28/01/2012 - 09:53
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Aprendizado

Pais e professores, uma relação difícil

São comuns os conflitos acerca da responsabilidade de cada um na formação das crianças. A solução está na aproximação entre as partes

Nathalia Goulart
Thinkstock

(Thinkstock)

A relação entre pais e professores inclui, já faz algum tempo, boa dose de tensão. O assunto voltou à tona com força no fim do ano passado, quando um professor americano chamado Ron Clark resumiu as reclamações de boa parte dos mestres da seguinte maneira: professores não são babás de alunos, ao contrário do que pensam seus pais. Ele acusa os pais de repassar à escola suas responsabilidades, recusando, contudo, as regras impostas pela instituição educadora. Seu artigo, chamado "O que os professores realmente querem dizer aos país", tornou-se o segundo mais compartilhado no Facebook em 2011 (o primeiro trata do desastre da usina de Fukushima, no Japão), trocado mais de 630.000 vezes – prova de que a discussão é, no mínimo, pertinente. O texto ecoou em outros países e também no Brasil. "Por aqui, os pais perderam a habilidade de impor limites a seus filhos. Agora, tentam impor limites à escola, interferindo na atividade dos professores", diz a educadora Tânia Zagury, autora do livro Escola sem Conflito: Parceria com os Pais. De acordo com uma pesquisa realizada pela escritora, 44% dos professores apontam a ausência de limites como causa principal da indisciplina em sala de aula: um quinto dos profissionais responsabiliza a família pelo problema.

Leia também:
O que pais e professores devem fazer para evitar conflitos

Ron Clark: 'Professores são educadores, não babás'

Do outro lado da linha, os pais também reclamam de intromissões da escola em disposições que acreditam justas. É o que vive a empresária Marcela Ulian, de 34 anos, mãe de um garoto de 6 anos – o nome dele, assim como o da instituição, um renomado colégio privado paulistano, serão omitidos a pedido da empresária. Há alguns meses, Marcela contesta uma determinação da escola que proíbe alunos de portar dispositivos eletrônicos, como celular ou tablet, no interior da instituição. "As crianças não podem ficar alheias às novas tecnologias. Acho inclusive que os professores podem ensinar que aqueles aparelhos podem servir como material educativo", diz Marcela. Não houve acordo. Para a escola, é em casa que as crianças devem aprender a fazer uso dos aparelhos. "Continuo não concordando com a escola e seguirei tentando provar que estou certa."

Não raro, as queixas de um lado e de outro são mais severas; outras revelam exageros flagrantes. Há, por exemplo, relatos de professores contestados por pais porque atribuíram uma nota baixa a um aluno, ou por tê-lo repreendido por comportamento inadequado. Preocupados com as reclamações de parte a parte, educadores se debruçaram sobre a questão. Descobriram duas razões principais para os desentendimentos. A primeira é uma transformação sofrida pela engrenagem familiar, fruto das mudanças sociais dos últimos 50 anos. Um exemplo disso: nesse período, as mulheres, tradicionalmente encarregadas de acompanhar o crescimento das crianças em casa, ganharam definitivamente o mercado de trabalho, distanciando-se da antiga função. "A consequência disso é que as escolas passaram a ser responsáveis também pela educação moral das crianças. A família moderna demandou isso delas", diz Maria Alice Nogueira, educadora e especialista em sociologia da educação.

A segunda razão envolve um movimento em sentido oposto: a intromissão dos pais em assuntos sobre os quais as escolas antes mantinham monopólio. À medida que as famílias perceberam que a ascensão nos bancos escolares é sinônimo de ascensão social e econômica, passaram a cobrar mais de instituições e professores, que antes davam as cartas na sala de aula – não por acaso, "mestre" é uma designação que quase não se aplica mais a professores. "O êxito proveniente da educação formal levou a família a interferir nos assuntos escolares", diz Maria Alice.

Excetuados os exageros, os educadores de olho na questão alertam que a nova realidade exige nova atitude. "O que ouço dos docentes em momentos como esse é aquela velha história de que, antigamente, eles eram mais respeitados", diz a educadora Elaine Bueno. "Esse é um discurso velho, pois os tempos mudaram: os pais não enxergam mais o professor e a escola como autoridades inquestionáveis. Eles precisam aceitar isso e prestar contas de seu trabalho."

