Conheça as histórias de empresários e artistas que decidiram mudar o foco de suas carrerias quando ainda estavam no auge
Ana Clara Costa
Tal como o chef espanhol Ferrán Adrià, que surpreendeu os amantes da gastronomia ao decidir fechar seu aclamadíssimo restaurante elBulli, há outros profissionais que se dão ao luxo de mudar os rumos de sua carreira enquanto ainda estão no auge. Como pano de fundo, um ponto em comum: o desejo de fazer algo novo e/ou contribuir para causas nobres, como a redução das desigualdades sociais.
Conheça alguns destes privilegiados. (Clique nos números ou nas setas para acessar o conteúdo)
O empresário Ricardo Semler herdou a empresa de máquinas industriais Semco de seu pai, Antonio. Em 20 anos, transformou-a em um gigante de 3 mil funcionários. Inconformado com o que considerava uma excessiva hierarquização nas empresas brasileiras, inovou ao implantar um plano de gestão que integrava diretoria e funcionários. O modelo, baseado no conceito de democracia industrial, é hoje copiado por diversas companhias. Entre 1988 e 2006, lançou cinco livros, incluindo o best seller Virando a Própria Mesa (Editora Rocco). No final dos anos 90, começou a reformular sua rotina. Foi se afastando gradativamente da Semco e, atualmente, tem reuniões de trabalho cerca de uma vez por semana. Meio ambiente e educação tornaram-se seu novo foco de trabalho. Criou o programa Lumiar, entre outros projetos educacionais. Por meio da Fundação Ralston-Semler, realiza trabalhos de pesquisa ambiental e pedagógica. É membro do SOS Mata Atlântica.
Bill Gates
Dono da segunda maior fortuna do mundo (avaliada pela revista americana Forbes em 56,5 bilhões de dólares), o co-fundador da Microsoft saiu da vida corporativa aos 51 anos para se dedicar aos projetos sociais da Fundação Bill e Melinda Gates – que apoia, em especial, pesquisas de combate à Aids na África. O empresário começou a se afastar do dia a dia da empresa cinco anos atrás, e levou dois anos para concluir a saída. Atualmente, ainda ocupa a presidência do conselho de administração da Microsoft, mas o trabalho exige que ele se reúna com os demais conselheiros esporadicamente para debater questões estratégicas do grupo – e não operacionais. Ao deixar o comando da empresa em 2006, causou surpresa ao anunciar que iria doar toda a sua fortuna à própria fundação. Naquele mesmo ano, a ‘Bill e Melinda Gates’ recebeu uma doação de 30 bilhões de dólares em ações da holding Berkshire Hathaway, que pertence ao investidor Warren Buffett. Com isso, tornou-se a fundação mais rica do mundo.
Jack e Meg White, da banda White Stripes
A banda de rock criada em Detroit em meados de 1997 surpreendeu os fãs em fevereiro deste ano com a notícia de que tudo estava terminado. Depois de mais de dez anos de sucesso dentro e fora do cenário independente, Jack e Meg White resolveram dizer adeus enquanto a notícia esperada era de que fossem anunciar um novo álbum. O duo – que já vendeu mais de 30 milhões de discos e embalou as noitadas underground de cidades do mundo todo com hits como Seven Nation Army – decidiu parar “para manter o que há de belo na história da banda”, segundo palavras de Jack White. A saída foi uma escolha de ambos, que pretendem, a partir de agora, tocar projetos diferentes dentro do cenário musical.
Jum Nakao
O estilista e artista plástico paulista, Jun Nakao, participou dos primórdios da moda paulistana e trabalhou para grandes marcas brasileiras, como a Carmin e a Zoomp. Sempre inovador, foi um dos primeiros a criar coleções para o Phytoervas Fashion, que se tornou o Morumbi Fashion e, atualmente, é a SPFW – principal evento de moda da América Latina. Em 2004, aos 38 anos, já consagrado com sua própria marca, Jum fez um desfile histórico com roupas de papel que eram rasgadas ao final da apresentação – em uma clara crítica ao consumo da moda. O desfile foi premiado como o melhor da década e, com ele, o artista encerrou sua carreira nas passarelas. Atualmente, dá palestras e presta consultoria para grandes marcas sobre inovação em moda.
Marcos Magalhães
Ex-presidente da Philips para a América Latina, o executivo deixou a carreira em 2006, aos 59 anos, para se dedicar a projetos ligados à preservação do meio ambiente. Passou a presidir o conselho de administração da companhia e a comandar projetos sustentáveis, como a substituição de sistemas de iluminação por outros compostos por lâmpadas brancas, que consomem 65% menos energia. Magalhães comanda por conta própria inúmeros projetos ambientais e educacionais na região Nordeste, além de participar ativamente de debates sobre educação em todo o país.
Há pessoas especiais que se preocupam com o próximo e concretizam, através de ações, o desejo de fazer o bem,de proporcionar oportunidades. Conheço um pouquinho o trabalho do Sr. Ricardo Semler e posso afirmar, com segurança, que seres humanos com tal grandeza são raros.
Há pessoas especiais que se preocupam com o próximo e concretizam, através de ações, o desejo de fazer o bem,de proporcionar oportunidades. Conheço um pouquinho o trabalho do Sr. Ricardo Semler e posso afirmar, com segurança, que seres humanos com tal grandeza são raros.
Comentários
Maria Inês Pereira da silva
Há pessoas especiais que se preocupam com o próximo e concretizam, através de ações, o desejo de fazer o bem,de proporcionar oportunidades. Conheço um pouquinho o trabalho do Sr. Ricardo Semler e posso afirmar, com segurança, que seres humanos com tal grandeza são raros.
23.06.2011