Emergentes

Com Brics em baixa, Mist surge como novo oásis econômico

México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia despertam a atenção de um mercado frustrado por crise no mundo desenvolvido e desaquecimento nos emergentes

Naiara Infante Bertão e Ana Clara Costa
  • Catedral Metropolitana da Cidade do México

    Walter Bibikow/Getty Images

  • Poluição na Cidade do México

    Stockbyte

  • Visão geral da plataforma de petróleo da companhia petrolífera mexicana Pemex, localizada a 65 km a nordeste de Ciudad del Carmen, Campeche, no Golfo do México

    Susana Gonzalez/Bloomberg/Getty Images

  • Operários trabalham na ampliação do metrô da Cidade do México

    Susana Gonzalez/Bloomberg/Getty Images

  • Operários trabalham na ampliação do metrô da Cidade do México

    Susana Gonzalez/Bloomberg/Getty Images

  • Operários trabalham em um novo edifício de escritórios em construção na Cidade do México

    Sam Hodgson/Bloomberg/Getty Images

  • Operários trabalham em um novo edifício de escritórios em construção na Cidade do México

    Susana Gonzalez/Bloomberg/Getty Images

  • Funcionário trabalha na linha de montagem da Volkswagen em Puebla, México

    Susana Gonzalez/Bloomberg/Getty Images

  • Funcionário trabalha na linha de montagem da Volkswagen em Puebla, México

    Susana Gonzalez/Bloomberg/Getty Images

  • Trabalhador da empresa Alpha Prefabricados, solda componentes em uma oficina mecânica na cidade de Tijuana, México

    David Maung/Bloomberg/Getty Images

  • Clientes compram na Central de Abasto, o principal mercado de produtos no atacado da capital, no bairro de Iztapalapa, Cidade do México

    Susana Gonzalez/Bloomberg/Getty Images

  • Mulher trabalha em uma linha de montagem de componentes eletrônicos em Tijuana, no México

    David Maung/Bloomberg/Getty Images

  • Homem trabalha em uma linha de montagem de componentes eletrônicos em Tijuana, no México

    David Maung/Bloomberg/Getty Images

  • Maquinista trabalha na montagem de uma turbina  em Tijuana, México

    David Maung/Bloomberg/Getty Images

  • Vista aérea da Cidade do México, no México

    Gilberto Tadday

  • A Mesquita Azul e o templo Hagia Sophia durante o pôr do sol

    Ilker Caninkligil/Getty Images/iStockphoto

  • Antália, cidade do sul da Turquia situada região do Mediterrâneo, importante centro turístico

    Walter Bibikow/Getty Images

  • Região da Capadócia, Turquia

    David Sutherland/Getty Images

  • Hotel escavado em meio às rochas na região da Capadócia, Turquia

    Divulgação

  • Istanbul Cevahir, o maior shopping center da Europa

    Divulgação

  • Tráfego de veículos entre imóveis comerciais e arranha-céus no distrito de Levent em Istambul, Turquia

    Kerem Uzel/Bloomberg/Getty Images

  • Istanbul Cevahir, o maior shopping center da Europa

    Divulgação

  • Istanbul Sapphire, edifício mais alto da Turquia, localizado no distrito central de negócios de Levent

    Kerem Uzel/Bloomberg/Getty Images

  • Operários trabalhando na construção da linha de metro Kadikoy-Kartal em Istambul, Turquia

    Kerem Uzel/Bloomberg/Getty Images

  • Vista geral da cidade de Istambul, Turquia

    Carsten Koall/Getty Images

  • O nascer-do-sol atrás da Mesquita Azul em Instambul, Turquia

    Dan Kitwood/Getty Images

  • Estudantes durante competição de robótica em Ilsan, Coreia do Sul

    Chung Sung-Jun/Getty Images

  • Braços robóticos em fábrica na Coreia do Sul

    Vladimir Weiss/Bloomberg News

  • Vista do distrito comercial de Songo, Coreia do Sul

    Posco/Newscom

  • Estudantes durante prova na Coreia do Sul, país referência em educação

    Chung Sung-Jun/Getty Images

  • Estudantes na universidade KAIST em Daejeon, Coreia do Sul

    Jung Yeon-Je/AFP

  • Saguão do hotel Hyatt em Seul, Coreia do Sul

    Dan Istitene/Getty Images

  • Plantação de arroz na Indonésia. A agricultura é o setor que mais emprega pessoas no país