O caminho da convivência harmoniosa exige trabalho intenso de pais e professores, garantem escolas que já o perseguem. Entre as lições aos professores (confira o quadro abaixo), estão orientações como jamais desqualificar ações dos pais diante dos filhos. É o que prega Sylvia Figueiredo, sócia-fundadora do colégio Castanho Lourenço, de São Paulo. Certa vez, ela descobriu que uma mãe fazia o dever de casa do filho. "Em nenhum momento, desmereci a atitude da mãe diante do menino, apesar de estar certa de que a conduta dela interferia negativamente no desempenho dele", conta. O assunto foi tratado em uma conversa a portas fechadas, cara a cara, entre a educadora e a mãe. "É preciso muito treinamento para lidar com os pais. A relação é uma bomba-relógio e pode explodir a qualquer momento se você puxa o fio errado na hora de desarmá-la." Aos pais, em situações como essa, cabe a lição de ao menos ouvir atentamente a posição do educador.

O esforço vale a pena. A harmonia entre as partes é valiosa para a educação – é o que apontam estudos na área. Uma pesquisa encabeçada pela Fundação Getulio Vargas, por exemplo, mostra que os efeitos da presença dos pais na vida escolar se fazem notar por toda a vida adulta. Na infância e na adolescência, a participação da família está associada a notas até 20% mais altas e riscos de evasão até 64% inferiores. "Gostamos de deixar claro aos pais que a interferência deles no processo educativo é saudável. Mas ambas as partes precisam estar abertas ao diálogo", diz Celina Cattini, diretora geral do Colégio Visconde de Porto Seguro. "Muitos professores sentem saudade do tempo em que os pais respeitavam a autoridade da escola. Mas é preciso lembrar que aqueles eram tempos em que havia respeito, mas não havia interação entre escola e família: isso não é bom para as crianças." Celina tem razão.

Com reportagem de Renata Honorato

O que pais e professores podem -e devem - fazer para evitar conflitos

 

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Werbety Ney Araujo Costa

Parabéns! Mas, veja: sou supervisor de ensino e acabo de organizar uma reunião com os pais para inicio das aulas 2012 e uma mãe encontrava-se bêbada e resmungava o tempo todo. O que dizer? Quero ter o prazer de apresentar minha escola a vocês, pois com certeza nossas experiencias ajudarão amadurecer suas teorias. Sou fã de G(..)

04.02.2012

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SARA CELESTE

E certo que mos aparelhos eletronicos podem nos ajudar na sala de aula e acho que os alunos devem e podem portar o celular na escola para uma emerg|ência junto aos responsáveis. Só não concordo que ele seja usado indiscriminadamente, sem um limites impostos pela escola os quais os pais devem aceitar e cooperar com esses lim(..)

04.02.2012

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Daniel Santos

Criamos,mia esposa é eu,tres filhos sempre em escolas publicas,relacionamento normal,profesor em papel de profesor das materia,pais na convivencia social de cidadania,sistema simples direitos é deveres ,correspondientes a cada cidadão,civilidade social EDUCAÇÃO=PARCERIA ESCOLA PROFESORES ALUNOS PAÍS

01.02.2012

satyrojr

E a relaçaõ alunos e professoras???

01.02.2012

Soraya Farage

Magnífica esta reportagem, fui professora durante 28 anos na rede estadual e 32 na rede privada e sempre defendi este ponto de vista da parceria. Há certos princípios e conceitos, atitudes e comportamentos, assim como o caráter que trazemos de família. Fica muito difícil responsabilizarmos a escola pela ausência ou omissão d(..)

31.01.2012

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FERNANDO PINTO

O grande problema é que os pais aceitam como verdades o que seus filhos falam sem antes ouvir a versão do professor. Gostei muito das dicas apresentadas no quadro. Usarei em minha primeira reunião com os pais deste ano.

30.01.2012

Antonio Bezerra

Boa tarde. Achei interessante essa reportagem sobre a postura dos pais e educadores. Penso que se formarmos uma parceria respeitosa, todos ganharemos com isso, não é verdade? Afinal os tempos são outros e precisamos inovar principalmente em se tratando de educação.

29.01.2012

Carla

crítica ou elogio? mas vou comentar! não entendo porque a parte de educação comprovações científicas sobre nossas crianças é sempre pequena, sempre termino de ler querendo mais explicações ou até mesmo soluções para o modo prático e relacional, entretanto penso... as nossas crianças ou melhor nosso futuro não merece mais ate(..)

29.01.2012

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Cláudia Teixeira

Tenho um filho de 16 anos que está cursando o último ano do Ensino Médio e sempre trabalhei fora, sem contar o período em que fiz faculdade, e nunca deixei de prestar atenção à sua vida escolar. Não era muito de ir à escola, mas sempre estava em contato com à coordenação e professores (via agenda escolar e telefone),além de (..)

29.01.2012

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Heloise VilaBoas

Sou mae e meu filho esta na idade escolar e concordo com este artigo,deve haver respeito entre ambas as partes. O meu filho esta em programa que se chama Head Start aqui nos EUA,o que eu vejo e um tremendo desreito por parte dos professores.Escuto a professora que e de origem Colombiana falar mal das maes dos alunos para out(..)

28.01.2012

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