Golfo do México
BP e vítimas do vazamento frente a frente
Eles estarão em uma audiência em Boise, Idaho (oeste dos Estados Unidos), nesta quinta-feira, o que pode dar início ao julgamento da década.
No México, protesto contra vazamento de petróleo (AFP)
Petroleira terá ainda que enfrentar as autoridades judiciais americanas, que iniciaram uma investigação sobre os estreitos vínculos entre a companhia e fiscais federais que contribuíram para causar o vazamento de petróleo no Golfo
A gigante petroleira britânica BP e as vítimas do vazamento no Golfo do México ficarão frente a frente na justiça pela primeira vez nesta quinta-feira, 29. Eles estarão em uma audiência em Boise, Idaho (oeste dos Estados Unidos), o que pode dar início ao julgamento da década.
Diante das cerca de 200 queixas apresentadas pelas vítimas da maré negra aos tribunais de vários estados, os sete juízes do Painel de Litígios Multi-Estados (MDL em inglês) decidirão se todas as queixas podem ser reunidas, onde deve ser realizado o julgamento e que juiz será o responsável.
Espera-se uma decisão duas semanas depois desta audiência, mas esta dará aos advogados das partes uma ideia dos argumentos que deverão usar durante este que pode ser um julgamento de anos contra a BP.
Por razões práticas, os juízes do MDL Panel deverão juntar todos os processos contra a BP, mas os observadores darão particular atenção ao local do julgamento e ao magistrado que será encarregado.
Prejuízo - Depois de anunciar um prejuízo de 17 bilhões de dólares no segundo trimestre – a maior perda da história da empresa -, a petroleira já estima que em agosto terá um desembolso de 60 milhões de dólares para efetuar pagamentos adiantados a trabalhadores da região do Golfo do México que perderam suas fontes de renda em função do vazamento de petróleo iniciado em 20 de abril. A empresa já pagou US$ 256 milhões até o momento, dos quais US$ 30 milhões na semana passada.
Investigações – Paralelamente ao julgamento sobre as questões financeiras, a petroleira terá ainda que enfrentar as autoridades judiciais americanas, que iniciaram uma investigação sobre os estreitos vínculos entre a companhia e fiscais federais que contribuíram para causar o vazamento de petróleo no Golfo, informa nesta quarta-feira o Washington Post.
O grupo de investigadores, chamado "esquadrão BP", que viajou para Nova Orleans (sul dos EUA), é integrado por funcionários da Agência de Proteção Ambiental, da Guarda Costeira e de outras agências federais, informaram as fontes ao Post.
Além da BP, outras empresas estão no centro da investigação, que está em suas primeiras etapas, indica o diário. São investigadas a Transocean - que arrendou a plataforma 'Deepwarter Horizon' da empresa britânica - e a gigante da engenharia Halliburton - que tinha terminado de cimentar o poço menos de dois dias antes da explosão da plataforma, no dia 20 de abril.
Os investigadores analisam milhares de documentos fornecidos pelas empresas, interrogam seus funcionários e tentam descobrir os responsáveis por várias operações na plataforma.
As autoridades também tentam estabelecer se funcionários das empresas deram declarações falsas aos fiscais, obstruíram a justiça ou falsificaram resultados de testes com dispositivos da plataforma para prevenir explosões, indicou o jornal.
O Washington Post cita fontes que indicam que uma das linhas de investigação tenta determinar se os inspetores do Serviço de Gestão de Minerais (MMS, siglas em inglês, a agência federal encarregada de regular a indústria petroleira) deixaram passar supostas falhas em troca de dinheiro ou de outros favores das empresas. Várias auditorias federais registraram os estreitos vínculos dos funcionários do MMS com a indústria.
(Com AFP e Agência Estado)



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