    Pichi Chuang/Reuters

  • Funcionário organiza peças de ouro na Indonésia

    Beawiharta/Reuters

  • Uma das principais indústrias da Indonésia é a textil

    Ed Wray/Bloomberg via Getty Images

  • Funcionário faz mineração de estanho na Indonésia

    Dimas Ardian/Bloomberg via Getty Images

  • Funcionário de mina segura amostra de estanho na Indonésia

    Dimas Ardian/Bloomberg via Getty Images

  • A borracha é um dos principais produtos agrícolas produzidos na Indonésia

    Dimas Ardian/Bloomberg via Getty Images

  • Fila de motos para abastecer o tanque em Jacarta, Indonésia

    Dimas Ardian/Bloomberg via Getty Images

  • Trabalhadores em porto de Jacarta, na Indonésia

    Dimas Ardian/Bloomberg via Getty Images

  • Trabalhadores extraem enxofre de mina na Indonésia

    Athit Perawongmetha/Getty Images

  • Vista aérea de mina de extração de ouro e cobre na Indonésia

    Dadang Tri/Bloomberg via Getty Images

  • Arroz é um dos principais produtos agrícolas produzidos na Indonésia

    Dimas Ardian/Bloomberg via Getty Images

  • A indústria têxtil é uma das principais da Indonésia

    Dimas Ardian/Bloomberg via Getty Images

  • A indústria têxtil é uma das principais da Indonésia

    Dimas Ardian/Bloomberg via Getty Images

Foto 0 / 45

Ampliar Fotos
O Mist é um grupo de economias que se notabiliza por altas taxas de crescimento, disciplina fiscal e monetária e constante promoção do ambiente de negócios

O termo Brics – sigla que se refere ao grupo de países em desenvolvimento composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, que por uma década foi pronunciado à exaustão como promessa de crescimento e retorno aos investidores, está a um passo de ter um concorrente. O motivo é a ascensão de outro time de emergentes que atende pelo apelido de Mist: México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia (leia um pouco mais sobre cada um). Esses países crescem mais, passaram nos últimos anos por turbulências econômicas menos profundas e possuem menos burocracia. Em suma, são hoje vistos como um novo oásis num mercado frustrado por perdas na Europa, nos Estados Unidos e, mais recentemente, no Brasil e na China. Jim O'Neill, presidente do Goldman Sachs Asset Management (GSAM) e criador da alcunha Brics, é considerado o autor, mesmo que involuntariamente, da nova sigla. "Muitos pensam que criei esse acrônimo, mas ele nasceu do fato de eu ter definido, cerca de quinze meses atrás, onze novos países como economias promissoras. Como, do grupo de onze, os quatro são os que mais se destacaram, jornais disseram que havia criado o conceito de Mist. Achei engraçado", disse em entrevista ao site de VEJA.

Mist: as novas potências que hoje ofuscam os Brics

Desaceleração dos BRICS abre espaço para um novo grupo de promessas econômicas formado por México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia

1 de 4

México: junto com os EUA na dor e na sorte

Maquinista trabalha na montagem de uma turbina em Tijuana, México

A dependência econômica do México em relação a seu vizinho, os Estados Unidos, foi sua maior dor nos últimos anos, mas também sua maior sorte. Após quatro anos sombrios, a economia americana dá sinais cada vez mais claros de recuperação – e o México se beneficia quiçá mais dessa nova realidade que os próprios americanos.

Enquanto a expectativa para a expansão do PIB dos EUA em 2012 é de 2%, o México deverá crescer 4%. O país também colhe os frutos de investimentos em infraestrutura e privatizações feitas na década de 1990. Ainda que controversas – já que, em alguns casos, criaram verdadeiros oligopólios, como no setor de telecomunicações –, as privatizações propiciaram ao país um ambiente de crescimento menos atravancado que o do Brasil. Além disso, a própria influência da Casa Branca faz com que o governo mexicano interfira pouco na economia do país, o que proporciona um ambiente de estabilidade aos investidores. A taxa de juros no México permanece inalterada em 4% ao ano desde 2008. 

