15/06/2009 - 17:13
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Previdência privada

'A regra é: você tem de poupar', diz especialista

André Pontes

A crise que derrubou algumas instituições financeiras no exterior deixou muita gente com a pulga atrás da orelha: devo confiar nos bancos e seguradoras e investir em um plano de previdência privada? William Eid Júnior - coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autor de oito livros sobre finanças pessoais - defende que sim. Na entrevista a seguir, o autor de Como Planejar a Aposentadoria dá dicas sobre como aplicar em um plano de previdência privada sem expor-se excessivamente a riscos e prega que até quem ganha pouco tem que separar alguma quantia para o futuro. "Fica rico quem é disciplinado. Seu salário é uma miséria? Aplique 10% dele. A regra é: você tem que poupar", diz Eid.
Depois da crise, fazer um plano de previdência privada ainda é um bom negócio?
Sempre é. Se a pessoa escolher produtos adequados em termos de custo, rentabilidade e taxas de administração, é sempre bom. Planejar-se para o futuro é o primeiro passo para uma vida sossegada.

Devo apostar em uma seguradora sem saber se ela vai existir daqui a 20 anos?
No Brasil, existem normas muito restritivas. Na hora da crise, nós vimos o beneficio disso. Aqui nenhum banco chegou perto de quebrar. Eu não teria dúvida em escolher algumas seguradoras e colocar o meu dinheiro lá. Mas também não podemos colocar o dinheiro e deixar o mundo correr. Há 30 anos, meu avô comprou alguns terrenos, mas só foi visitar o local depois de 20 anos: tinha perdido tudo. Com a previdência, acontece a mesma coisa. As regras mudam: temos de prestar atenção a elas.

Como escolher a melhor seguradora para fazer um plano de previdência privada?
É preciso analisar a taxa de administração e as taxas dos fundos. A previdência está dentro da área de seguros, e a seguradora cobra uma espécie de comissão de venda, chamada taxa de carregamento. Além disso, é preciso olhar o passado da seguradora, conferir se ela teve bom desempenho: o fato de ela ter se saído bem na época da bonança da Bolsa de Valores não significa que ela é a melhor. É preciso olhar lá atrás.

Qual a idade ideal para começar a pensar na aposentadoria e investir?
O mais cedo possível. Por exemplo, para juntar um milhão de reais em 30 anos, uma pessoa vai ter que colocar 300 e poucos reais por mês na previdência. Para somar a mesma quantia em 25 anos, terá de dobrar o investimento mensal. Aliás, não é preciso fazer isso apenas pensando na aposentadoria: se o seu filho nasceu hoje e você faz essa poupança, daqui a 30 anos ele vai ter 1 milhão de reais.

O jovem que saiu da faculdade tem que pensar na aposentadoria ou investir na carreira?
Para a enorme parte da população a aposentadoria é fundamental. O INSS está quebrado. Meu pai era empresário e se aposentou recentemente. Ele recebe cerca de 1.200 reais por mês. Coitado, isso não paga nem os vinhos dele! Para a classe média, esse valor é insuficiente. Então devemos começar o mais cedo possível. Saiu da faculdade, já começa a fazer a previdência.

Mesmo quem recebe um salário baixo?
As pessoas têm que ter em mente que não se fica rico a partir de um alto rendimento. Fica rico quem é disciplinado. Seu salário é uma miséria? Aplique 10% dele. A regra é: você tem de poupar. Daqui a pouco, você estará ganhando 100.000 reais por mês e vai continuar poupando 10%. Quando parar para ver, terá uma bolada no banco.

E quem está com 45 anos de idade, o que deve fazer?
Vai ter de deixar para se aposentar em 20 anos. Parar e pensar no que ele vai querer quando tiver 65. Para tirar 10.000 reais por mês em 20 anos, ele vai ter que fazer uma poupança de 2.000 reais por mês. É difícil. Então ele vai ter de aumentar o horizonte de poupança e diminuir a expectativa. E começar logo.

Em termos gerais, existe um porcentual que devo investir?
Sempre digo que deve-se aplicar o equivalente a 15% do salário. Com isso, por ano, você estará juntando um salário e pouco. Passados uns cinco anos, você terá - com o dinheiro corrigido - cerca de um ano de salário. Essa previdência não serve apenas para aposentadoria: se você ficar desempregado, terá um ano de salário garantido para procurar outro emprego com calma. 

 

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