Investimento

Startups, atenção! O dinheiro chegou

Conheça algumas gestoras de recursos interessadas em aplicar pequenas fortunas em nascentes empresas nacionais de tecnologia

Beatriz Ferrari

Nos últimos anos, empresas brasileiras de diversos setores conquistaram posição de destaque no mundo. A internet, no entanto, foi uma das exceções. Nenhuma companhia do segmento no país conseguiu lançar, por exemplo, ações na Nasdaq – bolsa em Nova York que negocia papéis de empresas de alta tecnologia. Esse cenário começa a mudar. A explosão recente do consumo, aliada ao uso cada vez mais difundido de computadores e aparelhos portáteis ligados à rede, tem estimulado o nascimento no Brasil de diversos negócios voltados ao comércio eletrônico e à internet. Games, tecnologia da informação, mobilidade e marketing digital também vêm ganhando espaço e novos competidores. Com isso, a pujança no país das chamadas startups – empresas que buscam a inovação em seu segmento e operam com uma lógica de experimentação rápida – já não passa mais desapercebida a investidores nacionais e internacionais. “O mercado brasileiro me lembra o Vale do Silício, dez anos atrás. Há oportunidades gigantescas”, diz Matt Cohler, sócio da empresa de venture capital americana Benchmark.

Fundos de startups para todos os gostos

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Monashees

Eduardo L'Hotelier e Diego Dias, da GetNinjas, foram contemplados com investimentos da Monashees

A gestora de fundos brasileira Monashees é focada em empresas nascentes de internet. Os recursos têm como destino companhias da fase “capital semente”, quando ela é ainda só uma ideia, e do chamado “early stage” (estágio inicial), quando o negócio já existe, mas ainda se faz necessário testar se seu produto é viável.

Os setores que mais interessam à Monashees são comércio eletrônico, educação, games e marketing digital. Muitos projetos são escolhidos por meio de um rigoroso processo de seleção. Há também ocasiões em que o empreendedor é apresentado aos sócios por um contato muito qualificado ou é abordado diretamente pela gestora.

A Monashees faz aportes que vão de 500 mil reais a 7 milhões de reais em cada empresa, em troca de participação de 30%, em média, do capital. O prazo em que fica no negócio varia de 5 a 7 anos – longo se comparado a outros fundos. Durante esse tempo, a gestora auxilia o empreendedor a montar seu time, profissionalizar a gestão e diversificar mercados.

Ela também atua em conjunto com fundos reconhecidos no mercado internacional, como o Accel e o Benchmark. Entre as 22 empresas contempladas pela gestora estão Peixe Urbano, Elo7, GetNinjas e Boo-Box.

A Monashees trabalha, por fim, com um modelo chamado Empreendedor Residente. Quando os sócios encontram um time que consideram excepcional trabalhando em uma ideia atraente, porém ainda pouco desenvolvida, propõem uma espécie de imersão. Os empreendedores passam a trabalhar em conjunto com a gestora por cerca de três meses. Se tudo correr bem, o projeto pode receber um aporte final. A Monashees acabou de fechar um contrato desse tipo nesta semana.

Em meados da década passada, empreendedores brasileiros precisavam apresentar seus projetos no Vale do Silício – região ao sul de São Francisco, na Califórnia, onde estão as maiores empresas de tecnologia e os principais fundos voltados a startups dos Estados Unidos – para mendigar investimento e aconselhamento. A situação agora se inverteu. São os grandes fundos que vêm ao Brasil em busca de oportunidades.

Com o passar dos anos, o que antes era um vácuo de investidores no país para apoiar empresas nascentes de tecnologia começou a ser preenchido por gestoras nacionais, como a Monashees, a FIR Capital e a Astella (veja quadro de investidores). Hoje, grandes fundos estrangeiros de venture capital, como Tiger Global, Accel, Benchmark e Atomico, já fizeram aportes significativos em startups no país. O fundo francês LeadMedia chegou a fazer um IPO em Paris para poder aumentar seus investimentos no Brasil.

A maioria das empresas que investem em startups entra no empreendimento selecionado não só com dinheiro, mas também com conhecimento e contatos. “Nós passamos seis meses auxiliando a empresa na gestão, na governança, em tecnologia e no acesso a novos mercados”, diz Marcelo Sales, um dos fundadores da 21 212, empresa que conecta empreendedores brasileiros a investidores internacionais.

O dinheiro costuma vir em várias rodadas. As empresas beneficiadas podem estar na fase de "capital semente" – quando as companhias mal se tornaram operacionais – ou em estágio inicial. Posteriormente, podem receber nova série de investimentos, quando já provaram ter um modelo de negócios consistente e precisam crescer rapidamente.

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