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Escolas tentam mostrar aos alunos que o Enem ainda tem utilidade
Quando três das principais universidades do país anunciaram descartar o uso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma onda de desânimo tomou conta de vários estudantes. A Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a PUC-SP, que juntas reúnem quase 200 000 candidatos, declararam ser impossível somar a nota do Enem em seus processos seletivos depois que a prova foi adiada para os dias 5 e 6 de dezembro. É mais uma dor de cabeça para quem estava focado nesses grandes vestibulares e precisa, agora, encontrar outra utilidade para o exame.
"O Enem só vai valer a pena para quem busca vagas em universidades federais que utilizarão o exame como fase única ou para quem vai prestar cursos muito concorridos, como medicina", avalia o professor Edmilson Motta, coordenador do colégio Etapa, em São Paulo. "Quem não passar este ano pode guardar a pontuação para o ano que vem, pois a nota do Enem 2009 ainda poderá ser utilizada nos vestibulares por mais dois anos."
Estímulo - O colégio Bandeirantes, também na capital paulista, tem estimulado seus alunos a não desistir do Enem. "Seria uma atitude impensada. Os estudantes estão magoados, como se não tivessem sido levados em consideração, mas a oportunidade de fazer a prova com esse ritmo de estudos não deve ser perdida", afirma o coordenador e professor Roberto Nasser. Segundo ele, o Bandeirantes criou uma logística com comunicados no site do colégio, correspondências para os pais e responsáveis e debates durante as aulas para que os adolescentes vejam o benefício de fazer o exame.
Maria Elisa Pedrosa, coordenadora pedagógica do colégio São Bento, no Rio de Janeiro, acredita que os alunos podem beneficiar-se da divulgação da prova - por causa do escândalo, todo mundo teve acesso às questões que seriam aplicadas na data original, marcada para o início de outubro. É uma oportunidade, avalia Maria Elisa, de conhecer o Enem em seu novo formato, pois embora os estudantes tenham feito simulados, ninguém havia tomado contato ainda com o modelo atual.
Ranking - A maioria dos estudantes do colégio Vértice, primeiro colocado em São Paulo no Enem do ano passado, não desistirá do exame. É o que garante o professor Adilson Garcia, um dos diretores da escola. "Incentivamos a realização da prova, que é uma importante forma de auto-avaliação". A primeira posição do Vértice em 2008 faz parte de um ranking criado em 2006 pelo Ministério da Educação, que se tornou o único critério objetivo para avaliar instituições particulares de ensino e passou a ser referencial de qualidade para pais e alunos.
Responsabilidade social - Carlos Alberto de Carvalho, professor e orientador da Escola Vera Cruz, em São Paulo, afirma que existe um grupo desanimado com o Enem, pois estava focado no bônus que o exame proporcionaria na nota dos principais vestibulares do país. "Mas é também papel da escola estimular os alunos a fazer a prova mesmo com as alterações. Os professores conversam em sala, mas não de forma exacerbada e sim mostrando a função social do Enem, para que os estudantes tenham o compromisso de fazer a prova e contribuam assim para a avaliação da educação no Brasil."









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