Por: Giancarlo Lepiani, com fotos de Ivan Pacheco, de Porto Alegre - Atualizado em

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Com a experiência acumulada em dezenas de grandes competições, a Fifa sabe bem quantos imprevistos podem aparecer num estádio novo. Por melhor que seja seu projeto, só a frequência de público é capaz de revelar suas deficiências e apontar possíveis correções

Desde que as obras nos estádios brasileiros para a Copa do Mundo de 2014 foram aceleradas e começaram a se aproximar da conclusão, a Fifa mudou o foco na hora de tratar com os cartolas e autoridades do país. Se antes cobrava pressa na reforma e construção das arenas, agora o mantra da entidade é outro: estádio entregue não é estádio pronto para o evento. Com nada menos que catorze grandes estádios em obras - os doze das cidades-sede da Copa mais a Arena Palmeiras e o Morumbi, em São Paulo -, o Brasil vem sendo alertado sobre o abismo que separa a entrega das instalações e sua operação em ritmo normal, com tudo funcionando à perfeição e torcedores plenamente satisfeitos. Nas últimas semanas, desde que a Fifa decidiu confirmar as seis sedes propostas pelo Brasil para a Copa das Confederações do ano que vem, os dirigentes têm destacado que não adianta deixar os estádios prontos em junho, quando acontece o torneio. É preciso entregá-los pelo menos dois meses antes, período em que a Fifa colocará à prova todos os detalhes e particularidades de cada palco do Mundial. A nova Arena do Grêmio não está entre as doze escolhidas para 2014. Sua inauguração, porém, foi uma prova clara de que a entidade não está exagerando quando afirma que é necessário testar um estádio antes de colocá-lo para funcionar. A próxima arena da "geração 2014" a abrir as portas é o Castelão, em Fortaleza, na semana que vem. Ao contrário da festa gremista, não haverá bola rolando no primeiro evento do estádio cearense do Mundial - um show do cantor Fagner será usado para inaugurar o local.

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Com a experiência acumulada em dezenas de grandes competições, a Fifa sabe bem quantos imprevistos podem aparecer num estádio novo. Por melhor que seja seu projeto - como é o caso da arena de Porto Alegre, belíssima e extremamente bem planejada -, só a frequência de público é capaz de revelar suas deficiências e apontar possíveis correções. A inauguração da nova casa gremista, na noite de sábado, no bairro Humaitá, serviu justamente para isso. Além da festa do fanático torcedor gremista - e ela foi enorme -, houve o aprendizado, através do enfrentamento de situações inesperadas e do teste do poder de reação dos organizadores da festa. No caso do novo estádio da capital gaúcha, a avaliação é de que faltam correções em diversos pontos na trajetória do torcedor do momento em que se aproxima do estádio até a hora em que está sentado na sua cadeira para acompanhar o jogo. A experiência vivida durante a partida já é plenamente satisfatória. Faltam melhorias no acesso à arena, erguida numa região pouco desenvolvida de Porto Alegre, e portanto carente de infraestrutura viária capaz de suportar a demanda. Faltam também correções no atendimento ao torcedor, desde os banheiros - que ainda não operam em sua capacidade máxima e foram insuficientes no sábado - até as opções de consumo e alimentação, que não estão em pleno funcionamento. Apesar dos percalços, o torcedor já gostou de sua primeira noite na casa nova. A partir de agora, através de novos testes e melhorias, suas idas ao estádio deverão ficar melhores a cada visita.

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