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Bolsa de Valores: quem não desistiu durante a crise já obtém lucro
(Getty Images)
O investidor que teve sangue frio e manteve seu dinheiro na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) durante o auge da crise econômica mundial já tem motivos para sorrir. O ganho da Bovespa desde seu pior momento, em novembro de 2008, e até o último dia 19 de outubro - antes, portanto, da turbulência temporária provocada pela taxação do IOF sobre o capital estrangeiro, que fez a Bolsa cair na terça e na quarta -, foi de 130%.
De acordo com o economista Adriano Gomes, professor de finanças da Escola de Propaganda e Marketing (ESPM), a subida tão rápida derrubou todas as previsões feitas por especialistas. "Foi surpreendente. Na época de queda absurda todos acreditavam que seriam precisos três anos para tentar chegar no zero a zero." Logo depois da explosão da crise, no ano passado, VEJA.com entrevistou pessoas que diziam ter perdido pelo menos 50% de todo o investimento. Consultadas novamente agora, elas afirmam ter recuperado o dinheiro ou até estar lucrando na Bolsa.
"No ano passado, perdi metade das minhas ações", diz o administrador de empresas Rafael Assad, de 31 anos. "Mas sempre pensei a longo prazo e mantive o dinheiro lá. Há dois meses estou no positivo." Assad investe na Bolsa há quatro anos. "Eu sabia que um dia eu teria retorno, mas não imaginava que fosse ser tão rápido", completa.
A publicitária Letícia Cilento, de 30 anos, que investe há três anos na Bolsa, conta que não chegou a recuperar todo o dinheiro, mas já está lucrando. "Mesmo com a crise, mantive os investimentos. Passei a comprar ações de banco e isso está rendendo bastante. Hoje eu lucro mais do que lucrava antes da crise. Mesmo assim, ainda não consegui todo o meu dinheiro de Petrobrás e Vale do Rio Doce", diz Letícia, que também não pensa em retirar o dinheiro da Bovespa tão cedo.
Renda fixa - O economista Adriano Gomes afirma que o momento é de cautela para o investidor da Bovespa. "Apesar das altas nos últimos meses - e que devem continuar nos próximos - não podemos esquecer que 2010 será um ano de eleição", afirma. Segundo Gomes, no próximo ano o país sofrerá uma pressão inflacionária e, por consequência, um aumento na taxa básica de juros. "Ao mesmo tempo que a Bolsa tende a ficar mais instável, a renda fixa voltará a ficar bastante atrativa. Eu sugiro então que as pessoas que não pensam a longo prazo tirem os lucros obtidos na Bolsa e coloquem na renda fixa. Agora, se você não vai precisar do dinheiro no ano que vem, deixa do jeito que está."
O ideal é dividir o investimento e jamais colocar tudo num lugar só. "Para investir na Bolsa você não pode ter uma dependência do dinheiro. Na oscilação você não pode simplesmente retirar o dinheiro. O ideal neste caso é colocar uma parcela na renda fixa. Se precisar do dinheiro, você pode retirar a qualquer momento", afirma o administrador Rafael Assad. Foi isso que Letícia Cilento fez. "É o local em que garanto meu ganho", diz.
Perfil do investidor - Segundo os analistas consultados por VEJA.com, não foram todas as pessoas que conseguiram recuperar o dinheiro perdido na Bolsa ou que passaram a lucrar com ela. O perfil das pessoas que compram ações da Bolsa de Valores varia entre o investidor nato e o que atua por pressão social. Aí mora o perigo. "Aquele cara que ouve os amigos dizerem que estão investindo e ganhando dinheiro, geralmente compra ações e se arrepende, pois ele não sabe pensar no longo prazo", avalia William Eid, da FGV. "Durante a crise, esse sujeito se apavorou e tirou o dinheiro. Resultado: perdeu uma grande parte do que tinha aplicado." O economista Alexandre Chaia concorda. Segundo ele, a crise ajudou a mudar um pouco o perfil do investidor. "Hoje em dia é mais difícil ter uma pessoa na Bolsa que não saiba do risco da perda."



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