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BC surpreende e mantém a taxa de juros a 14,25%

Sem elevação, prevista por grande parte de economistas e investidores, tendência é dólar seguir em alta

- Atualizado em

Banco Central do Brasil, em Brasília
A sede do Banco Central, em Brasília(Bia Fanelli/Folhapress/VEJA)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou na noite desta quarta-feira a manutenção da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 14,25%. A decisão não foi unânime. "Avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos, e considerando a elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 14,25%, sem viés, por seis votos a favor e dois votos pela elevação da taxa Selic em 0,50 ponto porcentual", diz o texto do BC sobre a decisão. Sidnei Corrêa Marques e Tony Volpon foram os integrantes do Copom que votaram pela elevação.

A decisão do Copom surpreendeu os analistas. O mercado abriu a semana com apostas quase unânimes de que haveria alta de meio ponto porcentual da Selic. O quadro começou a virar nesta terça-feira, com declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, dadas após o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisar para baixo suas projeções para a economia brasileira. Em outubro, o Fundo previa retração de 1% para o produto interno bruto (PIB) brasileiro em 2016. Agora, a projeção é de encolhimento de 3,5%.

Tombini afirmou que "todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom" são consideradas para a decisão sobre os juros. A declaração não traz novidade - o BC tem, afinal, que estar atento a todos os elementos que tenham impacto sobre a inflação. Ainda assim, ela foi interpretada como um sinal de que o BC poderia ser comedido na decisão desta quarta, já que a revisão feita pelo FMI nada mais fez do que alinhar as projeções do Fundo a um desempenho da economia brasileira já amplamente esperado pelos agentes econômicos.

A interpretação feita pelo mercado acabou sendo certeira. Ou talvez nem tanto: economistas que revisaram as previsões para a decisão do Copom o fizeram apostando em elevação de apenas 0,25 ponto porcentual. A manutenção era o cenário menos provável desenhado pelos analistas.

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Divergência - Também é surpreendente a discrepância dos votos do BC. Não é raro que os integrantes do Copom tenham votos divergentes, mas é muito incomum que a decisão entre eles seja tão diferente como foi a desta quarta-feira, com seis diretores votando pela manutenção e dois votando por uma alta expressiva, de meio ponto porcentual.

Essa divergência, além do "recuo" do BC de uma ação mais firme na política monetária, tendem a puxar a alta do dólar nos próximos dias. Foi o que ocorreu nos últimos dois dias, nas sessões que se seguiram à declaração de Tombini. Nesta quarta, o dólar fechou em 4,10 reais, seu maior valor de fechamento desde setembro do ano passado.

(Da redação)