Educação
Bebês de seis meses vão ao curso de inglês
Técnica propõe exposição precoce ao segundo idioma, para facilitar o aprendizado e a assimilação da língua com naturalidade
Quanto antes, melhor: contato com o inglês antes mesmo da chegada da fala pode facilitar o aprendizado (Ann Cutting/Getty Images)
Certeza absoluta, por enquanto, só há a de que a exposição a outra língua não faz mal
Eles só têm seis meses de vida. Ainda não falam, pouco entendem e mal ficam sentados em uma cadeira. O que fazem esses bebês, então, em uma sala de aula, amparados por seus responsáveis e orientados por uma professora? A resposta é intrigante: aprendem inglês. Parece incrível, e é. Os recém-nascidos brasileiros começam a ter sua agenda ocupada ainda em tempos de fralda. Cursos de língua estrangeira estão abrindo turmas para crianças cada vez mais novas. “Se a intenção é ensinar uma segunda língua para o bebê, isso deve ser feito através de atividades lúdicas e de muita audição para ele começar a reconhecer o idioma. É uma boa possibilidade”, diz Álvaro Alfredo Bragança Junior, professor do departamento de letras da UFRJ.
Dona de um curso de inglês na zona sul do Rio de Janeiro, Eloísa de Oliveira Lima, formada em letras, fez uma experiência piloto em 2003 com os recém-nascidos. Ela ofereceu aulas, de graça, para ver qual seria o desempenho da criança. Quatro bebês se apresentaram, todas meninas com seis meses de idade. A partir daí, teve início a saga. “Um trabalho com essa faixa etária tem que acompanhar o tempo de interesse da criança pelo assunto. Um bebê se concentra um minuto e meio em uma atividade. A metodologia tem que seguir essa preocupação”, explica Eloísa.
Ela mesma considera audaciosa a experiência. Por tentativa e erro, Eloísa, no comando da classe, percebeu o que dava certo com os mini-alunos. Filmes, brincadeiras, barulhos e música fizeram parte do repertório da aula. Ela falava o tempo inteiro em inglês, sem parar, como se dublasse as suas ações – algo fundamental em uma turma cujas respostas dos estudantes não são as mais convencionais. Quando os bebês se cansavam, sem qualquer problema, movimentavam-se, desorganizavam a atividade e pouco se importavam com o professor.
Com os contratempos, mais que esperados, Eloísa percebeu que estava dando certo. Um ano depois de as quatro meninas começarem o curso, ingressaram mais outros quatro bebês na faixa de um ano e dois meses. “Eu subdividia as atividades, pegávamos uma fatia de pão, contava uma historinha, sentávamos em uma mesa, colocávamos o pão no prato, comíamos. Era uma atividade picotada, com três minutos para cada tarefa, podendo durar sete minutos”, conta a diretora. E então, eureka! “Os antigos entendiam e participavam de todo o exercício, enquanto os outros estavam esgotados nos primeiros três minutos”, afirma Eloísa.
Depois, em um mestrado em neurociência, ela diz ter comprovado sua teoria. “Esse estudo me confirmou que eu não estava doida. E passei a ter argumentos mais embasados para os pais que me perguntavam se valia a pena”, conta a proprietária do curso. Para Bragança Junior, professor de letras da UFRJ, se a criança tem contato com outro idioma mais cedo, poderá compreender mais rápido esse outro código de linguagem. “Tem que considerar o objetivo dos pais. Se você colocar em um curso desde muito cedo com a expectativa de se tornar bilíngue, isso é possível. Quanto mais exposição à outra língua, maior a capacidade de desenvolver bem a capacidade oral”, afirma o professor.
Bragança Junior faz, no entanto, um adendo importante para os pais: a parte escrita em outra língua pode ser um problema antes mesmo da alfabetização no idioma nativo. É obvio que, para crianças de apenas alguns meses, as palavras formadas na ponta do lápis não serão ensinadas. Bragança Junior fala sobre o conhecimento da escrita àqueles no período dos seis anos de idade. “O aprendizado precoce pode apresentar interferências na alfabetização da língua mãe e da língua dois. Apesar disso, a criança gosta de brincar, ouvir histórias. É através da parte oral que se permite a aquisição da capacidade de distinguir sons”, diz.
