Mais Lidas

  1. PF faz operação contra fraudes na Lei Rouanet

    Brasil

    PF faz operação contra fraudes na Lei Rouanet

  2. Andréa de Nóbrega deixa Carlos Alberto e 'A Praça É Nossa'

    Entretenimento

    Andréa de Nóbrega deixa Carlos Alberto e 'A Praça É Nossa'

  3. ‘Game of Thrones’: por que saber a origem de Jon Snow é importante

    Entretenimento

    ‘Game of Thrones’: por que saber a origem de Jon Snow é importante

  4. Comissão tem bate-boca entre Janaína e Lindbergh por juiz que mandou prender Paulo Bernardo

    Brasil

    Comissão tem bate-boca entre Janaína e Lindbergh por juiz que...

  5. Morre o ator Bud Spencer, ícone do western spaghetti

    Entretenimento

    Morre o ator Bud Spencer, ícone do western spaghetti

  6. Impeachment pode marcar nova onda de valorização do real

    Economia

    Impeachment pode marcar nova onda de valorização do real

  7. Gleisi diz que prisão de Paulo Bernardo é 'tortura da era moderna'

    Brasil

    Gleisi diz que prisão de Paulo Bernardo é 'tortura da era moderna'

  8. Papagaio pode ser usado como evidência em julgamento de assassinato nos EUA

    Mundo

    Papagaio pode ser usado como evidência em julgamento de assassinato...

Brasil já enfrenta a desaceleração do mercado imobiliário - mas sem estouro de bolha

Preços de imóveis recuam, mas não há desvalorização vertiginosa por causa do déficit de 5 milhões de moradias que ainda existe no país

- Atualizado em

Construção Civil
Preços de imóveis têm caído nos últimos anos, e o recuo se acentuou em 2015, mas é um declínio, e não um desabamento(Reinaldo Canato/VEJA.com)

A crise econômica que o Brasil atravessa intensificou o freio do setor imobiliário, um mercado que foi desacelerando após viver uma época dourada entre 2009 e 2011. A queda nos preços dos imóveis, o enfraquecimento das vendas e a falta de novas promoções obscureceram o setor em 2015, um ano marcado pelo esfriamento da economia e uma aguda crise política.

A contração do crédito, a alta da inflação e o aumento do desemprego minguaram a confiança dos consumidores e aumentaram a pressão sobre um setor que começou a perder força no final de 2012, afirma o diretor da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Fernando Moura. O número de novas promoções caiu 19,3% em 2015, e as vendas do setor acumularam uma queda de 15,1% em comparação com 2014, segundo dados da Abrainc.

A queda da demanda ocorreu por causa da combalida conjuntura econômica, mas o déficit de mais de 5 milhões de moradias não permitiu o surgimento de uma bolha imobiliária - e de seu estouro -, segundo Moura.

De fato, apesar dos elevados preços que imperaram no país nos últimos anos, a queda dos valores não significa uma diminuição da bolha simplesmente porque nunca houve uma especulação desse tamanho. "Houve uma valorização dos imóveis por causa do aumento do crédito e da melhora dos prazos de financiamento, o que introduziu muitas pessoas no mercado e aumentou a demanda, mas não houve uma bolha", disse.

Preços impensáveis - Os preços dos imóveis alcançaram níveis impensáveis alguns anos atrás, sobretudo no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, mas os valores iniciaram uma rota descendente, percebida especialmente em 2015. O preço médio de imóveis novos caiu 9% em termos reais (descontada a inflação) em vinte cidades brasileiras no ano passado, mas a contração ainda pode ser maior (entre 15% e 20%), já que o valor anunciado dos imóveis é superior ao montante pelo qual são de fato vendidos, segundo explicou a vice-presidente e analista do Moody's, Cristiane Spercel.

Leia mais:

Desconto médio em preço de imóveis é recorde em 2015

De cada 100 imóveis vendidos, 41 foram devolvidos às construtoras em 2015

"Essas quedas dos preços se devem, principalmente, a uma forte contração da confiança do consumidor, que se baseia na incerteza econômica no Brasil, incluindo o emprego deficiente e as taxas de inflação elevadas", disse.

Segundo o Índice Fipe ZAP, que monitora os preços anunciados dos imóveis, o valor dos aluguéis registrou uma queda real de 12,98% nos últimos doze meses, especialmente no Rio de Janeiro. Em termos nominais, o aluguel no Rio caiu 8,56% em doze meses, enquanto em São Paulo a retração foi de 4,50%.

Para o maior sindicato do mercado imobiliário da América Latina, o Secovi-SP, a recuperação do setor depende da recuperação da economia. "A demanda existe, mas está reprimida pela incerteza com relação ao cenário econômico", diz o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary. "A compra é postergada até que a crise se solucione."

Há um caminho alternativo, avalia o dirigente: os investidores estrangeiros. Os consumidores brasileiros podem estar com restrições causadas pela atual conjunturamas a forte desvalorização do real, que caiu 48,3% frente ao dólar em 2015, pode atrair compradores do exterior, acredita Amary.

(Com EFE)