Economia
Crise brasileira
Empresas têm maior inadimplência no semestre desde 2009
Alta na primeira metade do ano foi de 16,5% ante os primeiros seis meses de 2011, aponta a empresa de informações de crédito Serasa Experian
Consumidores pagam suas próprias dívidas, o que deve ter reflexo positivo para empresas (Roberto Setton)
Serasa avalia que o cenário econômico deve melhorar gradualmente, com expectativa de recuperação da atividade a partir do último trimestre de 2012
A inadimplência das empresas registrou no primeiro semestre a maior alta desde 2009, ainda que o último dado, referente a junho, tenha mostrado queda na comparação mensal. Segundo a Serasa Experian, o índice para pessoas jurídicas relativo à primeira metade do ano aumentou 16,5% ante os primeiros seis meses de 2011. No acumulado do 1º semestre em 2009, a elevação registrada havia sido de 35,8%.
Na comparação de junho com maio, houve declínio de 5,7% na taxa de insolvência no crédito para empresas. Em relação a igual mês do ano anterior, no entanto, a taxa subiu 11,4%.
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Para Santander, inadimplência pode ter atingido pico
De acordo com a Serasa, grande parte dos negócios de médio e pequeno porte trabalha com o varejo e o setor de serviços, o que implica dependência do comportamento dos consumidores. Assim, uma melhora no índice de inadimplência do consumidor pode ter consequência rápida no indicador das empresas, o que explicaria o recuo na comparação mensal. Além disso, a empresa de informações de crédito ressalta que a base de comparação de maio era bastante elevada (com alta de 9,4%) e junho teve menor quantidade de dias úteis.
Entre as razões apontadas para o resultado semestral estão a fraca atividade econômica; as elevadas taxas de inadimplência do consumidor e de empresas/clientes; a dificuldade para exportar; e a maior seletividade na concessão de empréstimos. Os economistas da Serasa avaliam que o cenário deve melhorar gradualmente, com a expectativa de recuperação da atividade a partir do último trimestre de 2012.
No primeiro semestre, a inadimplência nas dívidas bancárias cresceu 23,9% ante igual período de 2011. Na sequência, os protestos aumentaram 19%, seguidos por dívidas não bancárias (18,9%) e cheques devolvidos por falta de fundos (3,7%). As dívidas não bancárias – cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços – contribuíram, sozinhas, com 6,1 pontos porcentuais para o aumento do indicador geral das empresas.
O valor médio das dívidas não bancárias na primeira metade do ano aumentou 4,3% ante igual período do ano anterior, para 775,08 reais. Já as dívidas com banco tiveram valor médio de 5.293,25 reais e aumento de 5,5% na comparação com igual período de 2011. A alta no valor médio dos títulos protestados foi a maior entre os vários tipos de dívida e chegou a 10,9% no primeiro semestre, com média de 1.932,23 reais. Cheques sem fundos tiveram aumento de 6,7% no valor médio ante o mesmo período de 2011, chegando a 2.203,03 reais.
(Com Agência Estado)

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