tem revelado muitos talentos.





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