18/02/2012 - 17:33
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Mercosul

Argentina toma medidas drásticas para enfrentar crise

O governo da presidente Cristina Kirchner impõe controle sobre as importações e reduz subsídios aos serviços públicos

Cristina Kirchner, presidente da Argentina

Para a presidente Cristina Kirchner, medidas são apenas 'sintonia fina' da economia (Enrique Marcarian/Reuters)

O governo argentino adotou medidas drásticas para enfrentar os efeitos da crise internacional, como, por exemplo, um rigoroso controle das importações e a redução de subsídios aos serviços públicos, em um ano em que se projeta um crescimento mais moderado que em 2011. Com o respaldo do triunfo eleitoral de outubro, a presidente Cristina Kirchner cortou subsídios em cerca de 1,127 bilhão de dólares em vários setores da economia para conter o gasto público, o que resultará em aumentos tarifários e de preços. No ano passado, em plena campanha eleitoral, os subsídios alcançaram um recorde de 74 bilhões de pesos (16,9 bilhões de dólares), 50% a mais que em 2010, segundo cifras da Associação Argentina do Orçamento (ASAP, na sigla em espanhol).

A presidente chama estas medidas de "sintonia fina" da economia – um eufemismo para evitar a palavra "rigor". "A mudança na política fiscal e nas receitas em relação ao ano eleitoral é expressiva, apesar de esperada", disse a economista Marina Dal Poggetto do instituto Bein & Associados, que prevê para 2012 uma expansão da economia de 3,5%, inferior aos 5,1% previstos no orçamento oficial.

A Argentina precisa de um saldo comercial positivo para garantir divisas e manter o nível de reservas monetárias, as quais caíram em 2011 de 52 bilhões de dólares para 46 bilhões de dólares, apesar de o Banco Central ter voltado a ser comprador no mercado depois da imposição de controles cambiais. O país sul-americano necessita de divisas para enfrentar em 2012 os vencimentos de sua dívida de cerca de 16 bilhões de dólares.

Nesse contexto, sustentar um saldo comercial positivo "transformou-se em uma virtual ‘questão de Estado’", segundo a Fundação de Pesquisadores para o Desenvolvimento (FIDE). "Tal propósito significa não só obter um excedente de mais de 9 bilhões de dólares (anuais), mas sim conseguir liquidar o total das exportações, aumentar as receitas do turismo e negociar com o capital estrangeiro para que sejam menores suas remessas por meio de utilidades e dividendos", acrescentou.

A economia atravessa um ciclo de crescimento, mas com a limitação de não ter acesso ao crédito ou só a taxas muito altas e de sofrer fuga de capitais. Para 2012, o Palácio do Planalto prevê um aumento de 8,8% nas exportações (90,833 bilhões de dólares) e de 8,1% nas importações (82,254 bilhões de dólares), o que deixaria um superávit de 8,579 bilhões de dólares.

Produtora de alimentos, a Argentina viu reduzir suas expectativas de superar as 100 milhões de toneladas para a safra atual de grãos, em particular soja e milho, devido à seca. Entidades privadas estimam que a colheita de soja alcançará 46 milhões de toneladas e a de milho, 22 milhões de toneladas, cifras inferiores a 2011.

Outra necessidade é compensar o grande déficit na balança do setor energético do país que foi exportador de combustíveis, mas que em 2011 teve que importar hidrocarbonetos por 9,396 bilhões de dólares, 110% a mais que em 2010, admitiu a presidente.

(com Agence France-Presse)

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