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Economia brasileira entra em recessão com recuo de 0,6% no segundo trimestre

Em relação ao segundo trimestre de 2013, o PIB caiu 0,9% - indústria foi principal tropeço do PIB

- Atualizado em

Funcionário observa bobinas de papel na unidade industrial da Cia. Suzano de Papel e Celulose, em Suzano, São Paulo
Indústria teve o pior desempenho(Lalo de Almeida/Folhapress/VEJA)

A economia brasileira registrou contração de 0,6% no segundo trimestre de 2014 na comparação com os três meses anteriores, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do primeiro trimestre foi revisado para queda de 0,2%, o que significa que o país entrou em recessão técnica - observada quando há dois resultados trimestrais negativos em sequência. Antes, os dados indicavam que o Produto Interno Bruto (PIB) havia crescido 0,2% no primeiro trimestre, em relação ao quarto período de 2013.

O Brasil não entrava em recessão técnica desde a crise financeira global de 2008/2009. Os dados divulgados nesta manhã pelo IBGE reforçam o fato de que o Brasil vive seu pior momento econômico na gestão da presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição em outubro. A recessão era esperada pelo mercado, dado o cenário ruim em que o país se encontra, com baixa confiança da indústria, do comércio, do setor de serviços e do consumidor, fraca geração de emprego e investimentos retraídos.

O que é recessão técnica?

Os economistas consideram que um país entrou em recessão técnica quando a soma de tudo o que é produzido (PIB) em seu território registra dois trimestres seguidos de queda na comparação com o período anterior.

Em comparação ao segundo trimestre de 2013, o PIB caiu 0,9%, de acordo com o IBGE, e o crescimento acumulado no ano foi de 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

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O PIB é analisado pelos economistas sob duas óticas distintas: a da oferta, representada pelo setor produtivo (agropecuária, indústria e serviços) e a dos gastos, representada por investimentos, consumo das famílias, gastos do governo e balança comercial (exportações menos importações).

No olhar da oferta, o principal impacto negativo no resultado do trimestre que se encerrou em junho foi da indústria. A atividade do setor recuou 1,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro e caiu 3,4% na comparação com o mesmo período de 2013.

Considerada a soma de todas as riquezas produzidas pela economia entre abril e junho, de 1,27 trilhão de reais, o setor de serviços respondeu por 750,1 bilhões de reais (59%), seguido por indústria (255 bilhões; 20%) e agropecuária (82,5 bilhões; 6,5%).

No caso do setor de serviços, o mais importante para o PIB, houve um recuo de 0,5% na comparação com o primeiro trimestre e um crescimento bem tímido, de apenas 0,2%, em relação ao período de abril a junho de 2013. Já o PIB da agropecuária até chegou a crescer 0,2% ante o trimestre anterior, mas não foi suficiente para conter o resultado negativo. Um dos fatores que pesaram na economia no segundo trimestre foi a realização da Copa do Mundo, devido ao menor número de dias úteis em razão de feriados.

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Ainda segundo o IBGE, sob a ótica da demanda a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimentos, recuou 5,3% no trimestre passado sobre o período imediatamente anterior - o pior resultado desde 2009 e o quarto trimestre seguido de retração.

O IBGE também informou que o consumo do governo recuou 0,7% no segundo trimestre sobre o primeiro, enquanto que o consumo das famílias cresceu 0,3% na mesma base de comparação.

PIB do 2º trimestre, por setores

IBGE
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