Contudo, o principal ativo mexicano é hoje justamente a conjuntura econômica chinesa. Com a valorização do yuan e o aumento dos custos trabalhistas, a China está deixando de ser o país mais barato para se produzir, sobretudo para os EUA – seu maior parceiro de manufatura. "O México sofreu um baque quando a China se tornou o maior exportador para os Estados Unidos. Agora que a China não está mais tão barata assim, o México vai se beneficiar", diz Jim O'Neill, ao explicar porque o país latinoamericano é seu "MIST" preferido. O fácil acesso ao mercado interno dos EUA e a proximidade geográfica fazem do México uma nação mais atrativa aos negócios do que o Brasil, diz a Economist Intelligence Unit (EIU).

Leia mais: Fundos dedicados a ativos emergentes atraem capitais

O'Neill – que não utiliza mais o termo “economias emergentes” para se referir aos BRICS por achar que elas "já emergiram" – criou o grupo dos onze incluindo nações que, anos atrás, não seriam nem lembradas como promessas de ganho aos investidores. Além do Mist, o economista escolheu Bangladesh, Egito, Irã, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Vietnã como mercados que, juntamente com os BRICS, se tornariam as maiores economias do século XXI. De acordo com as estimativas do executivo, Brics e Mist terão juntos um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 12 trilhões de dólares ao fim desta década em termos reais – dois terços provenientes dos Brics e um terço do total vindo da China. “Os Brics são muito importantes e ainda não se pode compará-los com os MIST”, afirma O’Neill.

Leia também: China prepara novos estímulos para o consumo interno    
Fazenda perdida: pasta não tem projeção para o PIB de 2012
   

Comparações à parte, a expansão econômica de México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia é inegável, enquanto o mundo desenvolvido agoniza em recessão ou estagnação econômica, e muitos emergentes veem seu dinamismo se esvair claramente. “Os países do MIST estão ganhando visibilidade por causa da desaceleração dos Brics. Brasil, Índia e China estão experimentando taxas de crescimento abaixo do previsto neste ano, não apenas devido ao ciclo econômico, mas também porque tomaram medidas que não foram tão bem recebidas pelos mercados”, afirma Christopher Garman, diretor de estratégia de mercados emergentes da Eurasia Group. No caso do Brasil, em particular, ele diz que o investidor está pessimista, sobretudo, com o baixo crescimento – que deve encerrar o ano em 1,75% segundo previsões do mercado financeiro. Contudo, ele lembra que os mesmos investidores avaliam que os esforços da presidente Dilma Rousseff para estimular o PIB – tais como os pacotes que têm sido anunciados e as medidas para ajudar a indústria – mostram uma “luz no fim do túnel”.
 
Ciclos – O surgimento de levas de países que dão um salto rumo ao desenvolvimento não é fato isolado na história da economia global. Os Estados Unidos e o Japão, por exemplo, já foram nações emergentes que surpreenderam o mundo com seu vigor. Olhar para além dos Brics pode ser considerado, portanto, algo natural. “Muitos investidores começam a olhar para histórias de crescimento fora dos BRICS, e alguns fundos estão apostando em países do segundo escalão dos emergentes”, conta Garman. “O Mist reúne essencialmente os maiores países depois dos Brics”, completa. Apesar de economistas e investidores falarem dessa seleção de países há dois anos, tal predileção ganhou adeptos nos últimos meses por conta do agravamento da crise financeira europeia e seu impacto nos emergentes dos Brics – com destaque para o vexame brasileiro.

