22/09/2009 - 18:49
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Exclusivo VEJA.com | São Paulo

Governo paulista quer valorizar os melhores professores

Marina Dias
Paulo Renato Souza, secretário da Educação de São Paulo

Paulo Renato Souza, secretário da Educação de São Paulo (Divulgação)

Salários atraentes e valorização dos melhores professores. Com essa dupla de ataque o Estado de São Paulo pretende avançar no campo do desenvolvimento educacional. O reconhecimento por mérito parece no mínimo razoável, e já deu certo em vários países, sobretudo quando combinado a outras iniciativas como melhor infraestrutura e boa gestão escolar. No Brasil, não é uma regra. De acordo com o Programa de Valorização por Mérito, lançado pelo governo paulista no início de agosto, professores, diretores e supervisores poderão ter sua remuneração inicial multiplicada em até quatro vezes a partir de janeiro de 2011. Para isso, deverão cumprir regras de promoção e obter notas mínimas em uma avaliação aplicada anualmente pela Secretaria de Educação.

Hoje, o salário inicial dos professores de Educação Básica I (de primeira à quarta séries) corresponde a R$ 1.597,55 por mês e pode alcançar, no máximo, R$ 2.760,73. “A proposta é de que o salário chegue a R$ 5.429,45”, diz Paulo Renato Souza, secretário da Educação do Estado de São Paulo. “Isso vai depender somente do desempenho do professor.” Em entrevista a VEJA.com, o secretário explica como funcionará o programa e adianta a data da primeira prova.

Por que a decisão de lançar o Programa de Valorização por Mérito e mudar as regras de ajuste salarial dos professores em São Paulo?
Fizemos uma escala de salários de professores, diretores e supervisores do sistema de ensino público e notamos que, em todos os casos, a estrutura salarial é muito fechada. O maior problema não é o salário inicial, mas sim as possibilidades de crescimento durante a carreira. Depois de 25 ou 30 anos de serviço, o professor não consegue nem ao menos dobrar seu salário base e isso não é atraente para ninguém. Precisamos incentivar os jovens que estão escolhendo a profissão e mostrar que ser professor também pode ser atraente. Em segundo lugar, precisamos promover o aperfeiçoamento dos nossos profissionais e é por isso que devemos desenvolver uma carreira que valorize o esforço e o mérito desses professores.

Como funciona o sistema de aumento salarial hoje?
Atualmente, o aumento está vinculado à pontuação obtida pelos professores ao longo de suas carreiras. Esse sistema de pontos depende do tempo de serviço, dos cursos realizados pelos profissionais – e que nem sempre têm qualquer tipo de avaliação -, e de uma regra do estado chamada "sexta parte". Com ela, após 15 anos de serviço, uma bonificação é somada ao salário do funcionário. Essas são as regras normais de valorização da carreira e que continuarão a existir mesmo com o novo sistema.

Quais serão as diferenças implantadas com o Programa de Valorização por Mérito?
Haverá a possibilidade de dar saltos rápidos na carreira, ou seja, se o professor for promovido, ele receberá 25% de aumento sobre seu salário inicial. Teremos cinco faixas de promoção e, portanto, a possibilidade de quatro aumentos salariais durante a carreira. Para isso, estimularemos o aperfeiçoamento do professor, pois para passar de uma faixa para a outra, ele será submetido a um concurso de promoção, cujos critérios levarão em conta sua vida profissional - assiduidade e tempo de permanência na mesma escola - e o desempenho em uma prova de conhecimentos sobre a disciplina que ele leciona.

Quem desenvolverá a prova e quais serão seus critérios de avaliação?
A prova será desenvolvida e aplicada anualmente pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Exigiremos o conhecimento do conteúdo das disciplinas que cada professor leciona, além de métodos didáticos e utilização das novas tecnologias no processo de aprendizagem.

Quem pode fazer a prova e o que será necessário para a promoção?
Todos os professores, diretores, supervisores e professores temporários com, no mínimo, quatro anos de serviço podem fazer a prova. Para ingressar nesse novo sistema de carreira, é necessário que ele tire pelo menos nota 5 na primeira prova. A partir daí, conforme seu tempo de serviço, é necessário alcançar nota 6 para ir para a faixa salarial de número 2; nota 7 para a faixa 3 e assim sucessivamente, até a nota 9 para a faixa salarial de número 5 - R$ 6.270,78 para professores. Apesar do exame ser oferecido anualmente, cada professor poderá se promover apenas a cada três anos.

O desempenho dos alunos será levado em conta para o aumento salarial dos professores?
Não. É impossível estabelecer o desempenho dos alunos de cada professor anualmente. Essa é a questão prática. Agora, a questão filosófica: nós temos o bônus, que já avalia o desempenho das equipes nas escolas, ou seja, é um prêmio ao trabalho coletivo. Essa bonificação pode chegar a até 25% do salário a cada ano. Se o professor trabalha em uma escola que supera as metas todo ano, por exemplo, ele ganhará 25% a mais de seu salário anualmente. E isso vai ser mantido, mas não somará para a aposentadoria. Esse é o diferencial do plano de carreira: ser incorporado à aposentadoria.

Quantas vezes o professor poderá prestar a prova? Há outro tipo de limitação no novo sistema?
O professor só poderá ser promovido a cada três anos e há o limite de quatro promoções durante a sua carreira. Ele poderá, porém, prestar a prova anualmente, caso não tenha sucesso em todas as suas tentativas de promoção. Além disso, promoveremos a cada ano apenas 20% de cada faixa salarial. Isso será importante para tornar o plano viável e perene ao longo do tempo. Com esse limite, teremos um aumento de 5% na massa salarial dos professores a cada ano e o dinheiro para pagar essa conta virá do orçamento do Estado.

Quando será a prova?
Em 2010, nossa primeira edição, a prova será realizada em fevereiro e o reajuste valerá a partir de 1º de janeiro de 2011. Nos outros anos, a prova será sempre realizada no mês de julho.

O senhor acredita que o Programa de Valorização Por Mérito irá diminuir as greves tão recorrentes no setor?
Acredito que esse sistema dará uma perspectiva clara para os professores, indicando o caminho para um aumento salarial importante e que vai depender somente do desempenho deles - tanto no compromisso profissional como no desempenho nas provas. Obviamente, não desenvolvemos o sistema por causa das greves, mas os professores tenderão a entender as regras do jogo.

Comentários


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marlene

Fiz a prova do merito, consegui passar, mas se vou ter outro aumento daqui 3 anos ai não da vira pó fica na mesma, e quem vai aposentar agora.

21.07.2010

 

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