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Meio Ambiente

Grupo do Brasil interrompe negociações sobre economia verde

Manobra é tida como uma forma de colocar pressão sobre os países desenvolvidos, que podem ser os maiores promotores das práticas sustentáveis em setores como construção, agricultura e transporte

Luís Bulcão, do Rio de Janeiro
Delegados reunidos em uma das salas de conferência da Rio+20

Delegados reunidos em uma das salas de conferência da Rio+20 (Celso Puppo/Foto Arena)

O grupo G-77+China, composto por mais de 130 países, entre eles o Brasil, se retirou das negociações sobre economia verde na Rio+20, na tarde de quinta-feira, no Riocentro. O motivo foi a estagnação nas negociações sobre o tema meios de implementação, que lida com a parte de comércio internacional, financiamento e transferência de tecnologia.

Nos bastidores, a manobra é tida como uma forma de colocar pressão sobre os países desenvolvidos, que podem ser os maiores promotores da economia verde. "Até o G-77 dar alguma resposta, não sabemos quando as negociações para economia verde poderão ser retomadas", disse Patrick Wittmann, representante do Canadá, ao fazer a avaliação das negociações durante a reunião plenária do grupo que discute o tema.

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Pessimismo – O encontro de quinta-feira à noite, destinado a relatar os avanços, teve clima de pessimismo. Praticamente todos os grupos relataram lentidão nas negociações e não puderam demonstrar avanços efetivos. Nenhum progresso foi feito, por exemplo, nos parágrafos que tratam de comércio internacional. Os países em desenvolvimento buscam se resguardar de eventuais medidas protecionistas dos países desenvolvidos através de ferramentas ambientais, como a economia verde. Além disso, esperam contar com maior comprometimento em termos de recursos financeiros para a promoção do desenvolvimento sustentável. Os confrontos também se dão em torno do princípio de responsabilidades diferenciadas, segundo o qual os países que mais contribuíram para a degradação ambiental têm uma conta maior a pagar.

Ao final da sessão, o copresidente Kim Sook não confirmou o prolongamento das negociações, que deveriam terminar nesta sexta-feira, mas afirmou que o Brasil deve mesmo assumir o comando a partir de a meia-noite de hoje. "Não escutem a rumores. Não falamos nada sobre isso (prolongamento das negociações). O que é claro, e temos confirmação, é que o Brasil vai assumir e o mandato se conclui amanhã. Isso é tudo o que posso dizer", afirmou.

Na manhã desta sexta-feira, a ONG Oxfam divulgou um comunicado afirmando que uma forte liderança do Brasil é esperada para destravar as negociações. Segundo a ONG, que participa da conferência através da representação dos Grandes Grupos, o processo ficou estagnado desde que teve início, na manhã da última quarta-feira.

O que é economia verde:

Economia verde

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Edificações

Crédito: Divulgação/Pnuma-Brasil

Um terço da energia utilizada no mundo é gasta dentro de prédios, e o setor de edificações é o que mais emite gases no planeta. O setor de construção civil é responsável por mais de um terço do consumo de recursos, incluindo 12% do consumo de água potável. O relatório GEI considera necessários investimentos de 300 bilhões de dólares por ano até 2050 no setor. Prédios públicos, como escolas e hospitais, são ideais para começar a estimular a indústria da construção civil a adotar práticas sustentáveis: melhor ventilação e aproveitamento da luz natural, por exemplo. O setor tem o potencial de garantir a economia de um terço no consumo de energia. No Brasil, o projeto do conjunto habitacional Rubens Lara, em Cubatão, foi reconhecido pela ONU, através do Sushi (sigla em inglês para iniciativa para habitação social sustentável). Os prédios têm janelas maiores e aquecem a água com energia solar. Construir dessa forma, atualmente, custa 10% a mais.

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