Tarja para o tema crise do euro

Europa

Perguntas e respostas: o que é a crise e espanhola e como ela pode afetar o Brasil

País deverá receber uma ajuda de 100 bilhões de euros para restaurar a saúde de seus bancos, mas isso pode não ser o suficiente

Ana Clara Costa
Sede do Banco da Espanha, em Madri

Sede do Banco da Espanha, em Madri: sistema bancário espanhol desperta desconfiança (Dominique Faget/AFP)

A Espanha é, definitivamente, a bola da vez. Há mais de um ano que o país figura entre o "baixo clero" das potências europeias, os chamados PIGS (grupo de países em dificuldades formado por Portugal, Irlanda, Grécia e, mais recentemente, Espanha). Porém, ainda que as dúvidas sobre a solidez do país fossem muitas ao longo dos últimos meses, o mercado precisou ver o fato consumado para conseguir acreditar. O ministro do Tesouro da Espanha, Cristóbal Montoro, chegou a afirmar categoricamente que a Espanha "é grande de mais para quebrar", ou seja, que a Europa não terá condições de promover um resgate na península Ibérica, tal como fez na Balcânica.

Quando a Comissão Europeia anunciou um empréstimo que pode chegar a 100 bilhões de euros para salvar os bancos espanhóis em dificuldades, os investidores tiveram a certeza de que a situação era mesmo crítica e se mostraram descrentes na capacidade do país de conseguir se levantar. O resultado disso é que, ainda que a Europa tenha reafirmado que não deixará os bancos espanhóis sucumbirem, os juros sobre os títulos da dívida espanhola atingiram novo recorde. E, quanto mais altos são os juros da dívida total do país, mais o governo espanhol terá de desembolsar para financiá-la, ao mesmo tempo em que a economia não cresce. Assim, o círculo vicioso se perpetua.

O site de VEJA preparou uma série de perguntas e respostas sobre a crise espanhola para mostrar o que ela realmente representa para a Europa, e se ela pode, de fato, afetar o Brasil.

Saiba mais sobre a crise na Espanha

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Por que a Espanha precisou ser resgatada?

O empréstimo que a Espanha receberá da União Europeia, que pode chegar a 100 bilhões de euros, não é oficialmente chamado de resgate. O dinheiro será transferido do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE) para o governo espanhol. Na Espanha, ficará depositado no Fundo de Reestruturação Ordenada bancária (FROB) - a agência de reestruturação bancária do país, e será direcionado aos bancos em dificuldades por meio desse mecanismo.

Esse dinheiro servirá para, entre outras coisas, ajudar os bancos a cumprirem com os níveis de reserva de capital que foram exigidas pela Europa a partir do final de 2011.

A Espanha chegou a afirmar que esse dinheiro não pode ser considerado um endividamento do governo. Porém, tanto as agências de classificação de risco quanto os investidores já enxergam o valor como uma dívida contraída pelo poder público.

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