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Grécia quer que dois terços dos credores troquem dívida
Após acordo para redução de 53,5% do valor nominal dos títulos em mãos dos credores privados, próximo passo é definir rolagem dos bônus restantes
Evangelos Venizelos: governo enviará proposta de swap ao Parlamento nesta terça-feira (Yiorgos Karahalis/Reuters)
Credores podem ser obrigados a aceitar os termos de troca de dívida; é o que prevêem as cláusulas de ação coletiva (CACs) que serão votadas nesta quinta-feira no Parlamento grego
O governo da Grécia trabalha com uma participação mínima de pelo menos dois terços dos detentores de seus títulos de dívida na operação de troca de bônus do país, declarou nesta terça-feira uma fonte no Ministério das Finanças grego. A expectativa é que a oferta formal do swap (troca) seja divulgada até o fim desta semana. "A decisão final ainda não foi tomada, mas existe um nível (mínimo) com o qual estamos trabalhando", disse a fonte.
Passo a passo – A troca dos papéis representa um novo passo após o acordo fechado nesta madrugada entre os credores da Grécia – a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – e as autoridades de Atenas para liberação de um novo empréstimo de 130 bilhões de euros que permitirá a quitação de uma parcela da dívida soberana que vencerá em março. O governo de coalização nacional submeterá ao Parlamento até 15 de março a legislação necessária para aplicação do acordo.
Ainda nesta terça foi divulgada a informação de que o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês e que reúne os maiores bancos globais) negociou um acordo em nome dos detentores privados de dívida grega que implica uma redução de 53,5% no valor nominal dos bônus gregos que detêm – 107 bilhões de euros dos 200 bilhões de euros da dívida grega em seu poder.
Proposta no Parlamento – Em entrevista coletiva, o ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, disse que o governo apresentaria ainda nesta terça-feira ao Parlamento o projeto de lei contendo os detalhes da proposta de troca da dívida. Segundo a fonte no Ministério das Finanças, o projeto de lei deve incluir as chamadas cláusulas de ação coletiva (CACs), que podem ser usadas para obrigar os detentores de bônus gregos a aceitarem os termos do swap. A expectativa é que o Parlamento vote o projeto na quinta-feira, o que permitiria o anúncio da oferta formal no dia seguinte.
Apelo – O IIF insistiu para que os detentores de títulos gregos aceitem a proposta apresentada pelo país na madrugada desta terça-feira, afirmando que os termos são "justos para todas as partes". Numa entrevista coletiva, Jean Lemierre, uma das autoridades do IIF presente nas negociações, disse que os detentores de títulos da Grécia terão de deixar para trás "mais de 70%" do que receberiam com os títulos, incluindo juros, segundo os termos do acordo fechado entre o órgão e o governo grego. Apesar disso, segundo ele e o diretor-gerente do IIF, Charles Dallara, acreditavam que essa proposta é a melhor para os credores privados, dadas as circunstâncias. "É um acordo sólido para os investidores, justo para todas as partes e que traz benefícios consideráveis para a Grécia. Esperamos uma forte adesão", disse Dallara.
(com Agência Estado)
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