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Estrangeiro retoma liderança na Bovespa em agosto
Por Vanessa Stecanella
São Paulo - Os estrangeiros ingressaram com R$ 551 milhões no último pregão de agosto na Bolsa de Valores de São Paulo, mas o volume não foi suficiente para zerar o saldo negativo no mês passado, quando as retiradas superaram as entradas de capital externo. A soma das duas operações devolveu para eles o posto de maior participante do mercado acionário brasileiro. De acordo com analistas, o ingresso de dólares no dia 31 deve ser observado nos dias sucessivos, já que a antecipação do movimento de redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central fez os investidores se voltarem para a renda variável, mas ainda gera dúvidas por conta do cenário macroeconômico.
Os estrangeiros voltaram para a liderança no ranking de participação no mercado. De acordo com levantamento da BM&FBovespa, eles responderam por 36,5% do volume negociado em agosto, ante 32,7% em julho. Os investidores institucionais retornaram para a segunda posição em agosto, respondendo por 32,1% das operações de agosto, ante 34,8% do mês anterior, seguidos por pessoas físicas (de 23,6% para 20,2%), instituições financeiras (de 7,6% para 9,7%) e empresas (de 1,1% para 1,8%).
Em agosto, os investidores não-residentes no País realizaram compras da ordem de R$ 64,693 bilhões e vendas de R$ 65,092 bilhões na Bolsa, resultando em um saldo negativo de R$ 399,3 milhões. No acumulado do ano, o saldo, que estava positivo no começo mês, voltou ao vermelho, refletindo a tensão dos mercados mundiais com relação à economia norte-americana, após a Standard & Poor's rebaixar o rating de crédito soberano de longo prazo dos Estados Unidos da América de AAA para AA+. "O movimento deu abertura para uma onda de vendas", lembra o profissional de uma corretora paulista.
De janeiro a agosto, o déficit de capital externo na Bolsa soma R$ 110,465 milhões, conforme dados da BM&FBovespa. Em julho, o saldo anual acumulado era positivo em R$ 288,849 milhões.
Analistas avaliam que, apesar do surpreendente corte na taxa básica de juros, que tirou um pouco das atenções da renda fixa, pelo menos momentaneamente mercados emergentes como o Brasil continuam a enfrentar situações conflitantes do ponto de vista da política monetária e do cenário inflacionário, o que ainda provoca a cautela dos estrangeiros. "Mesmo atraente por conta de preços defasados, os estrangeiros continuam cautelosos com relação ao nosso mercado acionário", disse um gestor de renda variável.
Distribuição pública
A participação dos investidores estrangeiros nas distribuições públicas de ações com anúncio de encerramento publicado até 26 de agosto de 2011 foi de R$ 7,616 bilhões, segundo a BM&FBovespa. O montante corresponde a 58,4% do volume total da distribuição realizada no período e 52,8% do volume de oferta brasileira.
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