Leia também: Governo estuda retomar negociação de acordo com o México    
Brics enfrentam a ressaca do crescimento

Ambiente de negócio – Além do fato de serem países em desenvolvimento com economias fortes – todos fazem parte do G20, o grupo das vinte maiores economias do planeta –, as principais características que unem os Mist são mercado consumidor atrativo e o fato de estarem melhorando constantemente seu ambiente de negócios. “Isso faz com que investidores os vejam como lugares para se investir no longo prazo, inserindo-os em um portfólio global diversificado”, diz a analista da Economist Intelligence Unit (EIU), Justine Thody. (veja quadro comparativo de Brics e Mist)

É inegável, porém, a atração que exercem dados que comprovam pujança econômica sobre estrategistas e investidores globais. México e Indonésia, por exemplo, cresceram, respectivamente, 4,1% e 6,4% no segundo trimestre deste ano na comparação com igual período de 2011 – contra míseros 0,8% do Brasil. O mais impressionante, na visão do mercado, é que tais números se apresentem num momento em que o mundo patina e grande parte dos países revisa para baixo suas previsões para o PIB. 

Disciplina macroeconômica – Alfredo Coutiño, diretor da Moody’s Analytics para a América Latina, explica que essa expansão “fora da curva” é resultado basicamente da disciplina macroeconômica (fiscal e monetária) dos governos do MIST, além da constante promoção dos negócios com melhoria da regulação, oferta de segurança jurídica e abertura ao mercado internacional. “O ponto em comum entre os quatro é que eles são gerenciados por equipes econômicas com filosofia pró-mercado, o que dá segurança e deixa os investidores felizes”, afirma.  

Ressalvas – Mesmo com a popularização recente, o novo elenco enfrenta certa resistência por parte de alguns economistas.  Alguns acreditam que Brasil, China e Índia logo recuperarão o fôlego e retomarão o centro das atenções. Outros apontam que os fundamentos que sustentam esse crescimento vultoso do Mist são temporários. Coutiño destaca que, ainda que México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia suportem elevadas taxas de ampliação do PIB por vários anos, seu conjunto é ainda pequeno para substituir o papel dos BRICS como locomotivas da economia internacional. Somente o Produto Interno Bruto somado de Brasil, Rússia, Índia e China é quase quatro vezes maior que o do MIST: 13,5 trilhões de dólares contra 3,9 trilhões de dólares (veja quadro sobre Brics e Mist). 

quadro comparativo dos BRICS e dos 'MIST'

 

“Seriam necessários índices muito fortes de crescimento por vários anos para que o Mist chegasse aos pés dos Brics”, diz o analista da Moody’s. Ele aposta que a desaceleração de China, Brasil e Índia é uma fase, explicada pela fraca demanda global e por gargalos estruturais que, sobretudo a economia brasileira, precisa sanar.

Os analistas apontam que os quatros integrantes do Mist (veja lista) possuem desafios econômicos relevantes a superar, tais como a necessidade de aprofundar investimentos produtivos, elevar a taxa de poupança interna, incentivar a produtividade e promover atualização tecnológica. Existem ainda problemas no campo político e de direitos humanos. “Não podemos comparar maçãs e laranjas. Os investidores estão sempre olhando para o ‘novo’, para nova narrativa, mas penso que este grupo em particular é apenas uma moda”, dispara Coutiño. 

Dani Rodrik, professor de política econômica internacional de Harvard, tem opinião semelhante. “Sou um pouco cético. Esses países (do MIST) têm pouco em comum e, além disso, por serem economias médias, têm o mesmo potencial que outras tantas”, afirma. Rodrik ressalta ainda que México e Indonésia são economias com forte influência do segmento de matérias-primas, as quais, neste momento de crise internacional, não estão muito bem. 

E há ainda o CIVETS – Justine, da EIU, lembra ainda que o Mist não é unanimidade na lista de “novos queridinhos” dos investidores. “Outro grupo que está em evidência é o Civets, que, além da Turquia e Indonésia, inclui Colômbia, Vietnã, Egito e África do Sul”, relata a economista, que acrescenta que a Nigéria é outro país observado hoje. Para o professor de economia do Insper, José Luiz Rossi Junior, a Coreia do Sul nem deveria estar na lista de países criada por Jim O’Neill, porque seria uma país maduro e desenvolvido – não se enquadraria, portanto, no pré-requisito de nação emergente.

(Com reportagem de Keila Cândido)

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados