08/03/2011 - 13:01
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América Latina

Venezuela está no mesmo caminho da Grécia

Diante de uma produção de petróleo em queda e da 'seca' de dólares, economistas creem que Hugo Chávez pode decretar a moratória da dívida

Beatriz Ferrari
Caracas, Venezuela

Venezuela: oitavo maior produtor de petróleo tem dificuldade para financiar desenvolvimento (Mario Tama/Getty Images)

Os investidores passaram grande parte do ano passado discutindo quais países europeus sucumbiriam à crise da dívida soberana iniciada na Grécia em 2009. Com o arrefecimento (para alguns apenas momentâneo) das turbulências na Europa, as apostas de uma parcela do mercado dirigiram-se a outro continente: a pujante América do Sul. A afirmação soaria estranha não fosse o fato de essa mesma região abarcar um país que já foi dos mais prósperos e que hoje encontra-se arrasado pelas estripulias de um ditador. A nação, novo alvo de desconfianças, é a Venezuela de Hugo Chávez.

Um relatório da consultoria americana CMA Vision, divulgado em janeiro, mostra que, no último trimestre de 2010, a probabilidade de a Venezuela não cumprir o pagamento de sua dívida externa em 2015 – medida pelo preço dos chamados ‘credit default swaps’, um tipo de seguro contra moratória – estava em 51,4%, perdendo apenas para a Grécia. Na última sexta-feira, o país já tinha alcançado a primeira posição no ranking dos ‘caloteiros’ mais prováveis.

A consultoria inglesa Capital Economics é ainda mais pessimista. Na semana retrasada, seus analistas divulgaram um alerta a seus clientes de que é cada vez maior o risco de o governo venezuelano não pagar a dívida externa de 5 bilhões de dólares que vence em 2012.

Diante desses avisos, a pergunta inevitável é: como Chávez conseguiu fazer com que os investidores passassem a temer a insolvência de um país que é o oitavo produtor mundial de petróleo?

Embora os preços do petróleo tenham atingido recentemente os elevados patamares do período anterior à crise de 2008-2009, a receita proveniente das exportações venezuelanas só diminui. O sucateamento da estatal petroleira PDVSA é a principal causa da diminuição na produção, que passou de 3,5 milhões de barris por dia em 1998, quando Chávez assumiu, para 2,3 milhões em 2010, de acordo com estimativas da Economist Inteligence Unit (EIU). O governo, que manipula os dados oficiais, insiste em dizer que produz 3,1 milhões de barris por dia.

Além de ter de administrar uma produção em queda, Chávez precisa reservar muitos barris para outro propósito. Diante de contas públicas esfaceladas, o presidente venezuelano recorreu em 2008 a um empréstimo de 12 bilhões de dólares concedido pela China. O pagamento é feito justamente em petróleo. A Capital Economics estima que esse acordo tenha reduzido as receitas anuais da PDVSA em 20%, já que limita a quantidade de barris que a estatal pode vender no mercado.

Os dois fatores, combinados com uma política cambial esdrúxula e a hostilidade de Chávez ao setor privado, provocaram uma seca de dólares no país, justamente no momento em que a América Latina enfrenta uma inundação de capital estrangeiro. Diante do problema, o governo venezuelano optou pela saída menos inteligente: endividar-se cada vez mais. De acordo com estimativas da EIU, a dívida pública do país saltou de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 para 30% em 2010. “O governo começou a emitir títulos com muito mais frequência porque não há quantidade suficiente de dólares no país”, afirma o analista Federico Barriga, da EIU.

Uma das medidas tomadas por Chávez para ‘suavizar’ o impacto da fuga de capital foi a redução da oferta de dólares ao setor privado. A solução saiu pior que encomenda. Houve retração das importações, explosão da inflação, estagnação econômica e, conseqüentemente, queda na popularidade do presidente. Há risco de a situação, já insustentável, piorar um pouco mais. É que, com a aproximação das eleições presidenciais em 2012, Chávez pode expandir os gastos públicos, aumentando o descontrole das contas governamentais.

Respiro – Os elevados preços do petróleo – que representa 95% da balança comercial do país – podem dar um respiro à economia venezuelana neste ano. No entanto, a Capital Economics estima que as cotações devem recuar no ano que vem. Se esse cenário se concretizar, Chávez terá um leque bem menor de opções para lidar com a seca de dólares. Captar no mercado externo pode ser financeiramente proibitivo. Seu posicionamento na lista dos possíveis caloteiros faz com que o mercado só aceite emprestar a taxas muito elevadas.

Um novo acordo com os chineses poderia reduzir ainda mais a quantidade de petróleo a ser vendida pela PDVSA a preços cheios no mercado. Por fim, diminuir a oferta de dólares e de importados não vai colaborar com a popularidade do candidato na briga pela reeleição. Logo, a probabilidade de o governo apelar para um calote da dívida externa é cada vez maior. “Se os preços do petróleo caírem e o governo for incapaz de se financiar via mercado e China, então há um claro risco de moratória”, alerta a Capital Economics.

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B.

Tenho pena do povo. A expressão "Caracas" faz todo sentido depois que se vai ao país de Chaves. É miséria demais para uma nação que poderia ser rica.

10.03.2011

Sagarana

Entre os prováveis grandes perdedores está o "nosso" BNDES.

09.03.2011

ricardo moreira lima

Eu acho é bom,pois só assim este ditador vai sair do governo e a Venezuela volte a ser um país livre,próspero e produtivo.Abaixo a revolução bolivariana que de concreto só trouxe a pobreça.

09.03.2011

Juninho Piraúba

E pensar que era mais ou menos esta a idéia do PT em relaçâo ao nosso já sofrido Brasil.

08.03.2011

abraão

Agora eu entendi o porque das tantas visitas que Chávez faz a Dilma. E como é carnaval, ele vem cantando: Ei usted aí, mi dá una plata aí, mi dá una plata aí!

08.03.2011

sandy

Tanto poder lhe conferido, tanta razão nas palavras. O mundo é assim, não existe verdade absoluta. É, parece que Hugo Chávez se perdeu nas ações.

08.03.2011

Tonhão

A China deu uma chave de perna no Chaves, deixou a Venezuela refém de uma poderosa nação que não tem dó do próprio povo. O gigante oriental sugará até a ultima gota da PDVSA e seria prudente que o nosso vizinho abrisse o olho enquanto é possível.

08.03.2011

abreu

Já vi td!Ele deverá se socorrer dos amiguinhos camaradas do BR.Afinal,o molusco vivia dizendo que eram "irmãos".Isso é o que dá em tds os setores da economia ser tutelado e/ou estatizados,por governos sabidamente pró-comunista e ditatoriais.A vez dele vai chegar e esse estrupicio assim como o "irmão" Kaddafi,vai cair logo lo(..)

08.03.2011

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Heitor

Quem poderá ajudar?

08.03.2011

Raul Loersch

Manda o LULA-LÁ resolver o problema, com dinheiro do povo brasileiro!

08.03.2011

MIchel

Bem feito. Só está colhendo o que plantou.

08.03.2011

jose aroldo fantuci

manda o lula para lá ele he o homen

08.03.2011

Ricardo

Estou morrendo de rir.Mais um esquerdista imbecil prestes a dançar.ALIÁS ESQUERDISTA NÃO PRECISA DE INIMIGO.A AUTO DESTRUIÇÃO VEM RAPIDÃO.

08.03.2011

antonio jose monteiro rocha

Isso é socialismo!!!!! Viva Cuba e Venezuela!, "modelos" de desenvolvimento para todos os paíse sulamericanos

08.03.2011

 

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