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TAMANHO DO TEXTO   
Política monetária

Aquecimento da demanda preocupa o BC, que pede cautela

29/10/2009 09:49


O Banco Central já começa a dar sinais de preocupação com o aquecimento da demanda interna, que poderia criar pressão inflacionária sobre os preços no país. A ata da reunião de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, divulgada nesta quinta-feira, mantém a avaliação de que a política monetária deve manter postura cautelosa, que diminuiria o "risco de uma reversão abrupta".

Diante de um quadro de retomada gradual da atividade, o BC entende que "as pressões inflacionárias devem seguir contidas". Em um trecho do documento praticamente idêntico ao observado em setembro, os diretores dizem que "em torno desse cenário básico, existem incertezas que deverão ser dirimidas ao longo dos próximos meses, com viés tanto positivo quanto negativo sobre o ritmo de recuperação da atividade".

O Copom decidiu na semana passada manter a taxa básica de juros, a Selic, em 8,75% ao ano. Na ata, o comitê diz que a demanda doméstica mostra recuperação e pede a manutenção de uma política monetária cautelosa. "Depois de uma breve contração, a demanda doméstica passou a mostrar evidências de recuperação, graças aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda", afirma o documento.

Apesar de afirmar que "continuam favoráveis as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA seguiria exibindo dinâmica consistente com a trajetória das metas", a ata diz que o quadro macroeconômico contém incertezas importantes e que "o Copom avalia que a política monetária deve manter postura cautelosa, com vistas a assegurar a manutenção da convergência da inflação para a trajetória de metas".

A ata ainda ressalta que "importantes estímulos monetários e fiscais foram introduzidos na economia nos últimos trimestres", o que deverá contribuir para a retomada da atividade econômica.

No texto, o Comitê observa que persiste "sensível margem de ociosidade dos fatores de produção", que não deve ser eliminada rapidamente. Apesar dessa avaliação de que há espaço para a produção crescer, os diretores da autoridade monetária afirmam que "o Comitê considera que a acomodação da demanda, motivada pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, bem como pela contração da economia global, poderia estar sendo superada".

De acordo com a ata, as projeções de inflação feitas pelo BC "elevaram-se ligeiramente" em relação à reunião de setembro, mas permanece abaixo do centro da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O BC não divulga a projeção exata.
 

(Com Agência Estado)

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