Tarja para o tema desastre ambiental no Golfo do México
 
16/06/2010 - 18:47
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Maré Negra

BP cancela pagamento de dividendos em 2010

A petrolífera BP anunciou nesta quarta-feira que não pagará dividendos a seus acionistas em 2010. A decisão é consequência de um acordo fechado com o governo dos Estados Unidos por meio do qual a empresa britânica criará um fundo de compensação de US$ 20 bilhões para as vítimas do derramamento de óleo no Golfo do México.

Segundo comunicado divulgado pelos executivos da empresa logo após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o conselho de diretores da petrolífera revisou sua política de dividendos e cancelou o pagamento que seria feito aos acionistas em 21 de junho, referente aos lucros do primeiro trimestre.

Ainda de acordo com a BP, não serão divulgados números provisórios referentes aos dividendos dos segundo e terceiro trimestres de 2010. Além disso, o conselho da BP considerará a retomada do pagamento somente em 2011, quando forem anunciados os resultados financeiros relativos ao quarto trimestre de 2010.

A expectativa da empresa é de que, no início do próximo ano, seja possível ter uma ideia mais clara do impacto no longo prazo do derramamento de óleo no Golfo do México, que começou em abril e tornou-se o pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

Fundo indenizatório – Ao jornal The New York Times, fontes da petroleira já haviam adiantado que a BP aceitaria depositar US$ 20 bilhões de dólares no fundo que se destinará ao pagamento de indenizações para pessoas e empresas afetadas pela maré negra. Hoje, o presidente americano Barack Obama e, em seguida, o presidente da companhia, Carl-Henric Svanberg, confirmaram a informação.

Foi revelado ainda que o advogado Kenneth Feinberg, que se encarregou do fundo de compensação para as vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001, será o responsável por administrar os recursos. A conta será gerida de forma independente durante vários anos.

O presidente Barack Obama acrescentou que o fundo poderá ser ampliado e que a petroleira pagará todos os custos relacionados aos danos ambientais. Ele declarou ainda que "a BP é companhia forte e viável" e que interessa aos EUA que ela permaneça assim.

Classificando a reunião como "construtiva", Obama declarou também que a BP voluntariamente criará um fundo adicional de US$ 100 milhões para as pessoas que perderam seus empregos em razão da moratória à perfuração de novos poços de petróleo na região imposta pelo governo do país.

Seguro de dívida – Diante das notícias sobre os diálogos com o governo e da onda de críticas que vem recebendo nos Estados Unidos, alcançou seu nível mais alto nesta quarta-feira o custo para assegurar uma eventual suspensão de pagamentos por parte da BP.

O custo de seu CDS ("credit default swap") de cinco anos - contrato de seguro para o caso de a empresa declarar quebra neste prazo - subiu para 625,3 pontos (ou 6,253% do montante da dívida em questão) na metade do dia desta quarta-feira, segundo dados da CMADataVision. Na terça-feira, este valor era de 506,1 pontos básicos. Em 22 de abril, dia em que a plataforma petroleira que o grupo explorava afundou no Golfo do México, o referido CDS havia terminado em 42,7 pontos básicos.

Em outras palavras, proteger-se do default da dívida da BP custava cerca de 20% mais caro na quarta-feira do que na véspera e cerca de 14 vezes mais do que dois meses atrás.

(com Agência Estado e AFP)

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