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PIB do Brasil cai 3,8% em 2015 e tem pior resultado desde 1990

Entre os setores, a agropecuária cresceu 1,8%, enquanto a indústria teve forte queda de 6,2% e os serviços, baixa de 2,7%, informou o IBGE

Por: Luís Lima e Teo Cury - Atualizado em

Linha de produção da fábrica da Nissan
Em valores correntes, o PIB do ano passado totalizou R$ 5,9 trilhões (Germano Luders/VEJA)

A economia brasileira terminou 2015 com uma retração de 3,8% em relação ao ano anterior, de acordo com números divulgados nesta quinta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o instituto, trata-se da maior queda da série histórica atual, iniciada em 1996. Considerando a série anterior, no entanto, o recuo é o mais acentuado desde 1990, quando a economia brasileira amargou baixa de 4,35%. Apenas no quatro trimestre, a retração sobre o mesmo período de 2014 foi de 5,9% e, sobre o período anterior, a baixa foi de 1,4%.

Entre os setores, em todo o ano de 2015, a agropecuária cresceu 1,8%, enquanto a indústria teve forte queda de 6,2% e os serviços, baixa de 2,7%. Em valores correntes, o PIB do ano passado totalizou 5,9 trilhões de reais. O PIB per capita somou 28,87 mil reais, queda de 4,6% sobre 2014.

Arte - PIB 2015 -3.8%
(VEJA.com/VEJA)

A queda do PIB também foi conduzida pelo resultado negativo dos investimentos. A retração na formação bruta de capital fixo foi de 14,1% em 2015. "Este recuo é justificado, principalmente, pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, sendo influenciado ainda pelo desempenho negativo da construção neste período", explica o IBGE.

"O governo deixou de fazer a lição de casa e está comprometendo os investimentos. À medida que se tem um crescimento do déficit público, ele tem que ser financiado. E ele é financiado pela poupança privada. Esses recursos deveriam estar sendo destinados ao investimento no setor produtivo, a alavanca mais importante quando se quer resgatar o crescimento", explica Otto Nogami, professor do Insper.

Enquanto isso, o consumo das famílias caiu 4% em relação ao ano anterior (quando havia crescido 1,3%), "o que pode ser explicado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo de todo o ano de 2015", diz o IBGE. A despesa de consumo do governo caiu 1,0% - também desacelerando em relação a 2014, quando cresceu 1,2%.

O resultado negativo não surpreendeu analistas. "É uma realidade crônica de um desastre anunciado. Diversos indicadores, da indústria por exemplo, já apontavam para uma retração em 2015. Restava saber a magnitude exata", avalia Luiz Alberto Machado, conselheiro do Cofecon (Conselho Federal de Economia). Ele acrescenta que, para 2016, não há muito o que comemorar, mas há alguns fatores que podem ajudar. Ele destaca o dólar caro, que motiva exportações da indústria o do setor agropecuário. "Mesmo assim, será um ano ruim. Temos um governo desacreditado, liderado por uma presidente que não comanda nem a própria base do governo", critica.

Ainda conforme o IBGE, no setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 6,1%, enquanto as importações tiveram queda de 14,3%. Entre os produtos e serviços da pauta de exportações, os maiores aumentos foram observados em petróleo, soja, produtos siderúrgicos e minério de ferro. Já entre as importações, as maiores quedas foram observadas em máquinas e equipamentos, automóveis, petróleo e derivados, bem como os serviços de transportes e viagens.

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O resultado do PIB veio em linha com o esperado pelo mercado. De acordo com o último boletim Focus, divulgado na segunda-feira, o Brasil encerraria o ano passado com retração de 3,8%. Já o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, apontava para uma queda maior, de 4,08% no ano passado.

"O resultado (de 2015) reflete o quadro de desconfiança que vivemos. Os fatores que fizeram o PIB cair em 2015 não alteram em 2016", afirmou, à Reuters, o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, cujo cenário é de que o impeachment da presidente Dilma Rousseff não se materialize. "Mas o governo continua paralisado e acuado", acrescentou.

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