Economia
Papel e celulosa
Suzano venderá ativos para reduzir alavancagem
Dívida da empresa apresentou forte crescimento em função da variação cambial
A Suzano fechou o terceiro trimestre com prejuízo líquido de 425,5 milhões de reais, contra lucro de 272,85 milhões de reais no mesmo período de 2011
Após registrar prejuízo e forte crescimento na dívida por conta da variação cambial, a Suzano Papel e Celulose garante que sua solidez financeira continua excelente. Entretanto, a companhia deve lançar mão da venda de ativos - como os 17% de participação no complexo hidrelétrico de Amador Aguiar (MG) - para reduzir a dívida, segundo o presidente, Antonio Maciel Neto.
"Se o dólar ficasse em 1,70 real no terceiro trimestre já estaríamos com resultado neutro", afirmou o executivo nesta sexta-feira. Maciel lembrou ainda que o prejuízo da companhia é apenas contábil e não possui efeito-caixa, ou seja, a Suzano não terá que desembolsar o valor referente à variação cambial negativa. "A Suzano não tem nenhum problema de curto prazo. Temos um horizonte de liquidez de 28 meses", disse ele. Isso significa que a companhia teria esse tempo para honrar compromissos financeiros sem acessar o mercado. "A Suzano não contrata derivativos exóticos. O hedge é para o fluxo de caixa", completou.
Em 30 de setembro, a Suzano registrava dívida líquida de 5,291 bilhões de reais, crescimento de 37,4% em relação ao mesmo período do ano passado e de 26,1% ante o segundo trimestre, por conta da variação cambial, visto que cerca de 50% da dívida da empresa é em moeda estrangeira. A relação entre dívida líquida e Ebitda, por sua vez, ficou em 4,2 vezes, acima da meta da própria companhia de 3,5 vezes.
Segundo o cronograma de amortização, a Suzano, mesmo com a maioria da sua dívida vencendo no longo prazo, tem um grande montante a vencer no final de 2012 e em 2013. "O aumento forte mesmo vai acontecer em 2013. Vamos ter colocado todo o investimento (na fábrica do Maranhão) e ainda não teremos receita", disse Maciel, ponderando que, no final de 2013, quando a unidade que produzirá 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano começar a operar, "a dívida vai cair violentamente."
A Suzano fechou o terceiro trimestre com prejuízo líquido de 425,5 milhões de reais, contra lucro de 272,85 milhões de reais no mesmo período de 2011. O resultado ficou pouco abaixo da média de quatro analistas consultados pela Reuters, que apontava perda de 458,8 milhões de reais.
Capim Branco - A Suzano deve decidir até dezembro sobre a venda da participação que detém no complexo hidrelétrico de Amador Aguiar, ou Capim Branco, como forma de reduzir sua alavancagem. A produtora de papel e celulose possui 17% no empreendimento, o que corresponde a 51 megawatts (MW) médios de energia assegurada. "A Suzano usa entre 40 e 50 MW para rodar suas máquinas. Essa usina faz um hedge perfeito", afirmou.
Maciel explicou ainda que a unidade de Imperatriz (MA), cujo início das operações está previsto para 2013, produzirá 100 MW de energia, por meio de cogeração, o que resultaria em um excedente de energia. Entre a possível venda da participação e o início da entrada em operação da fábrica no Maranhão, a Suzano teria então que adquirir energia no mercado. As duas usinas do complexo de Amador Aguiar, com 450 MW, têm também como sócios Vale, Cemig e Grupo Votorantim. "Os sócios têm direito de preferência", disse Maciel, sem divulgar o valor que poderia ser obtido com a venda da participação.
No início de 2012, a companhia deve decidir também sobre a possível entrada de sócios no capital da Suzano Energia Renovável e sobre a venda de terrenos que a empresa possui no Estado de São Paulo, em uma região próxima ao município de Ribeirão Preto. Além disso, ao longo do ano que vem a empresa decidirá acerca da eventual entrada de um sócio minoritário nos projetos de expansão em celulose, que consiste na fábrica maranhense, uma no Piauí e outra em local ainda não definido.
Maciel explicou que a companhia pode adotar uma estratégia de vendas antecipadas de celulose a algum cliente ou a venda de participação no projeto, o que traria um sócio minoritário para a empresa. "Temos condições de fazer esse projeto sem vender nada, mas a relação da dívida subiria muito. E, com uma crise grande, o risco aumentaria muito", acrescentou Maciel.
(Com Reuters)


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