Educação
Drogas nas escolas
Tradicionais palestras anti-drogas não funcionam
Thiago Marques Fidalgo (Arquivo pessoal)
As já tradicionais palestras sobre os danos das drogas à vida dos jovens são repletas de boas intenções, mas não funcionam. A afirmação é do psiquiatra Thiago Marques Fidalgo, membro do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em lugar delas, o especialista pede que escolas e professores fiquem abertos ao diálogo com os estudantes. "O fundamental é ter pessoas com vínculos afetivos ao lado do jovem para discutir, tirar dúvidas e conversar sobre o assunto", diz. "O professor sempre presente e aberto para o diálogo é muito mais efetivo do que o especialista e suas palestras." Confira a seguir os principais trechos da entrevista com o médico.
Existe um perfil do jovem que usa ou compra droga na escola?
Não podemos traçar um perfil específico desse tipo de jovem, mas sabemos que os chamados fatores de proteção envolvem qualidade de vida e saúde dos adolescentes. Isso significa dizer que praticar esportes, participar de um grupo religioso, ter um ambiente familiar estruturado, no qual há o apoio dos pais, e formar uma rede social bacana é fundamental para manter os jovens longe do uso abusivo de drogas. Na escola, ter educadores com quem os estudantes possam conversar abertamente também é muito importante para o fortalecimento dos fatores de proteção. Os jovens fora desse contexto, obviamente, estão mais inclinados ao uso de drogas.
É fato que a iniciação dos adolescentes no mundo das drogas se dá na escola?
Isso varia de acordo com a realidade de cada jovem. Em geral, o primeiro uso tende a se dar com os amigos e, nessa época, os amigos estão na escola. Por esse motivo, a escola tem papel central na prevenção do uso de drogas.
Quais são as facilidades para o uso no ambiente escolar?
É bom deixar claro que nem todo uso de drogas leva à dependência. Na maioria dos casos, os jovens querem o que é proibido, para testar seus limites, conhecer o corpo e suas reações e, mais do que isso, fazer parte de um grupo social. Como os jovens passam a maior parte do tempo na escola, seus amigos também são desse ambiente, e é com eles que vai se dar a primeira experiência com as drogas, na maioria dos casos. São os fatores de risco ou genéticos, porém, que determinam se o uso de drogas pode passar do estágio experimental para o problemático e dependente.
O que seria, então, o uso não problemático?
O uso de drogas pode se dividir em quatro padrões: experimental, quando se tem o primeiro contato com a substância química; ocasional, quando se faz uso da substância periodicamente; nocivo: quando a pessoa se expõe a situações de risco em consequência ao uso de droga; e dependente, quando a droga toma posição central na vida do usuário. A genética é um fator que conta muito na hora de avaliar a passagem do jovem pelos quatro padrões do uso de drogas, pois o metabolismo está intimamente ligado a como o organismo processa a droga. Obviamente, existem as substâncias com mais chances de dependência: a cocaína, o crack e a heroína, por exemplo. Mas ainda não é possível identificar qual adolescente vai perder o controle e chegar à dependência.
Quais são os métodos eficientes de prevenção do uso e venda de drogas nas escolas?
Conscientizar os estudantes sem necessariamente falar diretamente sobre drogas é uma das principais chaves para a prevenção. Além disso, incentivar a vida saudável, os cuidados com o corpo, a boa alimentação e a saúde bucal desde cedo contribuem para que a criança se torne um adolescente com consciência corporal e faz da escola um elemento confiável da rede social que está se criando em volta dela. As palestras com especialistas não funcionam, pois fornecer informação sobre os métodos de prevenção e riscos do uso abusivo das drogas não é mais o suficiente. O fundamental é ter pessoas com vínculos afetivos ao lado do jovem para discutir, tirar duvidas e conversar sobre o assunto. Na escola, o professor sempre presente e aberto para o diálogo é muito mais efetivo do que o especialista e suas palestras.
Como perceber que seu filho está envolvido com drogas enquanto está na escola?
Cada droga tem um efeito e isso pode ser diferente em cada organismo. Mas fique alerta para a mudança de comportamento e o desinteresse pela escola.
Como abordar o adolescente ao descobrir que ele está usando drogas?
O mais importante é a construção do diálogo em casa. Se a família oferece uma relação afetiva com o jovem, esse assunto vai surgir naturalmente. Caso haja suspeita do uso de drogas, vale conversar, questionar e fazer com que o jovem fale de seus problemas. Caso isso não aconteça, a mediação de um profissional - psiquiatra ou psicólogo - é fundamental. O segundo passo é procurar tratamento clínico, porque ninguém sai das drogas com força de vontade ou sozinho. Para isso, é necessário um trabalho em conjunto com o paciente, sua família e os profissionais envolvidos. Com o uso abusivo das drogas, o jovem perde sua rede social de confiança e o trabalho da recuperação é fazer com que ele a reconstrua de maneira saudável.







Comentários
Roselina
Eu concordo em partes referindo-se a fala do Drº Thiago Marques quando relata que a palestra não funciona,porém é fato que a considerada "Palestra tradicional", hoje um tantinho ultrapassada.Pois se tratando desse tema e do público jovem,hoje é exigido por parte do mediador muito mais que informações e orientações, ou seja t(..)
22.11.2011
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stenio
Discordo que palestras não funciona, porque o palestrante tem que esta preparado, não somente com informações acadêmicas, mas sim com a parte legal do uso e trafico de drogas licitas e ilícitas; lembrando ainda que os professores e os pais devem ser informados e trabalhados também.
13.10.2011
milton morato
É companheiro , pelo que vejo , vc está bem mal informado . Os jovens precisam sim de orientação e a dismistificação do tema droga , eles precisam sim de informação e principalmente a prevenção , seu mundo perfeito , aqui no brasil está fora de questão , desculepe, vá estudar um pouco mais para vc poder aparecer. abraço !
16.09.2011
edson carlos dos santos
estou entrando nesta área , ajudar jovens e adolescente a sair das drogas , e como trabalho na segurança pública do estado do Rio de Janeiro . gostei muito de sua palestra e gostaria se possível que o sr. podesse me auxiliar , seria muito grato.
20.06.2011
willy nunes de matos
Concordo com o colega otávio. Pelas respostas as perguntas feitas , vemos o perfil de um profissional sem conteúdo, sem argumento, falando que as palestras não funcionam. A prevenção parte de um conjunto de medidas, sociais, profissionais, familiares e até políticas que formam uma corrente, que em cada esfera tem o seu valor(..)
09.05.2011
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Eduardo
Referente à afirmação que as palestras não funcionam discordo plenamente. Sou palestrante dentro de minhas palestras tenho observado que a maioria dos jovens e adolescentes desconhecem muito acerca do assunto, e quando tenho transmitido a necessidades de buscar apoio com os professores há uma grande discordância. Professores(..)
21.09.2010
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Ótavio Araujo
Muito fraquinha materia sobre o assunto, respostas fracas
19.09.2010