Tarja para o tema crise do euro

Europa

Economia da Grã-Bretanha volta a entrar em recessão

PIB da região encolheu 0,2% no 1º tri, após retração de 0,3% no período anterior

David Cameron, primeiro ministro britânico: más notícias do Banco Central

David Cameron, primeiro ministro britânico: más notícias do Banco Central (Kerim Okten/EFE /VEJA)

A economia da Grã-Bretanha voltou a entrar em recessão. É o que apontam dados divulgados nesta quarta-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas britânico. De acordo com o órgão, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 0,2% nos três meses encerrados em março, após contração de 0,3% no trimestre final de 2011. Um país está tecnicamente em recessão após dois trimestres consecutivos de queda na produção.

Os resultados do primeiro trimestre indicam que a austeridade e a fraca demanda pelas exportações britânicas para a zona do euro cobraram seu tributo. A contração foi provocada pelo pior resultado em três anos do setor da construção (-3%), enquanto o setor manufatureiro também registrou um recuo. 

A última vez que a Grã-Bretanha entrou em recessão foi no auge da crise bancária global de 2008, da qual emergiu no terceiro trimestre de 2009, após cinco sucessivos trimestres de contração econômica.

O retorno da recessão vai fornecer munição aos opositores do programa de austeridade do ministro das Finanças, George Osborne, um agressivo programa de altas de impostos e cortes de gastos destinados a fechar um persistente déficit orçamentário que os críticos dizem que vai estrangular o crescimento do país.

O quadro vai também levar a economia do país a percorrer difícil caminho em 2012 para atingir as previsões de crescimento do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Escritório de Responsabilidade Orçamentária, um órgão independente que abastece o governo com projeções econômicas. Ambos preveem que a economia do país vai expandir 0,8% este ano.

Leia na coluna De Nova York, por Caio Blinder:

Não é apenas a França com suas desoladoras opções eleitorais (o conservador Sarkozy x o socialista Hollande), mas a palavra é francesa. Na Europa, existe um sentimento de malaise. São as profundas ansiedades sobre globalização, políticas de austeridade e identidade nacional. Temos o drama de partidões de esquerda e de direita para convencer a cidadania que eles podem rabiscar a quadratura do círculo: precisam oferecer empregos, salários decentes e preservar o estado do bem-estar social. Ao mesmo tempo, há a necessidade de implementar estes penosos ajustes para sair do buraco. Como conciliar crescimento e austeridade?

Entre as saídas falsas do dilema estão a demagogia e a prática do esporte do bode expiatório, em escapadas pela esquerda ou pela direita. Temos, portanto, o fortalecimento de partidos antieuropeus, antiimigrantes, islamofóbicos, antiglobalização, antieuro, antiestablishment. Uma mensagem mais do contra do que a favor. São mensagens que prosperaram não apenas no primeiro turno das eleições francesas, com destaque para a Frente Nacional, de extrema direita, de Marine Le Pen, mas estão em alta em outras paragens europeias.

(Com agências Estado e EFE)

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