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Vestuário brasileiro ganhará medidas-padrão
(Reprodução)
Já a partir do próximo ano, começa a sair de cena (ou melhor, das lojas) um dos maiores empecilhos que os brasileiros enfrentam na hora de comprar roupas: a incalculável variedade de tamanhos das peças - que, para um mesmo manequim, parecem mudar ao prazer dos fabricantes. Após 17 anos de intenso debate, as entidades ligadas ao setor finalmente colocaram em marcha um processo de padronização das medidas do vestuário nacional, com benefícios para consumidores e, é claro, para a própria indústria.
Estão disponíveis para consulta pública desde 1º de julho as primeiras medidas-padrão do guarda-roupa infantil brasileiro. Uma vez aprovadas, irão compor uma nova norma nos arquivos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Em setembro é vez da padronização das roupas masculinas, e, em novebro, das femininas.
Para o presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad, o setor estará dominado pelas novas medidas em até quatro anos. Em outras palavras: o consumidor finalmente comprará, com conforto, peças com medidas padronizadas. O prazo é necessário para que se consumam as cerca de 6,5 bilhões de peças já disponíveis no mercado. "Até 2013, teremos de 80% a 90% do mercado arrumadinho e, até 2015, 100%", avalia.
Meias pioneiras - O primeiro passo nesse sentido foi dado em outubro de 2007, com a padronização das medidas de meias, já adotada por parte do mercado, de acordo com Chadad. "Os varejistas estão solicitando as meias dentro das normas. Eles sabem que assim cairão as trocas, pelas quais pagam um custo alto, já que o imposto de um produto devolvido não é restituído pelo governo."
A padronização é feita a partir de um apanhado de tabelas de medidas usadas no mercado. "A ideia é trabalhar com os números dos fabricantes: cada um traz suas tabelas, que são comparadas para se chegar a medidas comuns a todos", explica o diretor de tecnologia industrial da Abravest, Alexandre Melo. Varejistas também podem contribuir com o processo, como se viu no caso do vestuário infantil. "Lojistas e magazines deram depoimentos sobre as dificuldades de comercializar sem um acordo entre medidas", complementa Maria Adelina Pereira, gestora do CB-17 (Comitê Brasileiro de Normalização Têxtil e do Vestuário), ligado à ABNT.
Sob medida - Com a padronização, vai ser mais fácil escolher uma roupa sem errar e sem a necessidade de carregar para o provador diversos tamanhos de um mesmo modelo. "As roupas vão vestir melhor o corpo brasileiro", garante Melo. "A norma atual não é rígida, ela prevê uma tolerância de 1 cm a mais ou a menos nas medidas existentes [tórax e cintura, no caso do vestuário masculino, busto e cintura, no feminino]."
Haverá também maior adequação das peças a diferentes tipos físicos. Pode ser o fim das reclamações por parte de mulheres de coxa grossa e cintura fina, por exemplo, ou homens baixinhos mas de cintura avantajada. Por conta de uma ampliação no número de medidas, haverá uma maior variedade de peças por modelo de roupa.
No vestuário infantil, por exemplo, atualmente só existem medidas de cintura e de tórax: "Estão previstas mais de dez medidas para o corpo da criança e do adolescente, uma ferramenta completa para o trabalho do modelista", afirma Melo. O consumidor, porém, não precisa se preocupar: nem todas essas informações chegarão até ele - o que complicaria as compras.
O vestuário infantil sofrerá ainda uma mudança de foco: as roupas não serão mais catalogadas por idade - o número 6 para 6 anos, por exemplo -, mas por tamanho. Assim, um mesmo número passará a englobar clientes mirins de idades diferentes - desde que todos possuam as mesmas medidas.
Selo - A adoção das novas normas não será obrigatória: as confecções que não seguirem as medidas-padrão não receberão multa. Mas quem obedecer ao modelo poderá agregar um selo a seus produtos. Aferido pela Abravest, o selo indicará a conformidade de determinada peça aos padrões. O marketing da estampa e as vantagens do novo sistema devem levar os lojistas a solicitar aos fornecedores estoques dentro das novas normas, aposta a entidade.


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