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Padronização não funcionou com calçados
Integrante de uma categoria à parte daquela que reúne meias, calças e camisas sob o termo vestuário, o sapato não faz parte do processo de padronização de medidas realizado pela Associação Brasileira do Vestuário (Abravest) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Mas, para representantes da área, o setor já dispõe de normas técnicas que, se amplamente adotadas, proporcionariam uma maior satisfação ao consumidor. Hoje, o uso dessas normas é opcional e incentivado por um selo similar àquele pensado para o vestuário.
"A adesão às normas de conforto e de elaboração de formas para fabricação de sapatos resolveria em boa parte a questão da inadequação entre pés e sapatos no Brasil", diz Aluisio Avila, diretor de inovação tecnológica do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTEC), entidade responsável pelas pesquisas em que se baseiam as normas do segmento. Segundo Ávila, estudos apontam que apenas 40% das pessoas encontram nas lojas os sapatos apropriados aos seus pés.
"Não sei dizer que porcentagem do mercado adota as normas, que não são obrigatórias, mas é uma parcela pequena", diz Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), equivalente à Abravest do setor de sapatos. "Uma ampla obediência poderia resultar numa maior qualificação do mercado e do produto brasileiro, embora não resolvesse completamente a dificuldade de calçar bem os pés brasileiros, que são muito variados devido à miscigenação."
Obstáculo - O grande entrave para a adoção das normas de conforto - que preveem, entre outras coisas, a temperatura interna do calçado e a absorção do impacto do pisar - e de elaboração de formas é econômico. "Entre as normas disponíveis na ABNT, uma propõe três medidas - P, M e G - para cada número de sapato", explica Sergio Knorr, gestor do Comitê Brasileiro de Couro, Calçados e Artefatos de Couro da Associação Brasileira de Normas Técnicas (CB-11), da ABNT. "Aderir à norma, portanto, significa um investimento triplo em forma, porque seriam necessárias três delas para cada numeração. O número 38 de determinado modelo, por exemplo, precisaria ter as versões 38P, 38M e 38G."
Para Knorr e para Ávila, porém, o custo da elaboração de novas formas não justifica a não-adoção das normas da ABNT. "Eu acho tolice simplificar o número de formas. Os fabricantes dizem que assim otimizam a produção, mas, na verdade, assim perde-se em escala, porque perde-se consumidor", afirma o diretor do IBTEC.
(Maria Carolina Maia)


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