Economia
China
China é mais enfática sobre câmbio e anima mercados
Analistas internacionais levantaram a suspeita de que Pequim teria agido apenas politicamente
Flexibilização do yuan trouxe otimismo aos mercados (AFP)
O yuan valorizado tanto poderá estimular as vendas externas de bens e serviços dos Estados Unidos e da Europa ao mercado chinês, como poderá minimizar o estrago da avalanche de importados chineses
O recente anúncio do Banco do Povo da China (PBOC, na sigla em inglês) de que adotará medidas para flexibilizar a cotação do yuan trouxe otimismo aos mercados, como atesta o desempenho das bolsas de valores mundo afora. Contudo, a importância da decisão - que, logo no dia seguinte, foi minimizada pelo próprio BC chinês, para frisar que nada brusco seria posto em prática - está menos em sua essência e mais no que aponta para o futuro. A sinalização é que uma verdadeira apreciação da moeda chinesa está mais perto de ser concretizada.
Quando se trata da política econômica do governo comunista de Pequim, logo se pode esperar pouca transparência, declarações vagas de intenções de longo prazo e jogos de cena para o público interno. Desta vez foi muito pouco diferente. O detalhe é que este "pouco", para uma economia mundial cada vez mais dependente do desempenho chinês, já traz conseqüências.
Analistas internacionais levantaram nesta segunda-feira a suspeita de que Pequim teria agido apenas politicamente, procurando lançar uma notícia tranqüilizadora num momento em que sua política cambial sofria críticas - dos Estados Unidos, da União Européia e do FMI.
Já os economistas ouvidos por VEJA.com ressaltaram que este anúncio se deu de forma mais enfática que o usual. "Hoje, com esta declaração, o cenário segue incerto. Contudo, o ponto fundamental é que era mais obscuro antes disso", afirma o analista de mercados internacionais da Tendências, João Pedro Ribeiro.
A notícia reforçou uma expectativa que tinha sido plantada, ainda que por meio de declarações oblíquas, pelo próprio governo chinês. Tanto que a MB Associados já projetava uma apreciação de 3% a 5% do yuan até o final do ano. "A valorização que se espera é pequena, mas, dado que a moeda estava 'congelada' há dois anos, já é suficiente para mexer com o mercado", aponta o economista-chefe da consultoria, Sérgio Vale, que acrescentou que a projeção não sofrerá alteração por conta do anúncio.
O especialista explica que o efeito do câmbio para a melhoria do saldo comercial será mais visível nos Estados Unidos e na Europa, que possuem uma pauta mais diversificada com a China. O yuan valorizado tanto poderá estimular as vendas externas de bens e serviços destes países ao mercado chinês, como poderá minimizar o estrago da avalanche de importados chineses.
Brasil - No caso do Brasil, que exporta predominantemente commodities para a China, o fator mais importante é o crescimento do PIB local. A explicação é que, independentemente do câmbio, o parque industrial chinês tenderá a comprar insumos brasileiros - como, por exemplo, minério de ferro para produzir aço – sempre que numa conjuntura de economia aquecida.
"Por mais que haja uma expectativa de desaceleração do crescimento, a China vai crescer 8,5% em 2011, o que é muita coisa", acrescentou Vale. Desta forma, espera-se que, no longo prazo, o real - bem como as moedas de outros países exportadores de commodities - seguirá fortalecido.
Mesmo que o efeito do câmbio não seja o elemento mais importante para a ampliação das exportações brasileiras, o fortalecimento do yuan é uma boa notícia para a economia internacional como um todo - o que, indiretamente, favorece o Brasil. O ajuste desta moeda ajudará a melhorar as balanças comerciais (e, por conseqüência, a situação econômica e fiscal) de outros grandes parceiros do país, contribuindo para a expansão do PIB nacional.
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