Conjuntura

Fazenda reduz projeção de crescimento do Brasil em 2011

Relatório do governo revê de 5% para 4,5% a perspectiva de crescimento da economia brasileira em 2011. Já a previsão de inflação subiu, de 5% para 5,6%

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante palestra que proferiu em almoço para empresários na Câmara de Comércio Brasil-França, na sexta-feira

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante palestra que proferiu em almoço para empresários na Câmara de Comércio Brasil-França, na sexta-feira (Eduardo Enomoto/AE)

Por conta da crise, houve retirada de estímulos internacionais

O Ministério da Fazenda reduziu as projeções de crescimento da economia brasileira nos próximos quatro anos. O boletim Economia Brasileira em Perspectiva, relativo ao primeiro bimestre deste ano, prevê que a expansão média entre 2011 e 2014 será de 5,1%. Na edição especial do boletim, divulgada em março deste ano para um balanço da atividade econômica em 2010, a previsão do Ministério da Fazenda era de um crescimento médio de 5,9% nos quatro anos. A estimativa de alta do PIB para 2011 caiu de 5% para 4,5%. Para 2012, a projeção foi reduzida de 5,5% para 5%. Em 2013 e 2014, o Ministério da Fazenda espera um crescimento econômico de 5,5%, ante os 6,5% projetados anteriormente.

O boletim destaca ainda o início, em 2010, da retirada de estímulos adotados para enfrentar a crise financeira internacional. Ressalta ainda a adoção de medidas macroprudenciais para assegurar o ritmo sustentável de crescimento, evitando a criação de desequilíbrios internos e externos. "Como resultados dessas medidas, a economia brasileira cresceu abaixo do seu potencial nos últimos dois trimestres do ano passado e deve continuar desacelerando em 2011, fechando o ano com expansão de 4,5%", afirma a Fazenda, no documento.

"Os primeiros dados de 2011 sobre a atividade econômica ainda não mostram de maneira clara o ritmo dessa desaceleração esperada, por causa das defasagens envolvidas nas medidas adotadas e também em virtude das mudanças estruturais em andamento na economia brasileira", completa. O Ministério da Fazenda afirma que, mesmo com a expansão da atividade econômica mais moderada em 2011, a média do crescimento para os próximos anos deverá ser superior às verificadas recentemente, por causa da elevação da capacidade produtiva brasileira.

Inflação –  O Ministério da Fazenda, através do mesmo documento, elevou sua previsão para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011, de 5% para 5,6%. Para 2012, a perspectiva de inflação passou de 4,5% para 4,6%, um pouco acima do centro da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%.

Com a revisão, os números se aproximam mais das estimativas de mercado, mas ainda estão abaixo desse patamar. Segundo o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), o mercado espera que o IPCA feche este ano com alta de 6,23% e, em 2012, com crescimento de 5,1%. No dia 20 de maio, o Ministério do Planejamento divulgou uma projeção para a inflação de 5,7% em 2011. "A acomodação da atividade econômica numa taxa de crescimento mais sustentável em 2011 levará à menor pressão sobre os preços a partir do segundo semestre", afirma o Ministério da Fazenda no boletim.

O documento destaca que, desde 2005, a inflação medida pelo IPCA tem se mantido dentro das bandas do regime de metas para a inflação. Além disso, justifica a inflação de 5,9% em 2010. Segundo a Fazenda, ela foi influenciada, entre outros fatores, pela rápida recuperação do crescimento econômico, após os impactos negativos da crise no ano anterior.

O boletim destaca ainda que, no acumulado de 12 meses até fevereiro de 2011, os gastos com alimentação, despesas pessoais, vestuário e educação foram responsáveis por cerca de 67% da inflação medida pelo IPCA. "A tendência é que os preços de tais grupos comecem a ceder ao longo do ano", destacou o documento.

O relatório Economia Brasileira em Perspectiva é publicado bimestralmente pela Secretaria de Política Econômica (SPE). O documento consolida e atualiza as principais variáveis macroeconômicas resultantes da condução da política econômica.

(Com Agência Estado)

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