Segundo Eloísa, a linguagem fecha-se aos sete anos. Até essa idade, os idiomas aprendidos se localizam na mesma região cerebral. Por isso ela defende a tese de que os bebês devem ser expostos a outra língua o quanto antes. “Aos sete anos, a janela se fecha. Quando o bebê só tem meses de vida, essa janela é mais aberta. Isso facilita que a criança consiga pensar na língua e tenha uma boa pronúncia. Já o adulto que entra em um curso para aprender um novo idioma tem mais dificuldade por ter de usar várias interfaces do cérebro”, afirma Eloísa.
Certeza absoluta, por enquanto, só há a de que a exposição a outra língua não faz mal. É como se, por algumas horas na semana, os recém-nascidos brincassem ao som de um idioma menos familiar. E as lições se desenrolam com tanta brincadeira que em algum momento a expectativa é atendida: o que a princípio é ‘grego’ para os bebês vai sendo transformado em segunda língua.







Comentários
Paulo
E uma boa ideia ja que e tâo dificil aprender uma nova lingua, quando criança temos mais facilidade. =]
31.05.2011
Kérsed
Já era tempo, de um grande país que é o Brasil, ter cidadãos capacitados em falar uma segunda língua, ou seja, o inglês por ser a língua muito usada no mundo todo.. E em minha opinião quem não souber falar inglês daqui a uns 2 ou 3 anos pode ser considerado um analfabeto!
25.05.2011
erasmo bomfim
Acho ótima esta exposição de bebês a diferentes linguagens, é incrível sua facilidade de assimilação, já explicada pela tese da Prof.ª Eloisa Lima. Após convívio numa sala cheia de adultos do curso de inglês percebe-se que seria mais fácil o aprendizado antes dos problemas e preocupações a que nos adultos somos expostos cont(..)
19.05.2011
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Denise Le Maitre
Com a globalização e a rapidez do desenvolvimento tecnologico a segunda lingua, em especial o Ingles, se torna indispensavel. E conforme Eloisa menciona, a pronuncia e o pensar em outra lingua, ficam ali apreendidas com mais facilidade. Parabéns ao seu trabalho !!!!
16.05.2011
Ana Carolina
Sou professora de inglês e posso afirmar que quanto mais jovem mais fácil é para se aprender outro idioma. A pergunta que não quer calar é: será que isso é realmente necessário? Eu comecei a estudar inglês após os dez anos e falo a língua fluentemente. Precisamos mesmo inserir as crianças nesse "esquema" tão cedo? Acredito q(..)
16.05.2011
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Sandra
Tenho dois filhos ( sete e cinco anos ) e posso afirmar que conforme a materia a oportunidade de aprendizado nesta fase da vida e unica. Meus meninos falam fluentemente portugues e ingles, o pai deles fala mais ingles do que portugues. E meu mais velho em visita ao Brasil com dois anos e oito meses traduzia do portugues para(..)
16.05.2011
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Cassia
Sou absolutamente de acordo com essa ideia, tenho uma amiga que as filhas foram expostas a tres idiomas desde bebes (ao mesmo tempo), e hj com apenas 4 anos sao fluentes em todas, e mt bem fluentes. Eu e meu marido somos fluentes em Ingles e desde cedo ja queremos falar com nosso filho(que nascera em uma semana :) somente em(..)
16.05.2011
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Marianna Mellone
Será que não seria melhor que deixássemos eles fazerem coisas normais de bebês?
15.05.2011
antonio carlos
BRASIL DE DUAS FACES enquanto filhos de ricos estudam um segundo idioma, filhos de pobres que são a maioria estudam em escolas públicas que distribuem para seus alunos matérial didáticos faltando 's' e 'r'. país da disigualdade.
15.05.2011
Moisés
Poxa, por que minha mãe não me colocou em uma aula de inglês quando eu tinha apenas 6 meses?
15.05.2011
Ludmila Macedo Leitão
Glenn Doman, ainda na década de 50, desenvolveu um método para ensinar bebês a ler a partir dos 6 meses de idade. Fui professora do British School, na década de 70, e utilizei o método para ensinar meus aluninhos de 3 anos. A experiência foi muito gratificante. Parabéns, Eloisa.
15.05.2011
ilario n. mauch
Os meus filhos frequentam a escola de ingles desde 1 ano e meio, e já falavamos com eles em ingles desde o nascimento, Lógico que não existe problema. O problema é ensinar outra lingua para os mais velhos como eu.
15.05.2011