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Edição do BBB12 ignora possível caso de estupro

Programa deste domingo lançou dúvidas sobre a postura de Monique ao mostrar a gaúcha rejeitando Daniel e depois correspondendo aos seus avanços – e, o que é grave, omitindo os minutos em que ela não reage às investidas do modelo sob o endredom. ‘O amor é lindo’, ainda arrematou Pedro Bial

Maria Carolina Maia
Monique, na manhã deste domingo: sem saber o que aconteceu de fato

Monique, na manhã deste domingo: sem saber o que aconteceu de fato (Reprodução/TV Globo/VEJA)

Se houve ou não abuso sexual no Big Brother Brasil 12, a Globo não viu. Ou fez que não viu. Durante todo o domingo, as redes sociais discutiram e compartilharam vídeos de mais de sete minutos em que a estudante gaúcha é agarrada pelo modelo paulista Daniel sob o edredom na casa do reality show. Os arquivos, retirados do Youtube devido a um acordo que a Globo mantém com o Google desde a novela Insensato Coração, mostram uma Monique estática, como se estivesse dormindo, a maior parte do tempo. Daniel, que não parou de se mexer por vários minutos sob a coberta, teria tirado proveito da estudante sem seu consentimento, afirmaram os usuários do Twitter, que pediram a saída do modelo do programa. Na edição que foi ao ar neste domingo, porém, nada disso foi mostrado. Nos poucos segundos do episódio exibidos, Monique corresponde à investida de Daniel. 

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Câmeras da casa tiram o foco de Monique e Daniel

A escolha das imagens de uma Monique em movimento foi seguida pela não menos polêmica exclamação de Pedro Bial, que entrou no ar na sequência, dizendo "O amor é lindo". O programa definitivamente ignorou a denúncia que percorreu a internet ao longo do dia. E, como para lançar dúvidas sobre a postura da estudante na cabeça de quem pediu a expulsão de Daniel, logo antes de levar ao ar a cena do edredom, mostrou a gaúcha rejeitando o modelo ao fim da festa, visivelmente embriagada. “Vamos dormir juntinho?”, ele convida, ao que ela responde: "Vou, não. Na boa, sai de perto de mim, cara".

Quem acompanhou o Fantástico provavelmente pressentiu que o caso seria deixado de lado pela edição do programa. Ali, ao ser chamado pela apresentadora Renata Ceribelli para anunciar o que estava por vir, Pedro Bial disse que estava "tudo legal" na casa do BBB. Contraditório, admitiu logo depois que haveria alguma tensão entre os brothers, mas a atribuiu à proximidade do primeiro paredão, que terminou com a indicação da gordinha sadô Analice pelo líder João Carvalho e da chatinha Jakeline pela casa – a mesma que ganhou torcida contrária já na estreia do reality. Não que a tensão tivesse outra fonte: apartados do mundo exterior, os participantes não acompanharam a repercussão que o possível estupro ganhou na web. Mas Bial não dedicou uma palavra ao assunto no Fantástico.

Já quem acompanhou o BBB12 pelo pay-per-view – pacote de TV paga que permite assistir ao confinamento 24h por dia – tinha certeza de que o tema seria reduzido ou abafado. O caso parece ter sido evitado pela ilha de edição do PPV, que mudava de câmera sempre que Monique ia contar a a alguém o que havia se passado no confessionário, para onde foi chamada após a denúncia do estupro tomar as redes sociais. Lá, segundo informou a assessoria de imprensa da Globo, a estudante foi questionada pela produção do programa sobre o que havia feito com Daniel e afirmou ter consentido na troca de carícias com o modelo. Questão resolvida, não fosse a gaúcha ter saído confusa da conversa com a produção, achando que não lembrava de tudo o que havia feito, e a assessoria da emissora não explicar se ela viu o vídeo em que aparece imóvel – aquele que frequentou o Youtube em diferentes arquivos no domingo – para confirmar se havia autorizado aquelas exatas carícias.

Assustada, ela procurou Daniel, que confirmou os amassos, mas não esclareceu se Monique estava consciente ou acordada durante todo o tempo. É claro que não se pode condenar o paulista sumariamente, mas é preciso averiguar bem, necessidade que, se foi satisfeita, a Globo não deixou transparecer. Com a sucessão de panos quentes jogadas sobre o tema ao longo do dia pela produção, é de se crer que também o diretor, Boninho, tenha ficado assustado com a dimensão do caso, e sem saber o que fazer. Se expulsasse Daniel, o caso poderia parar já na Justiça, rendendo publicidade negativa ao programa que acabou de começar e inibindo outros brothers à pegação, elemento que, como se sabe, é um dos pilares da audiência reality. Se mantivesse o modelo na casa, como fez, ficaria vulnerável a críticas e até a processos. Ambos os caminhos trazem riscos. Por ora, mantendo as coisas como estão, o programa ganha em interesse, que provavelmente se refletirá em audiência. Mas, quando Monique vier a saber da história toda, sem edição, ainda terá tempo para entrar com uma ação na Justiça contra Daniel. E até para se alvejar a Globo. 

Mas será tarde para um exame de corpo de delito, o que ameaça empurrar a verdade sobre o episódio para algo próximo à realidade do programa que é exibido nas noites da Globo – um reality show, enfim, como diz o nome.

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