07/05/2012 - 09:04
Fonte: Logo-reuters

Economia

Mercado reduz projeção de Selic de 9% para 8,5% em 2012

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 7 Mai (Reuters) - O mercado passou a estimar que o Banco Central continuará reduzindo a Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio. Agora, a previsão é de corte de 0,50 ponto percentual, o que levaria a taxa básica de juros a 8,50 por cento ao ano, mostrou a pesquisa Focus nesta segunda-feira.

Até então, as contas apontavam que a Selic ficaria estável em 9 por cento ao ano em 2012. O Relatório Focus do BC, publicado nesta segunda-feira, mostrou ainda que os analistas preveem que a Selic ficará em 8,50 por cento até o fim do ano.

A expectativa da taxa para o final de 2013 foi mantida em 10 por cento, porém a perspectiva do Top 5 -que reúne as instituições que mais acertam as projeções no relatório- foi reduzida de 9 por cento para 8,75 por cento.

Recentemente, o governo mostrou em dois momentos que estaria disposto a reduzir ainda mais a taxa Selic. Na última quinta-feira, anunciou mudança na remuneração da poupança e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixou claro que, sem ela, o BC "ficaria com a política monetária comprometida."

No dia seguinte, Mantega afirmou também que a Selic em queda ajudará na redução do spread bancário -diferença entre custo de captação dos bancos e a taxa efetivamente cobrada aos consumidores- no Brasil, considerado muito alto. Ele também afirmou que a taxa de juros real de 2 por cento é "um sonho que todos os brasileiros deveriam ter."

Antes, no final do mês passado, a ata da última reunião do Copom já havia indicado mais cortes na Selic, embora o BC tenha destacado que qualquer movimento deve ser conduzido com "parcimônia". Em abril, o Copom reduziu a taxa em 0,75 ponto percentual, para os atuais 9 por cento ao ano, menor nível desde abril de 2010, quando passou de 8,75 por cento ao ano -menor patamar histórico- para 9,50 por cento.

Pesquisa realizada pela Reuters aponta que 23 de 36 economistas consultados acreditam que a taxa básica de juros brasileira deve estar em um dígito no fim de 2014, quando termina o mandado da presidente Dilma Rousseff.

INFLAÇÃO

Em relação à inflação, as estimativas dentro do Focus apontam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará este ano em 5,12 por cento, inalterado ante o relatório da semana passada. Para o final de 2013, o mercado estima alta de 5,56 por cento, ante 5,53 por cento anteriormente.

Para o IPCA em 12 meses, as projeções foram mantidas em 5,53 por cento neste ano.

No fechamento de abril, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou a alta para 0,52 por cento, e a expectativa é de que o movimento deve continuar em maio para algo perto de 0,40 por cento.

A meta oficial de inflação é de 4,5 por cento pelo IPCA, e o cenário inflacionário é determinante para que o BC defina sua política relacionada à taxa básica de juros. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga os dados de abril do IPCA na quarta-feira.

CRESCIMENTO

O relatório Focus também mostrou leve alteração em relação à perspectiva da atividade econômica. Agora, o mercado prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) encerre 2012 com crescimento de 3,23 por cento, ante 3,22 por cento na semana passada.

Para 2013, as contas dos agentes consultados pelo BC é de expansão de 4,30 por cento, inalteradas em relação ao último relatório.

Ainda segundo o Focus, a taxa de câmbio prevista para o fim de 2012 pelo mercado é de 1,81 real por dólar, ante 1,80 real por dólar na semana passada.

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